A Itália é um país que respira esportes, e essa paixão está presente em cada esquina, desde as ruas movimentadas até os imponentes estádios que abrigam algumas das maiores equipes do mundo.
O futebol, conhecido como calcio na terra da bota, é o esporte que domina os corações dos italianos, com clubes históricos como Juventus, Milan, Inter de Milão, Roma e Napoli, que não só encantam os torcedores locais, mas também conquistam fãs em todo o mundo. A história do calcio começou no final do século XIX, quando comerciantes britânicos o trouxeram para as terras italianas. Desde então, uma paixão avassaladora pelo esporte varreu o país, unindo gerações e regiões na celebração do jogo. Antes ainda, Na Itália Medieval apareceu um jogo denominado gioco del calcio. Era praticado em praças e os 27 jogadores de cada equipe, divididos em 4 setores: três zagueiros recuados, quatro zagueiros avançados, cinco médios e quinze atacantes. O objetivo era levar a bola até os dois postes que ficavam nos dois cantos extremos da praça, com apenas um pontinho a partida já era encerrada. A violência era muito comum, pois os participantes levavam para campo seus problemas causados, principalmente por questões sociais típicas da época medieval. Era um esporte para os nobres de Florença e Siena e combinava elementos de futebol, rúgbi e até luta livre. Era mais do que um jogo; era uma celebração da força, da estratégia e da habilidade.

O barulho, a desorganização e a violência eram tão grandes que o rei Eduardo II teve que decretar uma lei proibindo a prática do jogo, condenando a prisão aos praticantes. Porém, o jogo não terminou, pois integrantes da nobreza criaram um nova versão dele com regras que não permitiam a violência. Nesta nova versão, cerca de doze juízes deveriam fazer cumprir as regras do jogo.
Já na Inglaterra, o futebol não era visto com bons olhos pelas autoridades por ser um esporte muito violento. Em 1313, uma lei proibiu o jogo em Londres, alegando causar muita bagunça na cidade. Além disso, ele poderia desviar a atenção dos soldados dos esportes relacionados aos treinamentos militares, como a esgrima, o arco-e-flecha e o arremesso de lança.
É claro que os ingleses não conseguiram ficar muito tempo sem o futebol e, assim, o esporte foi sendo modificado para tornar-se menos agressivo. Finalmente em 1660, o rei inglês Carlos II permitiu a volta do futebol, para a alegria de todos.
No início do século 19, Thomas Arnold incluiu a prática de esportes no currículo universitário da Inglaterra, e é claro que o futebol não podia ficar de fora. Em 1843, um grupo de estudantes de medicina criou o primeiro time de futebol fora das universidades: o Guy’s Hospital Football Club.
Lentamente, clubes de futebol são formados ao longo do tempo e torcedores começam a se formar em cada canto da terra italiana.
Primeiro clube italiano
O Genoa Cricket and Football Club (ou apenas Génova), fundado em 1893, é considerado o clube mais antigo da Itália e foi um dos pioneiros, na prática do esporte.
Inicialmente o objetivo era puro prazer. Com isso, há o nascimento da FIF (Federação Italiana de Futebol) em 1898. Mais tarde se tornou a FIGC (Federação Italiana de Futebol) reformulada, que serviu de alavanca para o primeiro campeonato italiano, que durou apenas um dia e contou com quatro equipes em competição: Génova, Torino FCC, Torino ginástica (secção de estudantes) e Internazionale Torino.
Seleção italiana
A seleção italiana de futebol, conhecida como “Azzurri” devido à cor azul de suas camisas, conquistou quatro Copas do Mundo da FIFA, nos anos de 1934, 1938, 1982 e 2006. Essas vitórias marcaram momentos históricos para o futebol italiano e trouxeram grande orgulho para o país.
Clubes brasileiros com influência de italianos
Se a ligação da Itália com clubes como Palmeiras, Cruzeiro e Juventus já é bastante conhecida, a influência dos imigrantes vai muito além e está presente em times que não costumam ser associados
É o caso do Corinthians, arquirrival do Palmeiras e que teve 13 italianos entre seus fundadores em 1910, no bairro paulistano do Bom Retiro, onde a população era predominantemente imigrante nas duas primeiras décadas do século passado.
Hoje o mais popular de São Paulo, o time foi criado por grupos sociais marginalizados em um esporte então reservado às elites, como operários e imigrantes, e seus dois primeiros presidentes eram italianos: o alfaiate Miguel Battaglia e o fundidor Alexandre Magnani. Também era da Itália o autor do primeiro gol na história do alvinegro paulista, Luigi Fabbi, um imigrante de San Secondo Parmense, na Emilia-Romagna.
O Corinthians, no entanto, nunca propagou essa “italianidade”, que quatro anos depois apareceria na fundação do Palestra Itália, o atual Palmeiras.
Na contramão do alvinegro, o Juventude, clube centenário de Caxias do Sul, lançou até uma camisa para celebrar a influência da colonização italiana na região, em homenagem aos 150 anos da imigração.
De volta a São Paulo, há uma série de clubes fundados com a ajuda de famílias italianas, como Associação Atlética das Palmeiras (Salerno), Paulistano (Stilitano) e São Paulo Railway (Fornasari).
Primeiro clube
Palestra Italia é um nome criado em 26 de agosto de 1914, na cidade de São Paulo, pelo imigrante italiano Luigi Cervo, no ato da fundação do clube esportivo hoje conhecido como Sociedade Esportiva Palmeiras. Na década seguinte ao seu surgimento, esse nome foi também adotado por outros clubes do futebol brasileiro, dentre os quais, o Cruzeiro Esporte Clube, de Belo Horizonte. A palavra Palestra, de origem grega, significa em tradução livre da língua italiana “academia ou escola onde se pratica atividades físicas”.
O clube poderia ter sido fundado no dia 19 de agosto, mas não houve acordo com relação às diretrizes da instituição
Em Bento Gonçalves
Os jovens da recém formada cidade de Bento Gonçalves praticavam futebol aos finais de semana, jogando em campos improvisados, terrenos baldios, ou locais cedidos por alguma família, espalhados por diferentes zonas da cidade. A cidade já possuía alguns times amadores, os principais eram São Luiz, Canto-Fura, Liberal e Caramuru. Por serem amadores, estes clubes não tinham consistência para enfrentar igualmente agremiações das cidades vizinhas de Caxias do Sul, Garibaldi, Carlos Barbosa, Alfredo Chaves, Prata e Montenegro. Com a ideia de representar a cidade em competições intermunicipais, Leonardo Carlucci lançou a ideia de fundar um clube que pudesse tomar parte nas competições intermunicipais. A sugestão foi aprovada por todos e foi criado o clube em 1919, que a princípio chamava-se “Club Sportivo Bento Gonçalves”, afirmando a forte influência italiana. A iniciativa da criação do clube partiu de 33 sócios fundadores.
Influência de descendentes
O apelido do S.E.R Caxias é Bepe, em referência à colônia italiana e nesse idioma significa garoto.
O Caxias foi fundado em 10 de abril de 1935, numa fusão dos clubes Rio Branco e Ruy Barbosa, com o nome de Grêmio Esportivo Flamengo e tem forte influência de descendentes de italianos.
Já o Internacional também foi fundado por descendentes de italianos: os irmãos Henrique Poppe Leão, José Eduardo Poppe e Luiz Madeira Poppe. O nome internacional foi escolhido para refletir a ideia de um clube que acolhesse pessoas de diferentes nacionalidades, em contraste com a tendência de clubes mais elitistas na época. Portanto, a fundação do Internacional foi um ato de brasileiros, com a participação de descendentes de imigrantes italianos, buscando criar um clube mais democrático e aberto à participação de todos.
Outros clubes fundados por italianos, no entanto, deixaram de existir ao longo do tempo, como Savoia Futebol Clube (PR), que, após uma série de fusões, ajudaria a dar origem ao Paraná Clube, Clube Atlético Votorantim (SP) e o Yale Athletic Clube (MG).