Associação dos Deficientes Visuais de Bento Gonçalves participa da rede de Proteção Social Básica do município

Fundada oficialmente em 14 de maio de 1987, a Associação dos Deficientes Visuais de Bento Gonçalves (ADVBG) consolidou-se como referência no atendimento e na defesa dos direitos das pessoas cegas e com baixa visão. “É um local de acolhimento, de escuta e de orientação especializada que garantem aos deficientes visuais o suporte individual e coletivo. Mais do que um ponto de apoio, a ADVBG é um espaço de construção de identidade. Ao reconhecer e valorizar as potencialidades de cada pessoa, ela promove o sentimento de pertencimento, a autoestima e o orgulho de ser quem são, rompendo barreiras atitudinais e culturais”, afirma a assistente social Ivani Casagrande.

Origem de um movimento coletivo

A semente da ADVBG foi plantada em novembro de 1983, quando um grupo de deficientes visuais se reuniu em um jantar para discutir integração social e educação como ferramenta de transformação. Com o apoio da Associação de Cegos do Rio Grande do Sul (ACERGS), a proposta foi ganhando força até se tornar realidade em 1987, com a aprovação do primeiro estatuto. “Nessa ocasião foi criado o Núcleo de Deficientes Visuais de Bento Gonçalves, ainda sem personalidade jurídica. A proposta foi ganhando força e a cada novo encontro o grupo ia crescendo, pois novos deficientes apareciam para engajar-se na causa. Os encontros serviam como oportunidades para a discussão de problemas e dificuldades comuns aos participantes, mas as propostas de trabalho ainda estavam no campo das ideias”, recorda Eloisa Morassutti, vice-presidente e coordenadora.

Segundo ela, o envolvimento de muitas pessoas como Darci Bertani, Heitor Provensi, Alcides Sperotto, João Luiz Menegotto e Volmir Raimondi e das professoras Ethel Selbach, Clarisse Galiazzi, Sandra Mara Marodin, Élide Cortese Pértile, Rosali Faccio Fornazier, Margarete Zorrer Massolini, Elisabete Zorrer Segatto e Sueli Lovera Scotton foi importantíssimo para o crescimento da ADVBG, que hoje presta serviços há mais de 38 anos. O atual presidente da entidade é Cleiton de Andrade.

Associação realiza oficina de canto com ensaios semanais

Atendimento e estrutura

Atualmente, a associação possui mais de 160 pessoas com deficiência visual cadastradas. “Destes, mais de 40 utilizam regularmente os serviços e participam dos projetos ofertados pela entidade. São pessoas cegas ou com baixa visão, jovens, adultos, idosos e seus familiares”, explica a assistente social.

Segundo Ivani, a ADVBG funciona de forma integrada. Além da diretoria e conselhos deliberativo e fiscal, a equipe da associação é formada por voluntários e técnicas contratadas. “A ADVBG conta com diferentes perfis profissionais e colaboradores, combinando funções técnicas, administrativas e voluntárias, para atender as demandas das pessoas com deficiência visual e para executar os projetos da entidade. Sua Diretoria é composta por presidente, vice-presidente, secretária e tesoureiro, todos voluntários eleitos entre os associados, responsáveis pela gestão e representação institucional. “Conta comigo, assistente social que atua no acolhimento e acompanhamento dos usuários, na articulação com a rede de serviços e na elaboração e desenvolvimento de projetos sociais, assim como na captação de recursos para garantir a oferta de serviços essenciais a seu público”, conta.

Os voluntários apoiam em diversas áreas, como nas atividades de lazer, em eventos, nas oficinas e no cuidado e distribuição de lanches. E por fim, há prestadores de serviços especializados, como educador físico, instrutora de canto, terapeuta ocupacional, conforme a demanda. Os projetos são frutos de parcerias com o poder público e a iniciativa privada.

Projetos e atividades

As ações da ADVBG vão desde habilitação e reabilitação até atividades culturais, esportivas e de lazer. “Ensinamos o Braille, trabalhamos a mobilidade com a bengala, oferecemos informática acessível, estimulamos a prática de atividades da vida diária, como cozinhar e limpar; o uso do dinheiro, treino de assinatura, entre outras. Também temos oficinas de canto, passeios culturais inclusivos e atividades físicas adaptadas”, detalha Ivani.

A associação também se preocupa em informar a comunidade. “A entidade promove campanhas e atividades de conscientização sobre a deficiência visual na comunidade e, principalmente, nas escolas. Participamos de conselhos municipais ligados à pessoa com deficiência, à pessoa idosa e assistência social. Distribuímos ou emprestamos equipamentos e materiais adaptados, sempre acompanhados de orientação quanto ao uso adequado dos mesmos. Atuamos regularmente junto às instâncias do Poder Público para propor e garantir políticas públicas de inclusão e também há campanhas para a coleta de tampinhas plásticas, como fonte de recursos e para a preservação do meio ambiente”, destaca.

Avanços e desafios

Nos últimos anos, o município conquistou alguns avanços, como a primeira praça adaptada no bairro Progresso, com piso tátil e brinquedos adaptados; a lei de isenção da tarifa de transporte urbano para pessoas com deficiência e renda de até dois salários mínimos, além da criação do mapa tátil no campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS) e de um guia de acessibilidade no enoturismo.

Apesar disso, os desafios ainda são grandes. “Se observa o piso tátil danificado e mal posicionado, com interrupções e obstáculos sobre eles; um comércio sem preparo para atender a qualquer deficiência; postes, containers, galhos interrompendo a livre circulação e, sobretudo, a falta de empatia da população para com qualquer deficiência. Bento Gonçalves ressente-se da falta de campanhas de conscientização e esclarecimentos sobre a temática da deficiência e a garantia dos direitos de todos os cidadãos, especialmente dos ‘invisibilizados’, assim como a falta de investimentos públicos em acessibilidade como um todo”, ressalta.

Metas e mobilização

De acordo com Ivani, a meta da associação é ampliar e qualificar os atendimentos, alcançando cada vez mais pessoas que precisam de apoio. “Queremos intensificar nossas parcerias, tanto públicas quanto privadas, fazer uma busca ativa para chegar até quem ainda não conhece nosso trabalho e aumentar e qualificar nossa estrutura administrativa. Além disso, precisamos mobilizar a comunidade para compreender que acessibilidade é um direito”, salienta.

A população pode colaborar participando de eventos, atuando no voluntariado, doando tampinhas plásticas ou contribuindo financeiramente. “Para contribuições financeiras disponibilizamos a conta bancária da entidade, no SICREDI, Agência 0167, Conta 38901.6. O Chá Beneficente também vai ser realizado no próximo dia 14 de setembro, no salão da comunidade do Bairro Cohab II”, conclui.