O decreto de falência de uma tradicional indústria de erva-mate no Rio Grande do Sul acendeu o alerta para uma crise que vem se aprofundando no setor nos últimos anos. O hábito do chimarrão, símbolo da cultura gaúcha, tem perdido espaço, refletindo diretamente nas indústrias ervateiras do Estado.
Dados do Sindicato da Indústria do Mate no Rio Grande do Sul (Sindimate) indicam que o consumo médio anual caiu de 11 para 9 quilos por pessoa. A redução está associada a fatores como as mudanças nos hábitos de consumo e os reflexos do período pós-pandemia, quando as restrições de compartilhamento, prática central na tradição do chimarrão, afetaram a rotina dos consumidores.
Mesmo sendo um produto de baixo custo e com grande rendimento, a erva-mate enfrenta desafios para se manter competitiva em meio à diversificação das bebidas disponíveis no mercado. Com a queda nas vendas, empresas do setor têm enfrentado dificuldades financeiras, e o fechamento de indústrias tradicionais evidencia a fragilidade de um ramo que, historicamente, ajudou a compor a identidade cultural e econômica do Rio Grande do Sul.