Embora o Código de Trânsito Brasileiro não imponha restrições formais, dirigir durante a gravidez exige uma série de cuidados especiais para garantir a segurança da mãe e do bebê. Com as mudanças físicas e hormonais típicas da gestação, o conforto e a proteção da condutora precisam ser priorizados, especialmente no que diz respeito ao ajuste do carro e ao uso correto dos equipamentos de segurança. A pergunta “Até quando é seguro dirigir?” não tem uma resposta única e deve ser avaliada caso a caso, sempre com orientação médica. No entanto, algumas diretrizes gerais são cruciais para que a gestante permaneça ao volante com tranquilidade.
De acordo com Arielle Gava, médica ginecologista e obstetra do Tacchini, há orientações em cada fase da gestação:
- 1º trimestre: evitar dirigir se estiver com náuseas, tonturas ou sonolência, que são sintomas frequentes nesta fase. Fazer pausas frequentes e manter-se hidratada;
- 2º trimestre: costuma ser o período mais confortável. É necessário ajustar o banco para manter uma distância segura do volante e do abdômen.
- 3º trimestre: evitar viagens longas, pois o volume abdominal pode limitar os movimentos.
Cinto de segurança
O item de segurança mais fundamental para a gestante ao dirigir, ou como passageira, é, sem dúvida, o cinto de segurança de três pontos. Seu uso não só é permitido, como obrigatório em todas as vias do território nacional, conforme o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), e é crucial para a proteção da mãe e do bebê em caso de colisão. “A faixa inferior deve passar abaixo da barriga, sobre os ossos do quadril e não sobre o abdômen. A faixa diagonal deve cruzar o meio do ombro e o espaço entre os seios. O cinto nunca deve ser afrouxado ou colocado por baixo do braço”, orienta Arielle.
O uso correto garante que as forças de um impacto sejam distribuídas pelas partes mais resistentes do corpo (quadril e ombro), minimizando o risco de pressão direta sobre o útero. Em alguns casos, as gestantes podem recorrer a adaptadores de cinto que ajudam a manter a faixa subabdominal na posição correta, abaixo da barriga.
Quando não dirigir
O momento de dar uma pausa na direção é, de fato, uma decisão que não pode ser padronizada. Depende diretamente da avaliação individual do obstetra e do conforto da gestante. Contudo, a orientação geral é de cautela máxima no último trimestre. “A partir das 36 semanas, não se recomendam trajetos longos ou que exijam manobras rápidas. Cada mulher deve avaliar com seu obstetra, considerando o tamanho da barriga, a capacidade dos reflexos e eventuais desconfortos”, pontua a médica.
A gestão dos sintomas da gravidez é crucial para a segurança no trânsito. O mal-estar, seja no primeiro ou no último trimestre, pode surgir a qualquer momento, exigindo que a grávida redobre a atenção. “Náuseas, tonturas ou sonolência ao volante comprometem a atenção e os reflexos, aumentando o risco de acidentes. A gestante deve evitar dirigir sozinha ou por trajetos muito longos, e planejar paradas frequentes é fundamental para garantir o bem-estar”, salienta a médica.
Viagens
Para a gestante, viagens de carro, especialmente as longas, exigem um planejamento cuidadoso para garantir o conforto e prevenir complicações. A principal preocupação é a imobilidade prolongada, que aumenta o risco de inchaço (edema) e, mais gravemente, de trombose venosa profunda (TVP). Nesse sentido, as recomendações são: “Fazer pausas a cada duas horas para caminhar, ativar a circulação e urinar, manter-se hidratada, usar roupas leves e confortáveis e levar lanches leves”, instrui.
Riscos
A segurança no trânsito durante a gestação é ameaçada por diversas alterações corporais. “Os riscos físicos que podem comprometer a segurança da mãe e do bebê incluem: dor abdominal, pélvica ou lombar, inchaços, fraquezas e redução de mobilidade”, expõe a médica.
Quando voltar a dirigir
Após o nascimento do bebê, o retorno ao volante exige paciência e, principalmente, liberação médica. Conforme Arielle, o prazo para voltar a dirigir varia amplamente, sendo geralmente estabelecido entre duas a seis semanas após o parto. “Dependendo da via de parto, da recuperação e da orientação médica individual”, explica.
Ela conta ainda que o tipo de parto pode influenciar no retorno ao volante:
- Pós-parto normal: se não houver dor, sangramento excessivo ou uso de medicações que causem sonolência, pode-se dirigir em 2 semanas;
- Pós-cesárea: recomenda-se aguardar cerca de 4 a 6 semanas, pois movimentos mais bruscos podem causar dor ou interferir no processo interno de cicatrização.
Após o nascimento do bebê, o estado emocional e mental da nova mãe é tão crucial quanto o físico para a segurança no volante. O período do puerpério, marcado por intensa adaptação, traz consigo sintomas que elevam o risco de acidentes. “Cansaço extremo, alterações hormonais e privação de sono podem afetar reflexos e concentração. Nesses casos, é mais seguro evitar dirigir até se sentir mais estável”, instrui Arielle.
Para observar se a mãe está apta a dirigir, outros pontos essenciais, segundo a médica, são: - Conseguir girar o tronco sem dor;
- Estar alerta e descansada;
- Não apresentar sangramento excessivo ou fraqueza.
Mensagem final
A segurança é a bússola para a gestante e para a puérpera. O princípio fundamental é claro: “A prioridade sempre é a segurança da mãe e do bebê. A gestante e a puérpera devem respeitar seus limites, e poder contar com uma rede de apoio nesses casos é essencial”, finaliza.