A vida, curiosamente, parece se organizar em tríades. O mundo inteiro parece dançar nesse compasso de três, como se a existência encontrasse seu equilíbrio num tripé invisível. O tempo, por exemplo, nunca se apresenta sozinho. Carregamos o passado na memória, vivemos o presente com intensidade e sonhamos o futuro que nos chama. A saudade nos ancora, a consciência nos sustenta e a esperança nos impulsiona.
O dia também obedece a esse ritmo: manhã, tarde e noite. A manhã traz a promessa dos começos; a tarde, a urgência do movimento; a noite, o silêncio do descanso. Até o relógio, guardião de nossas horas, insiste nessa lógica: segundos, minutos, horas.
Na esfera do sagrado, a tríade se manifesta como símbolo maior. O catolicismo traz o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Na esfera do sagrado, encontramos outra tríade poderosa: Maria, Jesus e José. A família de Nazaré é símbolo de afeto, proteção e missão. Juntos, formam um núcleo de sentido, de onde emana uma lição de fé, equilíbrio e unidade. Outras culturas também reconhecem o número três como representação do divino — talvez porque três seja o mínimo capaz de romper a dualidade e, ao mesmo tempo, o suficiente para estabelecer equilíbrio.
Na gestão, não é diferente. Um líder precisa cultivar três olhares: para dentro, atento à equipe e ao clima; para fora, sensível às demandas do mundo; e para si, em autocrítica e coerência. Sem essa tríade, corre-se o risco de se perder entre vaidade e pressa.
Até as histórias que ouvimos quando crianças ecoam esse compasso: os três porquinhos, os três mosqueteiros, as três provas do herói. É como se a humanidade tivesse aprendido, desde cedo, que a vida se constrói não no extremo, mas na soma.
A tríade também está inscrita nos ciclos mais essenciais da existência: nascer, crescer e morrer. Cada fase guarda sua beleza: o nascimento como milagre, o crescimento como transformação, a morte como passagem que ressignifica tudo.
No amor, seguimos três degraus: namorar, noivar, casar. Na arte, as cores primárias — vermelho, azul e amarelo — sustentam o universo cromático. Na política, os três poderes equilibram a democracia. Em tudo, o número três parece nos lembrar que o equilíbrio não está em escolher um lado, mas em construir síntese.
Dois polos sempre podem se opor: luz e sombra, eu e o outro, começo e fim. Mas quando surge o terceiro elemento, nasce o diálogo, o caminho do meio, a ponte que sustenta o percurso.
Três não é apenas número. É princípio. É compasso. É linguagem silenciosa do universo. É o lembrete de que não somos feitos de metades, mas de encontros.
E talvez seja esse o grande mistério: a vida não se realiza no “ou”, mas no “e”. Não é apenas o que já foi, nem só o que é, nem apenas o que virá. É a soma de tudo isso.
A vida é sempre tríade. E é nesse três que ela encontra plenitude.