A festividade, realizada neste domingo, reuniu devotos, festeiros e voluntários em uma programação marcada por missa celebrada pelo pároco Moacir Canal, almoço comunitário e confraternização
A Paróquia São Roque realizou neste domingo, 17, a 69ª edição da sua tradicional festa, reunindo fé, devoção, confraternização e muito trabalho voluntário. A programação teve início com a missa festiva, celebrada pelos padres Ademar Pelegrini e Moacir Canal, pároco da São Roque, às 10h30. Ao meio-dia, centenas de pessoas se reuniram para o almoço comunitário, que contou com pratos típicos preparados por dezenas de mãos solidárias.
A festa mobiliza as 19 comunidades pertencentes à paróquia e é organizada por casais festeiros que assumem a responsabilidade de coordenar todas as etapas: André Bregalda e Daiane Anderle; Donal Zilio e Neide Toniolo; Junior Bianchet e Kétlin Négri; Sidinei Perondi e Claudia Salini; e Zair Boscaini e Hélia Sgarbi Boscaini. Representando as famílias, os festeirinhos Anna Beatriz, Pedro e Vitor Hugo também participam das homenagens.
Durante o almoço, os participantes concorreram ao tradicional “rifão” de cestas e à rifa principal, que este ano entregou como primeiro prêmio uma moto CG 160 Fan. Entre os demais prêmios estavam uma TV de 40 polegadas, dois conjuntos de mesa com quatro cadeiras e um fogão de cinco bocas.
Fé que mobiliza 19 comunidades



O padre Canal ressalta que a festa acompanha a trajetória da paróquia desde sua fundação, sendo um reflexo da união das comunidades. “São 69 edições desde a fundação; como todos os anos, vemos muita participação e bom envolvimento”, declara o pároco. Ele acrescenta que a celebração não é resultado do trabalho de poucos, mas sim da soma de forças. “Uma festa não se faz sozinha; os casais festeiros puxam à frente e nos ajudam muito, mas há a colaboração de tantas pessoas. É momento de fé, mas também de encontro social, de fraternidade e confraternização”, afirma.
Em sua explicação sobre a devoção ao padroeiro, o sacerdote aprofunda o sentido da espiritualidade que move a comunidade. Ele lembra que São Roque, conhecido pela solidariedade com os enfermos, vive há quase mil anos e dedicou a vida aos doentes durante a Peste Negra. “Pedimos por saúde e por todos que cuidam, médicos, equipes de hospitais e cuidadores”, explica Canal. Ele também retoma o simbolismo do cachorro presente na imagem do santo. “Quando São Roque adoece, retira-se ao mato e um cão passa a levar pão para ele; por isso o animal aparece com o pão na boca”, comenta.
Ao refletir sobre a responsabilidade de estar à frente de uma das festas mais tradicionais da cidade, o pároco reforça a importância do envolvimento coletivo. “É compromisso e responsabilidade, mas não fazemos nada sozinhos. Envolvemos todas as comunidades: é uma festa paroquial. Essa ajuda dá ânimo para seguir e fazer, a cada edição, a Festa de São Roque”, enfatiza.
No final da celebração, ele deixa uma mensagem de esperança aos fiéis. “Desejo que, pela intercessão de São Roque, todos tenham saúde, talvez o mais importante. Busquemos o cuidado e contemos com a graça de Deus, que nos ajuda a prosseguir com esperança e ânimo”, abençoa.
Bastidores

Muito antes de os primeiros convidados chegarem, uma equipe de voluntárias já se dedica intensamente nos bastidores da festa. A cozinheira voluntária Maria Cimadon, que participa há mais de 13 anos, descreve a rotina exaustiva, mas recompensadora. “Viemos às duas da manhã para acender o fogão e cozinhar batata e capeletti. É uma equipe de cerca de 15 mulheres e mais uma cozinheira. Ontem cheguei às 7h30 e fui embora às 17h”, relata.
Ela acrescenta que coordenar um grupo formado, em grande parte, por pessoas mais idosas exige organização e sensibilidade. “É preciso ter jogo de cintura para esquematizar os turnos e fazer tudo acontecer”, explica. Para Maria, entretanto, o segredo da festa está no prato indispensável. “Não pode faltar capeletti: foram 62 quilos nesta edição”, revela. Com devoção, ela também faz questão de compartilhar um testemunho de fé pessoal: “Passei por muita coisa e São Roque sempre me ajuda. A intervenção dele foi divina”, afirma.
A festeira Daiane Anderle também detalha o processo de organização, que vai muito além do domingo festivo. “Desde que recebemos a missão, iniciamos reuniões para entender como tudo aconteceria. Ao longo do ano, nos reunimos com o padre para organizar desde a compra dos alimentos até quem cuida das leituras e das mensagens à comunidade e aos novos festeiros. Pensamos em todos os detalhes”, explica.
Ela acrescenta que a missão mobiliza a vida pessoal e envolve toda a família. “Muitas vezes abrimos mão do convívio para nos doar à comunidade. É gratificante ver a grandeza da Paróquia São Roque unida em uma festa tão importante”, afirma. Com emoção, lembra ainda da ligação familiar com a paróquia: “Meus pais se casaram nesta igreja, meus avós sempre foram devotos e ajudaram na comunidade. Ter uma neta festeira é motivo de orgulho para todos”, completa.
Anúncio dos festeiros

Um dos momentos mais aguardados da festa é o anúncio dos novos responsáveis pela organização do evento. Neste ano, a Paróquia apresentou os festeiros de 2026, entre eles, Carlos Alberto Ferreira de Jesus e Lúcia de Fátima Amarante Chaves de Jesus; Alberto e Marlove Alessi; André e Deise De Mari; Fernando e Tatiana Lazzarotto Mejolaro, junto com o festeirinho Arthur, e mais um casal que não pode estar presente. “É uma honra. Estamos com aquele friozinho na barriga, mas vamos levar a festa com humildade, como São Roque nos representa”, diz Tatiane, festeira e nova moradora do bairro São Roque.
Deise, por sua vez, reforça a alegria de assumir o compromisso. “É uma experiência muito boa. Acreditamos que será muito legal, com grande participação”, afirma. Segundo ela, o convite chega como uma surpresa, mas também como uma oportunidade de fortalecer laços: “Vamos conhecer muitas comunidades”, projeta.
Devotos

A Festa de São Roque também é marcada pela emoção e pelos testemunhos de fé de quem participa ano após ano. Para muitos devotos, o evento é mais do que uma tradição: é parte da história familiar, um elo de memória e espiritualidade que atravessa gerações.
Sandra Ficagna Pedrotti relembra que sua ligação com a paróquia vem desde a infância, e que até hoje guarda lembranças afetivas das celebrações. “Meus pais casaram na Igreja Matriz de São Roque, desde pequena sempre participamos em família das celebrações e, sempre que possível, das festas”, afirma. Ela recorda, com carinho especial, a experiência de ter sido festeira em 2015. “Foi uma alegria participar da organização, dos encontros e das visitas nas comunidades. A união, a acolhida e a fé foram tão fortes que vou levar para sempre em meu coração”, declara.
Sandra ressalta ainda que a festa tem um significado espiritual profundo. “A Festa de São Roque simboliza um caminhar constante de preparação, da presença e da luz de Deus que nos ilumina. É um tempo de renovação da fé em nossa vida, lembrando o exemplo de São Roque, que dedicou amor aos doentes e nos ensina a perseverar sempre como peregrinos da esperança”, explica. Para ela, cada edição é motivo de celebração e encontro. “Neste ano, foi uma festa linda, preparada com muito carinho. A missa, o almoço, os brindes e a rifa foram momentos de emoção, lembranças e reencontro com os amigos”, relata.
Já para o agricultor Valdecir Bellé, a Festa de São Roque tem um valor que vai além do religioso, tornando-se também parte do patrimônio cultural de Bento Gonçalves. “Participo da festa desde jovem, sempre que posso. Como uma das três principais celebrações da Igreja Católica de Bento, ao lado da Festa de Santo Antônio e da Cristo Rei, ela já faz parte da nossa cultura e da história do município”, declara.
Ao refletir sobre a devoção ao padroeiro, ele destaca o legado de São Roque como inspiração. “A gente vê a história dele, que abriu mão de sua fortuna para se dedicar aos pobres, aos necessitados e aos doentes. É conhecido como o santo dos enfermeiros e dos médicos, aquele que cura, e isso nos fortalece até hoje”, comenta.
Bellé também enfatiza a qualidade da festa neste ano. “Tudo foi muito bem organizado, desde as visitas às comunidades até a celebração, a rifa e o cardápio do almoço. Cada ano parece melhor que o outro”, elogia. Para ele, manter essa tradição viva é um compromisso coletivo. “Quero parabenizar todos os envolvidos. É importante seguir em frente e não deixar que esse legado das festas e das comunidades se perca no tempo”, conclui.
Tradição que se renova
A cada edição, a Festa de São Roque reafirma o espírito comunitário que une fé, dedicação e celebração da cultura local. Para o pároco Canal, é uma experiência que ultrapassa a esfera religiosa e se torna um elo social. “Quem tem saúde tem tudo. Busquemos o cuidado e sigamos com esperança”, declara ao final, agradecendo à comunidade pelo envolvimento.
O calendário da paróquia segue com o tradicional bingo, marcado para 10 de outubro, prolongando o clima de união e celebração que a festa traz a cada ano.