A Câmara Municipal de Bento Gonçalves, por meio da Comissão de Infraestrutura, Desenvolvimento e Bem-Estar Social, convidou a consultora de negócios da Rio Grande Energia (RGE), Laise Grzebieluckas, para uma reunião com os parlamentares.
A ocasião foi destinada a tratar de assuntos como as faturas de energia elétrica, a qualidade do serviço oferecido pela companhia e a remoção de fios. Estavam presentes o presidente da Comissão, Thiago Fabris (Progressistas), Joel Bolsonaro (PL, vice-presidente da Comissão), Letícia Bonassina (PL), Volmar Giordani (Republicanos), Duda Pompermayer (PP), Sidinei da Silva (PSDB), Moisés Scussel (MDB), Volnei Christofoli (PP) e Edson Rogério Biasi (PP). Além deles, esteve presente também o vereador Aldonei Machado (PSDB) de Caxias do Sul.
A Comissão de Infraestrutura, Desenvolvimento e Bem-Estar Social tem como integrantes, além de Fabris e Bolsonaro, Moisés Scussel (MDB), Sidinei da Silva (PSDB), Volmar Giordani (Republicanos) e Volnei Christofoli (Progressistas).

Aumento de faturas
Durante a reunião, os vereadores apresentaram questionamentos da comunidade, entre eles o aumento nas faturas de energia elétrica. Segundo Laise, diversos fatores explicam essa elevação. “O inverno deste ano foi um dos mais rigorosos dos últimos cinco anos. Além do frio intenso, nossa região possui a característica da forte nebulosidade. Essas condições alteram a rotina das pessoas e, consequentemente, os hábitos dentro de casa, o que resulta em maior consumo de energia”, explica.
Segundo ela, o chuveiro é um dos itens que mais gasta energia dentro de casa, sendo responsável por 35% do consumo total de uma fatura. Laise pontua que muitas vezes o cliente não se dá conta dos seus hábitos durante o inverno. “A gente acorda, liga a lâmpada, liga o ar condicionado, quem tem aquele aquecedor pequeno, que consome dois mil watts por hora de uso, liga na tomada, o chuveiro e aumenta bastante a temperatura”, exemplifica.
Portanto, se o cliente tiver dúvidas sobre a correta realização da leitura, deve entrar em contato pelos canais de atendimento da RGE. “Todas as solicitações feitas pelos clientes são analisadas com atenção, e sempre fornecemos o retorno adequado por meio dos canais oficiais”, ressalta.
Segundo Laise, antes da fatura mensal ser emitida, a empresa segue sete etapas de validação da leitura. “Quando o colaborador realiza a leitura no medidor da unidade consumidora e identifica qualquer alteração, seja para mais ou para menos, ele já precisa fotografar o medidor. Em seguida, deve confirmar se a imagem está nítida e digitar novamente o número registrado. A partir desse processo, os dados passam pelo faturamento e por novas conferências de validação”, explica.
Ela ressalta ainda que a RGE não tem controle sobre o uso da energia dentro das residências. “Muitas vezes, o cliente conecta vários aparelhos, como aquecedores, em uma mesma tomada, o que pode causar curto-circuito. Nesse caso, o eletricista costuma apenas refazer a conexão, mas o problema interno permanece para o próximo ciclo de consumo. Se a instalação da unidade não estiver em boas condições, isso pode resultar em aumento no gasto de energia. Outro exemplo é o uso de extensões de baixa qualidade, que podem provocar fuga de energia até o equipamento final”, observa.
Além disso, ela lembra que, em 2024, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) não aplicou o reajuste anual das tarifas em razão das catástrofes climáticas que atingiram o Rio Grande do Sul. “Neste ano, o aumento na conta de energia para a classe residencial ficou em torno de 14%”, destaca.
A consultora também explicou sobre o impacto das bandeiras tarifárias na conta de luz, destacando que elas são definidas pela ANEEL e válidas para todas as distribuidoras do país. “A partir de junho, tivemos a aplicação do patamar 2 da bandeira vermelha. Essa cobrança não é exclusiva da RGE, mas de todas as distribuidoras de energia elétrica. Durante o período em que a bandeira vermelha está em vigor, a cada 100 kWh consumidos há um acréscimo de aproximadamente R$ 7,70, o que influencia diretamente no valor final da fatura”, explica.

Compartilhamento de Estrutura
Outro ponto levantado pela consultora foi a dificuldade enfrentada pela RGE em relação às empresas de telefonia e o compartilhamento de cabos. Segundo ela, a situação traz riscos e também um impacto visual nas cidades. “Muitas vezes, os desligamentos da rede elétrica são ocasionados por instalações irregulares da telefonia. Há casos em que, durante uma manutenção, o técnico acaba jogando o cabo por cima da nossa rede, o que pode energizá-lo e provocar acidentes”, esclarece. A consultora reforçou que, além dos riscos de segurança, a questão estética é uma das principais reclamações da comunidade.
A atuação da distribuidora em relação aos cabos de telefonia instalados nos postes foi esclarecida na reunião. A RGE só pode realizar manutenção nesses cabos em situações de risco. Se houver intervenção sem risco imediato, a empresa pode ser autuada por furto. Nessas situações, a RGE notifica as empresas que possuem contrato regular. Já no caso das companhias sem contrato, a Prefeitura de Bento Gonçalves auxilia no encaminhamento das notificações para que cada uma ajuste corretamente seus cabos.
Laise reforçou ainda que a regulamentação determina que a responsabilidade pela regularização dos cabos é sempre do proprietário. A altura mínima da rede precisa ser respeitada: a fiação de energia elétrica deve estar a, pelo menos, 5,5 metros do solo, enquanto os cabos de telefonia ficam em torno de 5 metros. A consultora alertou que acidentes envolvendo veículos pesados, como caminhões e retroescavadeiras, que ultrapassam a altura regulamentada, podem acabar rompendo os cabos.
Quando acidentes com cabos e postes causam danos, foi detalhado de que forma a distribuidora atua. “Nessas situações, nossa equipe corta os cabos danificados, sinaliza a via, substitui o poste e organiza tudo novamente. Também registramos fotos para documentar a situação. Frequentemente, a equipe da telefonia precisa remover cabos emaranhados, alças e conexões improvisadas, o que deixa a estrutura bastante desorganizada”, detalha.

Teste a ser realizado para quem está com dúvidas sobre sua fatura
Durante a reunião, a consultora também apresentou uma forma simples para que os clientes possam identificar possíveis fugas de energia em suas instalações, que podem impactar diretamente no valor da fatura. “O teste é bastante simples: desligue todos os equipamentos da casa como geladeira, freezer, tv e outros, aguarde cerca de 15 minutos e observe o medidor. Se for do modelo com luz, e a luz continuar piscando, significa que há fuga de energia. Já no medidor mais antigo, de disco, se ele continuar girando mesmo sem nenhum aparelho ligado, também indica fuga. Nesses casos, é fundamental que o cliente procure um eletricista para verificar as instalações internas e evitar que esse problema cause aumento de consumo em outras épocas do ano”, orienta.

Não conseguiu fazer a leitura ?
Quando a leitura do medidor não pode ser feita no ciclo habitual, Laise explicou como ocorre a cobrança. “Em prédios, muitas vezes encontramos tags ou dispositivos de acesso que não conseguimos utilizar durante o nosso ciclo de faturamento. Nesses casos, se a leitura não é realizada por vários ciclos e depois que conseguimos acessá-la, pode haver acúmulo na cobrança”, detalha.
Também foi esclarecida a distinção entre cidade e campo. “Em áreas rurais, adotamos o faturamento plurimensal: a leitura é feita a cada três meses. Nos meses em que não há leitura, a conta é calculada pela média do consumo dos últimos 12 meses. Quando finalmente realizamos a leitura, se o consumo foi maior que a média, o valor é ajustado para cima; se foi menor, é ajustado para baixo. Nas áreas urbanas, funciona de forma semelhante, mas há um detalhe importante: após seis ciclos de faturamento por média, passamos a cobrar o custo de disponibilidade, que corresponde à taxa mínima. Nesse caso, quando conseguimos fazer a leitura, os valores podem vir acumulados, e essa é a exceção dentro do sistema de faturamento”, esclarece.
Os clientes que têm o aplicativo da CPFL Energia no celular podem acompanhar sua fatura de energia e o histórico de consumo. “Se houver dificuldade de acesso à unidade, o cliente pode nos enviar a leitura por meio do aplicativo, garantindo que o faturamento seja mais preciso”, finaliza.