A Vida Secreta das Formigas é uma idealização da aluna do IFRS, Maria Carolina Basso Rodiguero, com orientação da professora Aline Nondillo

No Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) – Campus Bento Gonçalves, um pequeno ser tem inspirado uma grande transformação. O projeto A Vida Secreta das Formigas, idealizado por Maria Carolina Basso Rodiguero, de 19 anos, estudante e pesquisadora, vem mostrando que até os menores habitantes da natureza podem ensinar lições valiosas sobre biodiversidade, sustentabilidade e ciência.
A iniciativa nasceu da inquietação diante do desconhecimento generalizado sobre as formigas – criaturas que, embora presentes em praticamente todos os ecossistemas do planeta, ainda são vistas majoritariamente como pragas. “A ideia surgiu ao perceber que, mesmo sendo um dos grupos mais diversos entre os insetos sociais e com papéis ecológicos fundamentais, as formigas continuam sendo pouco compreendidas pela maioria das pessoas”, explica Maria Carolina.

Ideia surgiu a partir da observação das formigas

Formigas cortadeiras: vilãs ou aliadas?

O projeto foca especialmente nas formigas cortadeiras, como as saúvas (Atta) e quenquéns (Acromyrmex), frequentemente associadas a prejuízos na agricultura. A proposta, no entanto, é ressignificar essa visão. “Elas são importantes para o ecossistema, ajudam na aeração do solo e na reciclagem de matéria orgânica. Mas, quando em excesso em áreas de cultivo, podem sim causar danos, o que exige um manejo adequado – e não a eliminação indiscriminada com agrotóxicos”, defende a idealizadora.
Por meio de visitas ao observatório de formigas do IFRS, palestras e atividades educativas, o projeto busca mostrar que nem toda formiga é praga, e que o uso de inseticidas deve ser feito com critério. A abordagem é científica, mas acessível: voltada para estudantes do ensino fundamental e médio, além de agricultores e moradores da zona rural.

Educação científica como ferramenta de transformação

A missão vai além do ensino sobre insetos. A Vida Secreta das Formigas promove a popularização da ciência e a valorização da biodiversidade. “Educar é formar cidadãos críticos. Quando mostramos aos alunos que as formigas têm funções ecológicas essenciais, incentivamos uma relação mais equilibrada com o meio ambiente”, comenta Maria Carolina.
O projeto já coleciona histórias curiosas: “muitos estudantes nos contam que o avô matou um formigueiro porque as formigas cortavam a plantação. Isso mostra como a informação científica pode mudar percepções e atitudes”, ressalta.

A orientadora Aline Nondillo e a aluna Maria Carolina Basso Rodiguero

Manejo sustentável e combate ao uso de agrotóxicos

Outro foco da iniciativa é orientar sobre práticas sustentáveis de controle de formigas. Em vez do uso massivo de inseticidas, o projeto ensina alternativas como iscas direcionadas, barreiras físicas e a preservação de inimigos naturais. Essas ações contribuem para a proteção da saúde humana, dos polinizadores e da qualidade ambiental, além de reduzir custos operacionais para produtores. “O conhecimento técnico permite que os agricultores façam escolhas mais conscientes e seletivas, evitando danos ao ecossistema e melhorando a convivência com a fauna local”, destaca Maria.

Receptividade nas escolas e comunidades

A aceitação do projeto tem sido ampla, tanto em escolas públicas quanto privadas. As instituições demonstram grande interesse, e a interação com a comunidade rural tem trazido impactos concretos. “Percebemos uma mudança de mentalidade, com os agricultores mais abertos ao diálogo e ao uso de práticas menos agressivas ao meio ambiente”, salienta.

Futuro e expansão

Integrado a outras iniciativas do IFRS, como o meliponário e o insetário do campus, o projeto pretende expandir sua atuação, consolidando uma cultura de respeito à biodiversidade e à ciência como aliada da transformação social. “Queremos atingir mais pessoas e consolidar uma nova forma de ver o mundo natural – mais informada, mais crítica, mais sustentável”, diz Maria Carolina.

Estudantes de diversas escolas já participaram do projeto

Como participar

As visitas ao projeto ocorrem às quartas-feiras à tarde e são gratuitas. Escolas interessadas devem preencher um formulário online com os dados da turma e um contato para confirmação. Acesse o formulário através do link: https://docs.google.com/forms/d/1Iv63Cw57PtsTDGQnGq07dCOGelcE7vVyxcJkC5XSBlg/viewform?edit_requested=true