Nos últimos anos, atividades físicas tradicionais, como musculação e caminhada, dominaram a rotina de quem busca saúde e bem-estar. No entanto, especialistas alertam para os riscos de seguir apenas tendências, sem considerar os interesses e as necessidades individuais. Essa diversidade abre espaço para que o exercício deixe de ser apenas uma obrigação e se torne uma experiência personalizada, divertida e realmente saudável.
Para a professora de educação física da Universidade de Caxias do Sul (UCS), Lisiane Reis, a busca por atividades físicas fora do convencional tem se intensificado nos últimos anos. “Beach tennis, crossfit, corrida de rua, yoga aéreo, pole dance e calistenia são modalidades que vêm ganhando destaque por oferecerem inovação, desafio e um forte aspecto social. O crescimento do beach tennis, por exemplo, evidencia como a combinação de um ambiente agradável, sociabilidade e praticidade consegue atrair um público cada vez maior”, observa.

Como escolher
Na hora de escolher uma atividade física, é comum surgir a dúvida sobre qual modalidade se encaixa melhor no dia a dia e nas necessidades de cada pessoa. A prática ideal deve levar em conta não apenas os objetivos individuais, como melhorar a saúde, emagrecer ou ganhar força, mas também fatores como rotina, preferências pessoais e possíveis limitações físicas.
Lisiane conta que não basta seguir as tendências, é importante levar em conta certos fatores na hora da escolha, como:
- Condição física atual, no que diz respeito à força, flexibilidade e às limitações;
- Preferência pessoal, pois muitas pessoas preferem atividades com desafios individuais, enquanto outras preferem a interação em grupos;
- Perfil psicológico, tendo em vista que algumas pessoas são mais competitivas e podem se engajar em esportes que envolvam ranking ou torneios, enquanto outras buscam o bem-estar;
- Objetivo, seja para emagrecimento, melhora da performance, saúde mental ou diversão.
Segundo a docente, o prazer é essencial para manter a motivação em qualquer atividade que a pessoa busca iniciar. “Não adianta escolher algo que seja inacessível financeiramente ou fisicamente inviável”, observa.
Outro aspecto a ser analisado é a logística do exercício. “Não basta gostar de uma modalidade se o local da prática for muito distante ou difícil de encaixar na rotina, pois a chance de desistência aumenta significativamente”, afirma Lisiane.
A escolha de um exercício física não deve se limitar apenas a questões de saúde ou condicionamento, mas também ao quanto ela desperta motivação no praticante. Atividades que geram prazer imediato e proporcionam sensação de evolução, como novas conquistas, habilidades ou vínculos sociais, tendem a manter a pessoa engajada por muito mais tempo.
Como saber se a atividade não é a mais adequada
Em alguns casos, o exercício escolhido pode não atender às expectativas, tornando necessário reavaliar as próprias necessidades. “É importante estar atento a alguns sinais, como a sensação frequente de frustração e desmotivação, dores recorrentes ou desconfortos físicos, além da dificuldade de adaptação ao grupo ou ao estilo da modalidade. O ambiente também exerce grande influência, já que o local deve transmitir bem-estar e tornar a prática mais prazerosa”, destaca.
Antes de partir para outro esporte, é importante que a pessoa se pergunte: “O que eu busco agora? Diversão, sociabilidade, melhora do condicionamento, melhor qualidade de vida, contato com a natureza?”. Isso ajuda a direcionar a escolha. Esse é o início para qualquer escolha”, frisa a docente.
Esportes coletivos ou individuais
Algumas pessoas têm dificuldade de interação com as demais, e por isso buscam esportes que podem ser realizados sozinhos. “Os indivíduos podem desenvolver autoconhecimento, disciplina e foco pessoal”, explica.
Já os coletivos podem proporcionar mais socialização e pertencimento a um ou mais grupos com objetivos em comum, o que pode estimular a persistência. “A escolha depende do que cada pessoa valoriza mais no momento de vida em que se encontra”, aconselha.
Lisiane sugere que, para encontrar seu esporte ideal, é necessário experimentar as modalidades. “Pode ser muito positivo, pois a experimentação permite quebrar preconceitos e ampliar horizontes. Muitas vezes, é por meio de algumas tentativas que a pessoa descobre o esporte ideal”, frisa.
Cuidados na prática
Mesmo quando já decidiu qual esporte praticar, a docente recomenda às pessoas procurarem um profissional de educação física para realizar uma avaliação. “Ele pode identificar limitações e riscos, fazer adaptações progressivas (sem pular etapas), utilizar equipamentos adequados (como o tênis de corrida), e respeitar o seu corpo e o tempo de recuperação”, esclarece.
Conselho
Lisiane destaca que, mais do que procurar uma atividade “da moda”, é fundamental enxergar a prática esportiva como uma forma de expressão pessoal e de autocuidado. “O ideal é que a prática não seja vista como uma obrigação, mas como um momento de prazer e bem-estar”, finaliza.