Num daqueles sábados onde o tédio vem atrapalhar o tão sonhado descanso, sobre a mesa resta esquecida a lista de compras do mercado, cujo precioso tempo sabático faz questão de gastar…
Lista… quantas listas nos passam pelas mãos nesta vida?
E em quantas outras sequer sabemos se lá estamos, já estivemos ou ainda haveremos de estar… sejam elas escritas ou não…
A vida, na sua forma mais extensa ou mais curta, é uma lista.
A propósito, nascemos e lá fomos para a primeira lista escrita dos nascidos em… deixa pra lá!
Logo mais, sem mesmo saber quem éramos, ainda que nos sentíssemos sequestrados daquele mundo só nosso – salvo se gêmeos – lá fomos nós, agora nomeados, descritos, escritos e, quem diria, na lista do cartório… mesmo sem dever nada!
Ainda pronunciando o nome com certa dificuldade ou dando os primeiros passos e hoje cada vez mais cedo, mesmo entre lágrimas e podendo até se sentir “abandonado”, lá estávamos nós, numa lista de presença, uma “troca” totalmente injusta pela ausência, em especial da mãe, embora logo mais iríamos cobrar-lhe negando a mão e adentrando a milhão a porta do que chamaríamos de escola.
De mãos dadas com o tempo e, como passa rápido, se meninas, sonhava-se com a lista de aniversário de 15 anos; se meninos, mesmo que por forte influência daquele amigo convidado – sim, também tínhamos “influencer” – rezava-se para entrar na lista, ou, então, a trépida “coragem” na tentativa, muitas vezes frustrada, de furar a festa…
Não necessariamente nessa ordem, segue-se a lista de aprovados no vestibular, lista de casamento, lista de chá de fraldas, listas, listas, foram sendo agregadas à nossa história, algumas sendo o sinal de nossa independência, de nossas conquistas, outras de nossas limitações e tantas sem qualquer valia.
Sim, as listas mudam, desaparecem, diminuem; olha lá aumentam, mas são poucas. As de remédios e consultas costumam “teimosamente” e, mesmo a contragosto, tomarem a dianteira…
Dentre tantas listas que o amarelado tempo, mas ainda com tinta, tende a nos riscar sem piedade, sequer lembrados, talvez, figuram as de festas, comemorações, brindes, pois começam a ficar raras.
Mas não há como deixar de falar da lista de AMIGOS… Aliás, na voz de Oswaldo Montenegro, sua música se tornou um hino em homenagem a esses seres que, por vezes, se tornam parte da família, irmãos de coração ou anjos sem asas, como preferirem, afinal, estão na sua lista.
Conhecidos, confundi-los como AMIGOS, talvez, beire a um pecado, cuja penitência quem paga é quem assim os elevou a tal conceito.
AMIGOS, muitos ficam pelo caminho, sem avisar ou mesmo não querendo perceber que as “malas” estão prontas, seguem sempre cedo para a última lista.
Afinal, a vida é uma lista, mas ligada por um fio.
Vamos em frente!