Apenas 14% dos professores brasileiros sentem que a profissão é valorizada pela sociedade, um dos índices mais baixos entre 53 países e regiões analisadas pela Talis (Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem), divulgada na noite desta segunda-feira, 6 de outubro, pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Entre os países membros da OCDE, 22% dos docentes afirmam se sentir reconhecidos. O índice brasileiro aparece como o nono mais baixo da lista, atrás de países como França, Eslováquia e Eslovênia, que registram menos de 8% de professores com essa percepção.

A pesquisa Talis, realizada desde 2008, ouviu mais de 280 mil professores e diretores de 17 mil escolas em 54 sistemas educacionais, permitindo comparações internacionais sobre condições de trabalho e docência.

O estudo aponta que a baixa percepção de valorização influencia negativamente o ensino. “Sistemas educacionais de alto desempenho frequentemente contam com muitos professores que se sentem valorizados, e há uma ligação positiva entre o prestígio social da profissão e o desempenho dos alunos”, diz o relatório.

Países com maior valorização social da docência apresentam desempenho destacado. É o caso de Singapura, país com melhor desempenho na última edição do Pisa, em que 71% dos professores afirmam se sentir valorizados pela sociedade.

Segundo o relatório, um status social mais elevado da profissão docente ajuda a atrair candidatos de alto calibre e a reter professores experientes, funcionando como um motivador extrínseco. Além disso, o estudo indica que um aumento de 1% no número de professores que se sentem valorizados está associado a um aumento de 1% nas chances de os alunos aspirarem a se tornar professores.