A saúde pública de Bento Gonçalves segue sendo tema de debate entre os moradores, refletindo uma realidade marcada por avanços pontuais e desafios persistentes
Após reclamações constantes realizadas por leitores do Semanário, foi realizada uma enquete nas redes sociais do Jornal. Nela os participaram respondendo à pergunta: “Você consegue marcar atendimento nos postos de saúde via telefone?”. O resultado revelou que 62,86% das pessoas disseram não conseguir
realizar o agendamento por telefone, enquanto 37,14% afirmaram que sim. O levantamento também convidou os participantes a avaliarem o sistema de saúde municipal, gerando comentários que evidenciam tanto críticas quanto elogios.
Entre os relatos, há queixas recorrentes sobre a dificuldade de acesso e a escassez de profissionais. Carlos Prade apontou problemas na Unidade Central, destacando que: “precisa de mais médicos. Quando são 8h30min já não tem mais fichas e são agendadas de uma semana para outra”. A crítica revela um cenário de sobrecarga e limitação na oferta de atendimentos, especialmente em horários de maior demanda.
Outro depoimento, de Eliane Follman, refere-se ao posto de saúde do bairro São Roque. A moradora avalia o atendimento como: “dentro do aceitável em comparação ao que se ouve falar de outros postos, mas com certeza tem muito a melhorar no geral, principalmente na área médica, que faltam profissionais especialistas”. Apesar das limitações, a mesma entrevistada reconhece o esforço da equipe de enfermagem, que faz o possível dentro da sua limitação.
Por outro lado, há registros de experiências positivas que demonstram o comprometimento de algumas equipes. Simone Framia, moradora atendida pela UBS de Faria Lemos, elogia o trabalho das profissionais da unidade: “As meninas da UBS de Faria Lemos são umas queridas. Com certeza elas fazem a diferença, pois se dependermos só do sistema… aí estamos perdidos”. A fala evidencia a importância do acolhimento humano no atendimento à população.
Sidinei Bombassaro, pertencente ao ESF Santa Marta, também compartilha uma visão favorável: “Somos muito bem atendidos, tanto por telefone como pessoalmente. As meninas que lá trabalham são super educadas, atenciosas, tiram nossas dúvidas e nos acolhem com carinho. A médica também é muito boa profissional e tem muita humanidade”, revela.

Retorno sobre as críticas
Diante das críticas e elogios, a Secretaria Municipal de Saúde, por meio da titular da pasta, Daiane Piuco, apresentou esclarecimentos sobre os principais pontos levantados pela população. Segundo ela, as dificuldades relatadas no agendamento telefônico decorrem, em parte, de fatores externos que afetam a infraestrutura de fibra óptica utilizada nas linhas. “Durante esses períodos de instabilidade, pode acontecer do aparelho indicar que está recebendo chamada, mas, na verdade, estar fora de operação”, explica. A secretária garantiu que tais situações são resolvidas dentro do prazo esperado.
Questionada sobre o controle de chamadas não atendidas, Daiane afirma que há registro dessas ocorrências e que a equipe técnica trabalha para minimizar os impactos. “Embora certas situações externas, como condições climáticas adversas ou queda de postes, estejam fora do nosso controle, permanecemos empenhados em agir com agilidade”, declara.
A respeito do direito ao agendamento por telefone, a secretária esclareceu que todos os usuários do SUS têm acesso a esse serviço, com exceção da unidade do Vila Nova, onde o agendamento é exclusivamente presencial. “Já estamos trabalhando para qualificar e aprimorar essa situação, buscando facilitar o acesso para toda a população”, afirma.
Sobre os horários de agendamentos, Daiane destaca que cada unidade possui suas particularidades e recomenda que os usuários entrem em contato diretamente com a unidade desejada. Quanto à quantidade de fichas disponíveis, informa que são ofertadas, por profissional médico, 10 consultas para idosos, hipertensos e diabéticos; 10 para atendimentos clínicos gerais; e 8 para gestantes e puérperas. Além disso, cada turno conta com 4 vagas para consultas do dia, avaliadas pela equipe de enfermagem conforme a gravidade da situação.
A secretária reconhece que a demanda é crescente e que há previsão de ampliação da oferta, com construção de novas unidades em bairros mais populosos. “Sabendo da necessidade da população, há previsão de ampliação e construção de novas unidades de saúde em bairros com maior densidade populacional”, afirma.
Para enfrentar a demora no agendamento, a Secretária informa que algumas unidades já receberam aumento na carga horária dos profissionais médicos e que há previsão de ampliação nas unidades São Roque, Central e São João. Sobre a possibilidade de canais alternativos para agendamento, como aplicativos ou plataformas online, ela explica que, embora exista comunicação via WhatsApp, o agendamento ainda não é realizado por esse meio devido à alta demanda. “Anteriormente, utilizamos uma central de atendimento para consultas, porém essa iniciativa não obteve sucesso, pois os usuários preferem manter um contato mais próximo e direto com a equipe da unidade”, conclui.