Uso de IA cresce entre estudantes, mas escolas ainda não oferecem orientação adequada
Uma pesquisa divulgada nesta terça-feira, 16, pelo Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade de Informação), ligado ao CGI.br, aponta que sete em cada dez alunos do ensino médio admitem usar ferramentas de inteligência artificial generativa para fazer trabalhos escolares. Apenas 32% dos estudantes relataram ter recebido orientação da escola sobre o uso dessas tecnologias.
Segundo os pesquisadores, os números indicam uma transformação acelerada nas atividades escolares, sem que haja uma mediação pedagógica adequada para o uso crítico de ferramentas como ChatGPT, Copilot e Gemini. É a primeira vez que o estudo traça um panorama do uso desses instrumentos pelos alunos.
O levantamento mostra que o uso da IA ocorre desde os primeiros anos escolares, mas se intensifica ao longo do tempo. Considerando todas as etapas de ensino, 74% dos estudantes afirmam usar buscadores para realizar atividades escolares e 72% utilizam canais de vídeo, com destaque para YouTube (95%), TikTok (66%) e Kwai (19%). Além disso, 88% mencionaram o WhatsApp e 71% o Instagram. O uso dessas plataformas é maior que o de sites como a Wikipedia, indicado por apenas 43% dos alunos.
“Os dados nos mostram como o processo de ensino e aprendizagem está passando por uma transformação acelerada, já que mais de dois terços dos alunos usam inteligência artificial e canais de vídeo para fazer as tarefas escolares. No entanto, não temos ainda uma mediação pedagógica estruturada para um uso crítico dessas ferramentas”, afirma Daniela Costa, coordenadora da pesquisa.
O estudo também revelou que apenas 32% dos alunos do ensino médio receberam orientação sobre como usar ferramentas de IA generativa nas atividades escolares, enquanto 65% receberam instruções sobre quais sites deveriam utilizar para as tarefas.
Em relação às etapas iniciais do ensino fundamental, 15% dos alunos do 1º ao 5º ano afirmaram ter usado essas ferramentas nos três meses anteriores à pesquisa. Entre os anos finais (6º ao 9º ano), a proporção sobe para 37%.
Foram realizadas 10.756 entrevistas em 1.023 escolas públicas e privadas de todo o país, envolvendo 954 gestores, 864 coordenadores pedagógicos, 1.462 professores e 7.476 alunos.
A pesquisa também identificou que canais de vídeo, como YouTube e TikTok, estão sendo usados quase tanto quanto sites de busca, como Google, para auxiliar nas tarefas escolares. Daniela Costa ressalta que é necessário que os educadores orientem os estudantes sobre os riscos dessas ferramentas, como informações incorretas, respostas enviesadas e as chamadas “alucinações” da IA.
Entre os professores, 54% disseram ter participado de alguma formação continuada sobre tecnologias digitais nos últimos 12 meses, sendo que 59% receberam cursos voltados ao uso de IA em atividades escolares e 61% sobre avaliação da veracidade de informações na internet.
“Não há um julgamento sobre o uso dessas ferramentas, se são boas ou ruins para o aprendizado. O que sabemos é que as escolas e professores ainda não estão preparados para lidar com elas, mas os alunos já estão usando. Sem orientação ou uso crítico, há riscos de que essas ferramentas interfiram significativamente na formação de toda uma geração”, conclui Costa.