Terça-feira, 28 de Julho de 2026

ÚLTIMA HORA

Fogo e poder, isso queima…

Empoderar, este verbo tem sido largamente utilizado nos últimos tempos, via de regra para igualar os já iguais tratados desigualmente, numa sociedade que destila preconceitos, se embriaga de aparências.
Penso, reflito: em que tempo isso foi diferente? Ou, ainda, qual foi o marco de empoderamento na humanidade?

As ciências da antropologia e arqueologia se encarregam de responder com rigor catedrático a tal questionamento, mas não tenho tal tempo e tão pouco formação a respeito.

Permito-me, caro leitor, divagar unicamente na companhia de minha ignorância, imaginando que um dos grandes marcos se deve à descoberta do fogo.

Aquela primeira fagulha, entremeio às mãos do homem, gestava ali o fogo e, com ele, a luz do poder, cuja chama ilumina, porém, sem controle… queima.

Fogo e poder, poder e fogo, conceitos que há milhões de anos se retroalimentavam, representando uma única força naquele que mais tarde seria Homo sapiens que vos escreve e que ora lê.

Dito isso, parece que tal conceito ficou no passado.

Não, por óbvio, o fogo ainda tem seu poder, mas o poder em si, este assumiu muitas facetas, e uma das mais poderosas é o poder político, o qual, se não bem manejado, pode deixar “queimado” quem não faz em tempo o que haveria de fazê-lo, independente das causas ou, no mínimo, o que se esperava que fizesse.

Sem mais analogias, a expressão “nunca na história desse país”, acertadamente cunhada pelo então presidente, esteve tão bem empregada, diante de um cenário de 60% do território nacional afetado pelas queimadas, deixando sem vida nossos bosques, nosso céu outrora límpido, agora turvo de fumaça, resplandecendo unicamente a imagem de tristeza, em razão da velocidade das chamas que continua a devorar esta terra adorada em comparação à desproporcional e intempestiva ação governamental.
É de se questionar: será que o governo atual não tem PPCI – Plano de Prevenção e Proteção contra incêndios???

A dúvida emerge dado o desastre ambiental anunciado já há meses pelos mais modernos equipamentos de monitoramento espacial e aos gritos surdos das florestas e seres vivos martirizados, cujo fogo, sem partido político, sem ideologias e tão pouco respeito às fronteiras, recentemente bateu às portas da capital federal.

Importante que se faça justiça, pois, dadas as notícias advindas de determinado ministério, lá estava o governo federal tentando debelar o tórrido fogo de outra vertente.

Por outro lado, lembrando daquela linda fábula do fogo na floresta, mais uma vez nos faltam os colibris com o bico carregado de água na tentativa de apagar o incêndio que se alastra nesta terra adorada… A propósito, onde foram parar? Eram tantos a tão pouco tempo atrás…

Contudo, consideradas as medidas emergenciais, “empurradas” pelo poder supremo da república, mesmo que com um certo delay, entendamos que a fumaça parece ter acordado o rei em berço esplêndido.

A propósito, pelo que se sabe, o congresso ainda não promulgou lei em contrário e não há nova jurisprudência suprema a respeito, ou seja, o ditado continua valendo: “onde há fumaça, há fogo”. Igualmente, onde há boa vontade, ainda há um caminho… logo, ainda há esperança; o gigante pela própria natureza ainda respira entre as chamas…

Vamos em frente!

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