Um ecossistema de inovação é um ambiente dinâmico que conecta diferentes atores — empresas, startups, universidades, investidores, governo e sociedade — para impulsionar a criação de novas soluções, tecnologias e modelos de negócio. Mais do que um espaço físico, como um hub de inovação, trata-se de uma rede interconectada de colaboração, conhecimento e capital. Bento Gonçalves tem potencial para se consolidar como um ecossistema de inovação robusto, desde que todos os atores estejam alinhados e engajados com essa transformação.
Em 2022, durante uma palestra em um grande evento de inovação em São Paulo, um dos palestrantes abordou a mudança nos modelos de negócio, que estão evoluindo de um formato linear para um modelo de ecossistema de soluções. No modelo tradicional, uma empresa produz, passa por um canal de distribuição e o produto chega ao cliente final. No modelo de ecossistema, o cliente está no centro e as empresas não apenas oferecem seus produtos ou serviços, mas também se conectam a soluções complementares que atendem de forma mais eficiente às necessidades do cliente. Esse conceito está revolucionando setores e abrindo novas oportunidades para as cidades que desejam se tornar polos de inovação.
Hoje, no Bento +20, como coordenador da Câmara Técnica de Tecnologia, Inovação e Empreendedorismo, retorno com uma visão ampliada sobre como ecossistemas inovadores estão sendo construídos em diversas regiões do Brasil e do mundo. Essa experiência reforça a grande responsabilidade que temos em atuar como orquestradores desse ecossistema em Bento Gonçalves. Precisamos construir, desde hoje, a cidade que queremos para os próximos 20 anos: mais inovadora, responsiva e sustentável, que escuta e atende às demandas de seus cidadãos.
Bento Gonçalves já conta com iniciativas concretas que fortalecem seu ecossistema e é fundamental que todos os atores do ecossistema — empresas, startups, universidades, investidores, governo e sociedade — estejam não apenas conectados, mas alinhados em uma visão comum. Não adianta uma prefeitura atuar fortemente no combate ao desemprego se as empresas não estiverem preparadas para absorver essa mão de obra e garantir sua evolução profissional. Da mesma forma, não basta realizarmos reuniões e planejamentos para o futuro da cidade sem o comprometimento e engajamento do setor público.
Uma das questões centrais para fortalecer esse ecossistema é como garantir o alinhamento de expectativas entre os diferentes atores? Como potencializar as ações que já estão em andamento e garantir que os resultados sejam tangíveis e impactantes para a comunidade?
Podemos nos inspirar em cidades como Florianópolis, que consolidou seu ecossistema por meio da Acate (Associação Catarinense de Tecnologia), ou em Joinville, com o Ágora Tech Park, que se tornou um hub de inovação conectando grandes empresas, startups e instituições de ensino. Essas regiões conseguiram construir ambientes inovadores a partir do alinhamento entre os atores e do investimento em tecnologia como ferramenta para impulsionar soluções.
A tecnologia tem um papel fundamental nessa jornada. Soluções como inteligência artificial, Internet das Coisas (IoT) e big data podem ser aplicadas para tornar Bento Gonçalves uma cidade mais inteligente e eficiente, melhorando desde a gestão de serviços públicos até a competitividade das empresas locais.
Se queremos transformação, precisamos de atitudes diferentes. Precisamos ampliar nosso repertório, buscar novas experiências e garantir o envolvimento e engajamento de todos. A construção de um ecossistema de inovação só será possível com a colaboração ativa dos principais atores, comprometidos não apenas com o futuro, mas com as ações que já podemos realizar hoje. A inovação não acontece por acaso, ela é fruto de planejamento, execução e compromisso coletivo.