No futebol amador, as melhores histórias costumam nascer fora dos grandes estádios, nos campos simples, entre amigos e desafios. Em Pinto Bandeira, o Renegados F. C. é um desses exemplos. O time surgiu em 2024, a partir de uma ideia carregada de significado: dar espaço a quem havia sido deixado de fora. “O nome Renegados veio porque nós éramos os excluídos dos outros times”, conta o representante e fundador do clube, Ademir Bertotti.

Ele explica que tudo começou depois de um amistoso com o Nacional da Linha 28. “Eles sempre faziam dois times, o A e o B, e naquele ano fiquei de fora, junto com vários amigos. Aí pensei: por que não montar o nosso próprio time?”, relembra.

Assim, de uma frustração nasceu um novo projeto. O Renegados foi formado às pressas, “todos veteranos praticamente”, como define Bertotti, apenas com amigos e conhecidos dispostos a jogar por paixão. “Ninguém convidava para jogar o campeonato, então montamos o nosso. Já nasceu para isso”, explica.

Mesmo com pouco tempo de existência, o grupo tem mostrado evolução. “No primeiro ano não ficamos entre os quatro, mas esse ano conseguimos a classificação”, comemora o representante. Atualmente, o Renegados conta com 22 integrantes entre jogadores e comissão técnica, incluindo atletas de Pinto Bandeira, Farroupilha, Bento Gonçalves e até argentinos que trabalham na região e vestem a camisa do time.

Renegados conta com 22 integrantes entre jogadores e comissão

A rotina é simples: sem treinos fixos, apenas jogos nos fins de semana. “A maioria do pessoal trabalha, então não tem como ficar treinando. A gente se reúne pra jogar e se divertir”, resume Bertotti.

Mesmo com limitações, o time se mantém graças ao apoio local. “Uma empresa aqui do município ajudou com o fardamento, conseguimos bastante patrocínio para montar os uniformes. Fazer tudo do próprio bolso é difícil”, destaca.

As dificuldades maiores, segundo Bertotti, estão na adesão de jogadores. “Tem muita gente que cobra pra jogar, e a gente não tem dinheiro pra pagar ninguém. Aqui é tudo na parceria”, explica.

Ainda assim, o Renegados tem conquistado o carinho da comunidade. “O pessoal gosta de incentivar. Dizem que somos um dos times mais fracos, mas é por isso mesmo que muita gente torce por nós”, brinca.

Time joga na Linha 28 por não ter sede própria

Sem sede própria, o time joga na Linha 28, aproveitando a do clube local. “Cada rodada é um time que tem mando de campo. Quem não tem, escolhe um para jogar”, diz.

Mesmo sem grandes ambições financeiras, o Renegados tem planos: melhorar a cada temporada e, quem sabe, chegar a uma final do campeonato municipal. “Nosso objetivo é esse. E também incentivar a gurizada nova, porque se os jovens não jogarem, o futebol amador acaba”, afirma Ademir.

Brincando com o acúmulo de funções, ele ri ao lembrar do início: “Ano passado eu era presidente, capitão e treinador. Esse ano larguei um pouco, mas ainda ajudo o treinador e, quando dá, entro em campo”, finaliza.