O casamento é como caminhar sob a chuva com um único guarda-chuva. É preciso andar bem juntinho, acertar o compasso, decidir quem segura o cabo e quem abraça. Às vezes, o vento vira, a chuva aperta e é nesse aperto que se aprende a caminhar de verdade.
Um dia, inevitavelmente, um de nós vai se despedir antes. Vai olhar para o outro partindo e, então, seguirá sozinho. Mas até esse dia chegar, o que mantém o amor firme é o gesto simples: um segura o guarda-chuva, o outro segura a mão.
Salomão já dizia que “melhor são dois do que um…”. Desde o princípio, o mundo foi pensado em pares: na arca de Noé, os animais entraram dois a dois; no Éden, havia Adão e Eva, lado a lado; no céu, o sol e a lua se revezam para iluminar o mesmo firmamento; na música, é o diálogo entre notas que cria a harmonia. Tudo o que é pleno vem em par, porque o amor, para existir, precisa de companhia.
Casamento não é conto de fadas, é convivência. É o dia em que um se irrita, fala o que não devia, e o outro respira fundo, mantém a calma e, em vez de responder, escolhe dizer: “eu te amo”. É isso que sustenta uma vida a dois.
Muitos não conseguem ficar tanto tempo casados com a mesma pessoa; outros se casam diversas vezes com a mesma, renovando os votos do coração. Para alguns, parece impossível dividir a vida inteira com um único cônjuge e, sim, algumas vezes dá vontade de pegar a mala e ir embora. Mas o que sustenta um casamento não é somente o amor, é a decisão de ir e voltar sempre para o mesmo lar. O segredo de permanecer tanto tempo lutando pelo mesmo sonho é escolher-se, mesmo nas adversidades, todos os dias. Afinal, como disse David O. McKay, “nenhum sucesso na vida compensa o fracasso no lar”.
É ser o melhor amigo, o abraço mais certo, a companhia mais inteira. É saber ouvir, conversar, discordar sem se afastar. É compreender que, juntos, somamos; não dividimos. Que educar os filhos é caminhar em consonância, não em disputa. Que o amor não quer mudar o outro, mas ajudá-lo a crescer.
Casamento é olhar para a pessoa amada saindo de casa e sentir orgulho ao achar que ela é a mais bonita do mundo, mesmo depois de tantos anos. É trocar o churrasco pela pizza só pra agradar, descascar a bergamota porque o outro gosta, rir das manias, celebrar as pequenas conquistas de cada um.
É entender que a ordem das coisas é simples: Deus, família, trabalho. Que os programas de solteiro ficam para trás, porque agora o prazer está em dividir os dias, as risadas, os silêncios.
Um dia, sim, um de nós vai voltar para casa sozinho. Mas que até lá possamos andar sempre sob o mesmo guarda-chuva: de mãos dadas, ajustando o passo, compartilhando o abrigo e o amor.