O sobrevivente Jailson dos Santos Gomes, 20 anos, afirmou em depoimento à Polícia Civil que o carro em que estava com outros quatro militares trafegava a 140 km/h no momento do acidente que deixou três soldados mortos na BR-116, em São Leopoldo, no Vale dos Sinos, na madrugada de quarta-feira, 13. Segundo o jovem, eles estavam atrasados para uma solenidade do Exército.
De acordo com o delegado André Serrão, responsável pelo caso, Jailson contou que o grupo saiu mais tarde do que o planejado devido ao atraso de um dos integrantes. Eles vinham de Campo Bom e se dirigiam ao 18º Batalhão de Infantaria de Sapucaia do Sul, onde prestavam serviço militar, quando o veículo colidiu contra a mureta central da rodovia. O acidente ocorreu por volta das 3h45min.
O horário de apresentação dos soldados no batalhão para o evento estava marcado para as 4h30min, segundo a polícia. Inicialmente, falou-se em formatura, mas o termo é usado internamente para se referir a solenidades da corporação em geral. O Exército informou que, em casos como este, com atividades marcadas no início da manhã, os militares podem optar por dormir no batalhão. No entanto, os cinco envolvidos estavam entre a minoria que preferiu voltar para casa e retornar de madrugada.
O evento em questão era a Passagem de Comando do Comando Militar do Sul, que reuniu tropas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Para participar, os soldados deveriam estar em Sapucaia do Sul até as 4h30min, realizar um treinamento e, em seguida, se deslocar até o 3° Regimento de Cavalaria de Guarda, em Porto Alegre.
Ainda conforme o depoimento de Jailson, nenhum dos ocupantes, incluindo o motorista Eduardo Hoffmeister, 19 anos, havia consumido bebida alcoólica. Apesar da suspeita inicial de homicídio culposo, a causa do acidente só será confirmada após exames periciais.
Jailson e o outro sobrevivente, Leopoldo dos Santos Staudt, 19 anos, permanecem internados no Hospital Centenário, em São Leopoldo, em estado estável e conscientes, sem risco de vida. Ambos passaram por cirurgias ainda na quarta-feira. O depoimento de Leopoldo será colhido apenas após sua alta, para evitar desgaste durante a recuperação.
Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS