A Serra Gaúcha despontou como um espaço viável para abrigar um novo fluxo migratório: famílias italianas que deixavam uma Itália em processo de unificação

Fundada oficialmente no final do século XIX, a cidade de Bento Gonçalves carrega em sua origem um processo histórico profundamente ligado à política de colonização da então Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. A demarcação da região ocorreu em 1870, quando a província definiu novas áreas para instalação de colônias agrícolas. “A escolha desse território se deu, em parte, porque ele não estava diretamente ocupado por outros grupos imigrantes, como os de origem alemã, que desde 1824 já haviam se instalado no estado e expandido suas colônias para áreas mais acessíveis, como os vales”, explica o professor e doutor em História Rodrigo Luis dos Santos, da Universidade de Caxias do Sul. 

A chegada dos primeiros colonos, cinco anos depois, transformou para sempre o perfil cultural, econômico e social da cidade. A expansão do catolicismo, em contraste com a forte presença luterana nas colônias alemãs, foi um dos primeiros reflexos dessa ocupação. Na economia, o cultivo da terra representou a base do desenvolvimento. “Os imigrantes fomentaram a produção agrícola para subsistência, mas também para comercialização. Cultivavam trigo, milho, cevada, aveia, frutas cítricas e, principalmente, a videira, que rapidamente se tornou elemento central da economia. Mas para além da agricultura, logo imigrantes italianos e descendentes fizeram algo que os alemães também fizeram anos antes: a constituição de pequenas fábricas artesanais, destacando selarias, carpintarias, sapatarias, moinhos, casas de comércio, hospedarias e produção de tecidos. Assim, começava um processo inicial de industrialização e comércio local/regional”, destaca Santos. A construção da Estrada Buarque de Macedo (hoje parte da BR-470) foi um marco na integração econômica, permitindo que os produtos fossem escoados até Montenegro e, dali, transportados pelo Rio Caí até Porto Alegre.

Antes dos colonos italianos, porém, a região era um mosaico populacional complexo. Povos indígenas, como os Guarani, Charrua e Minuano, circulavam por extensos territórios, explorando os recursos naturais sem necessariamente se fixar por longos períodos. Havia também presença de portugueses, espanhóis e açorianos, além de imigrantes de fala alemã instalados no estado desde 1824. Essa diversidade marcou o entorno do que viria a ser Bento Gonçalves. O processo de fundação foi oficializado em 24 de maio de 1870, por determinação do então presidente da província, João Sertório, com a criação das colônias Dona Isabel (atual Bento Gonçalves) e Conde D’Eu (atual Garibaldi). A partir daí, engenheiros e agrimensores demarcaram lotes para abrigar as famílias que chegavam da Itália. “Embora a maioria fosse italiana, outros grupos participaram desde o início da constituição social do município. Inclusive, entre 1875 e 1890, todos os administradores da colônia eram de origem portuguesa, exceto um, de origem alemã. Dentre esses administradores estava José Montaury de Aguiar Leitão, que posteriormente foi intendente (prefeito) de Porto Alegre por 27 anos, entre 1897 e 1924. E quando da criação do município, em 11 de outubro de 1890, o primeiro intendente – e que ficou no poder por 36 anos – foi o coronel Antônio Joaquim Marques de Carvalho Júnior”, observa o historiador.

Um dos pilares dos Imigrantes italianos encontra-se na fé. Eventos como a procissão de Santo Antônio movimentam a cidade

O modo de vida que se consolidou na cidade foi resultado da combinação de diferentes elementos culturais. Arquitetura, festas tradicionais, culinária e práticas cotidianas foram moldadas por gerações de imigrantes e descendentes. “A identidade local não é algo pronto e imutável. Ela é construída por grupos que escolhem elementos que consideram importantes e que passam por transformações ao longo do tempo.  Por isso, alguns elementos, como locais construídos preservados, festividades e aspectos culturais já presentes em longa duração, modos de alimentação e produção de alimentos, acabam assumindo um papel importante na construção e na tentativa de permanência de uma identidade local, partindo de dentro da própria comunidade, ou de alguns grupos dentro dela, o que favorece que determinados aspectos sejam mais valorizados, midiatizados e preservados do que outros”, reflete Santos. Um exemplo emblemático é a tradição vitivinícola, que se fortaleceu ao ponto de transformar Bento Gonçalves na “Capital do Vinho”. Embora o cultivo da uva já existisse no estado antes da imigração italiana, foi esse grupo que consolidou a atividade como base econômica e símbolo cultural. “O mérito está na variedade de uvas cultivadas, no processo de produção e na capacidade de comercialização. O que começou com carros de bois e embarcações evoluiu para estradas, ferrovias e exportações internacionais”, ressalta.

Essa capacidade de adaptação também foi determinante para que o município enfrentasse períodos de crise econômica sem perder protagonismo na Serra Gaúcha. Enquanto outras regiões, como o Vale do Rio dos Sinos, ficaram dependentes de uma única matriz produtiva — no caso, a indústria calçadista — Bento Gonçalves diversificou sua economia. “A vitivinicultura e o setor moveleiro são expressivos, mas há outros segmentos atuando em conjunto. Essa diversificação foi estratégica para garantir estabilidade e reduzir impactos de crises externas”, afirma o professor.

Na preservação da memória, o historiador defende a valorização dos espaços e símbolos que contam a trajetória da cidade. Museus, arquivos, bibliotecas, igrejas — como a Igreja Metodista, erguida em 1889, a primeira do Rio Grande do Sul —, praças, monumentos e áreas culturais são elementos fundamentais para manter viva a história local. Além disso, tradições imateriais, como receitas, orações e narrativas orais, ajudam a compor um patrimônio que vai além do material. “Esses elementos, quando preservados e transmitidos, fortalecem a identidade coletiva e permitem que diferentes gerações se reconheçam em sua própria história”, observa.

Caminhos de Pedra 

Como apontado por Santos, muitos imigrantes ajudaram a moldar Bento Gonçalves e a edificar os pilares desta sociedade. Entre os personagens que ajudaram a preservar e dar visibilidade a essas memórias está Mauro César Noskowski, historiador e idealizador do projeto Caminhos de Pedra, roteiro turístico-cultural que se tornou símbolo de preservação do patrimônio imigrante. Nos anos 1990, Noskowski foi contratado pelo Hotel Dall’Onder para repensar o turismo local, então restrito a poucos atrativos, como a Vinícola Aurora, a Pipa Pórtico e a Ponte do Rio das Antas. A partir do contato direto com a comunidade do distrito de São Pedro, ele idealizou um percurso que valorizasse a arquitetura original, os modos de vida tradicionais e a história oral das famílias. “O nome ‘Caminhos de Pedra’ nasceu do caminho de taipa que encontrei ali, ladeado por antigas casas de pedra e madeira. Na época, muitos nos chamaram de loucos por acreditar que turistas teriam interesse em conhecer isso. Mas acreditamos — e hoje o roteiro é referência nacional”, conta Noskowski. Os primeiros pontos a integrar o percurso foram a Destilaria Busnello, a Ferraria Ferri e a Cantina Strapazzon, entre outros. “Eles acreditaram no projeto quando tudo ainda era uma ideia. Hoje, são mais de 80 estabelecimentos diretamente ligados ao roteiro, que movimentam a economia local e preservam nossa memória”, lembra.

Noskowski esclarece que sua contribuição como historiador teve o intuito de dar consistência cultural ao projeto. “Inicialmente o arquiteto Júlio Pozzenato nos abriu os horizontes para os detalhes de cada casa de pedra, as de pedra com reboco, e as de madeira com dois andares, na qual é considerada a melhor arquitetura popular do Brasil. Como historiador, sempre fui questionador”, explica.

 A iniciativa foi pioneira e inspirou outros municípios brasileiros, ao mostrar que a preservação cultural pode caminhar lado a lado com o desenvolvimento turístico. “Os Caminhos de Pedra inovou no Turismo local e segue sendo exemplo para outros distritos e municípios, não somente da região, mas de outros estados. Recordo que recebi prefeitos da região do Contestado de SC, que vieram aprender como construímos o roteiro. A diferença foi que não tivemos ajuda da Prefeitura, e sim do empreendedor Tarcísio Michelon e da própria comunidade, que estava isolada, e foi graças a este isolamento, que as velhas casas não foram destruídas.  A Tramontina já usou a Ferraria Ferri como cenário inicial da empresa. Assim como a Vinícola Salton na Cantina Strapazzon. O Filme “O Quatrilho” indicado ao Oscar, o Curta Metragem “O Guarda Linhas”, minisséries e novelas também ajudaram a desenvolver o roteiro”, lembra.

O historiador resssalta que a cidade toda colhe os frutos desta estruturação turística. “Os Caminhos de Pedra, há anos mantém e fornece grupos de danças típicas, banda, e corais, típicos italianos, para a parte Urbana.  Por sua vez, os habitantes da parte urbana usufruem dos Restaurantes, e outras atividades gastronômicas oferecidas no local”, afirma.

Herança polonesa

Entre os aspectos arquitetônicos da imigração polonesa está a casa ao lado da Vinícula Aurora

A imigração polonesa, embora menos numerosa do que outras etnias, teve um papel relevante na formação histórica e cultural de Bento Gonçalves e de toda a Serra Gaúcha. Sua presença, mais expressiva em outras regiões do Rio Grande do Sul, como Áurea, Guarani das Missões, Dom Feliciano, Santo Antônio do Palma e Casca, também deixou marcas profundas no tecido multicultural da região serrana. Os imigrantes poloneses trouxeram consigo tradições, culinária, música e religiosidade, que se somaram aos costumes de outros povos e ajudaram a consolidar uma identidade regional plural. Em muitos casos, houve miscigenação cultural com italianos e alemães, contribuindo para a diversidade linguística, religiosa e gastronômica local.

A presença de imigrantes poloneses na região começou também em 1875, e seus descendentes marcaram a história local em diversos campos.  Noskowski lembra que um símbolo dessa herança é a Fábrica de Acordeões Scala, criada por Sigismund Henrique Dytz, que depois deu origem à Móveis Scala, impulsionando a economia moveleira e transformando a cidade em um dos principais polos industriais do país. A residência da família Dytz, localizada na Rua Olavo Bilac, é considerada a única casa urbana de arquitetura polonesa em Bento Gonçalves — um imóvel que hoje mobiliza esforços para tombamento e preservação como futuro Memorial Polonês.

Segundo Nelson Zelbrasikowoki, presidente da BRASPOL Núcleo Bento Gonçalves, reconhecer esse legado é um ato de valorização da história e da diversidade que formam a identidade gaúcha. “Historicamente, a imigração polonesa ficou em segundo plano diante da forte presença italiana, que foi majoritária em número e mais visível culturalmente. Mas isso não significa que nossa contribuição tenha sido menor. Resgatar essa memória é reconhecer o papel de nossos antepassados na construção da cidade”, afirma Zelbrasikowoki.

A BRASPOL (Representação Central da Comunidade Brasileiro-Polonesa) atua de forma ativa na preservação e difusão dessa herança cultural no Brasil, e em Bento Gonçalves sua presença é marcante. Fundada em 1993, há mais de três décadas, a entidade promove a valorização da memória histórica, realiza eventos culturais, preserva tradições culinárias e religiosas e incentiva descendentes a conhecerem a língua e a história da Polônia. “A BRASPOL é um elo entre passado e presente. Nosso trabalho garante que a voz da comunidade polonesa siga fazendo parte da identidade de Bento Gonçalves”, ressalta Zelbrasikowoki.

Noskowski explica que, por questões históricas, a identidade polonesa permaneceu mais silenciosa que a italiana. “A Polônia deixou de existir por muito tempo como Estado, foi repartida entre potências estrangeiras, proibiram nossa língua, e depois veio a dominação soviética. Somente com João Paulo II é que começamos a resgatar com orgulho nossa etnia no Brasil. […] Nossa língua é eslava, o que tornou difícil a integração entre poloneses e italianos. Somente na terceira geração é que começaram os casamentos entre as duas etnias, preferencialmente entre os homens italianos e mulheres polonesas, assim perdemos muitos sobrenomes poloneses, pois as mulheres perdiam o sobrenome de solteiras e adicionavam os sobrenomes dos maridos italianos”, explica.

Para o historiador, preservar essas histórias é fundamental para o futuro do município. “Bento Gonçalves não é feita de uma só identidade. Somos italianos, poloneses, afrodescendentes, migrantes recentes do Haiti, do Senegal, da Venezuela. Todos ajudamos a construir esta cidade. O que precisamos é que as autoridades preservem nossa arquitetura, respeitem nossa história e não entreguem nossa memória ao progresso desordenado”, defende.

Imigração Italiana

Entre as atividades que rememoram a imigração italiana estão as competições que acontecem durante a Fenavinho

No coração desse enredo centenário está a presença marcante da imigração italiana. Mais do que um passado de pioneirismo, essa herança segue viva, pulsando nas comunidades, nos costumes, na gastronomia e nas festas típicas que transformaram Bento Gonçalves em um verdadeiro patrimônio cultural do Rio Grande do Sul. Entre as instituições que carregam com orgulho essa responsabilidade está o Circolo Trentino Di Bento Gonçalves. À frente da entidade, Sandro Giordani destaca que parte essencial da cultura italiana segue firmemente enraizada no cotidiano bento-gonçalvense. “Acredito que muito das nossas raízes estejam mais preservadas no dia a dia nos distritos e em eventos públicos na cidade. Hoje se mantém forte boa parte da gastronomia raiz, um pouco do Talian e a preservação da memória para registro futuro”, afirma.

Essa ligação com o passado não significa nostalgia, mas, sim, compromisso com a identidade de um povo. Ao longo das décadas, o Circolo vem promovendo atividades que buscam resgatar e manter viva a rotina dos primeiros imigrantes. Por meio do Ponto de Cultura e Memória Vale dos Vinhedos, a entidade tem ampliado seu alcance, fortalecendo iniciativas que conectam história e comunidade. “Temos oficinas de dressa, jogo da mora, gastronomia típica e principalmente a preservação de acervos das famílias”, explica Giordani. Atualmente, o acervo da instituição ultrapassa 15 mil itens digitalizados, além de um vasto conjunto físico, com cópias que também serão enviadas para a Provincia do Trento, na Itália, como forma de eternizar essa história além das fronteiras.

Em uma cidade que cresce e se transforma a cada ano, um dos grandes desafios é transmitir esse legado às novas gerações. Em tempos de internet e redes sociais, envolver os jovens com as tradições familiares tornou-se tarefa complexa — mas não impossível. “Há uma grande preocupação quanto aos jovens e a aproximação com os mesmos. Situação que tem sido difícil de concorrer com a internet e o celular”, admite Giordani. Para isso, o Circolo tem apostado em estratégias que unem cultura e contemporaneidade, promovendo atividades como jogos típicos e eventos culturais que dialogam com o público jovem, entre eles o Medieval Bento. “Alguns jovens se engajam pela preservação do patrimônio edificado, alguns poucos pela preservação de fotos e documentos e pelas atividades lúdicas antigas, mas sempre muito difícil alcançar a juventude com poucos recursos”, completa.

Bento Gonçalves também se caracteriza pela convivência entre diferentes culturas. Além dos descendentes de italianos, a cidade abriga comunidades de origem polonesa, alemã, haitiana e venezuelana, entre outras. Nesse cenário multicultural, o Circolo Trentino atua de forma integrada, buscando construir pontes e fortalecer a diversidade. A instituição participa de iniciativas ao lado do Comitê de Cultura RS, do Pontão Afro de Guaíba e do Pontão Kaingang de Ronda Alta, incentivando comunidades a acessar recursos e desenvolver seus próprios projetos culturais. “Esses Pontões atuam na cultura periférica de base, levando melhorias a essas comunidades, ensinando os mesmos a fazerem projetos e buscar recursos para suas ações culturais”, explica o presidente.

A experiência dos imigrantes italianos, que chegaram com pouco e ajudaram a construir uma cidade próspera, também serve de inspiração para os novos ciclos migratórios que Bento Gonçalves recebe. Para Giordani, a integração cultural é um caminho natural para fortalecer laços e enriquecer a identidade local. “A integração é sempre necessária e bem-vinda. Assim como o imigrante italiano se integrou muito bem ao gaúcho. Temos que fortalecer laços, em especial na parte cultural”, destaca. Ele revela que está em andamento uma parceria com o Movimento Negro Raízes para a realização de uma ação integrativa nos próximos meses, com o objetivo de celebrar a diversidade e fomentar a convivência harmoniosa entre as comunidades.

Imigração atual

Angel e a esposa Leslie, com os filhos, Angelie, Angel e Angie

A trajetória de Angel Lucena, imigrante venezuelano que há quase sete anos vive em Bento Gonçalves, é marcada por coragem, trabalho e esperança. Natural de Caracas, na Venezuela, Angel deixou seu país em busca de melhores condições de vida e encontrou na Serra Gaúcha não apenas oportunidades, mas um lugar para reconstruir a própria história.

A viagem até o Brasil levou uma semana. Em terra, o trajeto foi de Caracas a Boa Vista; de avião, passou por Manaus, Belém, São Paulo e Caxias do Sul até chegar a Bento Gonçalves. “As primeiras impressões foram impactantes. A abundância de alimentos e produtos acessíveis me surpreendeu muito. Mas os maiores desafios foram a documentação e o idioma”, relembra.

Ao desembarcar na cidade, o que mais chamou sua atenção foi a oferta de trabalho. “O fato de poder escolher no que trabalhar foi algo que me marcou. Existia oportunidade para quem quisesse se dedicar”, afirma Angel. Ele conta que, apesar da barreira linguística, a adaptação foi rápida, tanto no ambiente de trabalho quanto na rotina da nova vida no Brasil. “A única dificuldade foi mesmo a língua. Com as outras coisas, nos adaptamos rápido”, explica.

A experiência de morar e trabalhar em Bento Gonçalves, segundo ele, tem sido “fantástica”. “Não dá para se queixar. Temos mais do que imaginamos ter”. Um dos momentos mais marcantes de sua trajetória no município foi o nascimento dos filhos Angel e Angie. “Eles são símbolos do nosso novo começo aqui. Também conquistamos muito: veículos, empreendimentos imobiliários e, principalmente, estabilidade”, conta com orgulho.

Para Angel, Bento Gonçalves é um lugar onde os imigrantes têm condições reais de construir uma vida sólida e com perspectivas de futuro. “Tudo depende do foco e da disciplina. Aqui, quem trabalha e tem determinação consegue crescer”, enfatiza.

A acolhida da comunidade local, segundo ele, também foi positiva. “Nós, que estamos chegando, temos o compromisso de dar o nosso melhor para conquistar as pessoas. Sendo educados e trabalhadores, não teremos problema com ninguém”, diz.

Tradições e cultura

Mesmo adaptado à nova realidade, Angel e sua família mantêm vivas suas raízes culturais. Em casa, falam espanhol, cozinham pratos típicos da Venezuela e escutam músicas tradicionais. Também compartilham sua cultura com os moradores locais. “Já levamos nossa gastronomia e nossa música até para o prefeito conhecer”, relembra com satisfação.

Hoje, Angel se sente plenamente integrado à comunidade. Com dois filhos gaúchos e uma filha venezuelana fluente em português, ele afirma com convicção: “Nos sentimos em casa. Aqui construímos nossa vida”.

Felicitações

Em meio às comemorações pelo aniversário de Bento Gonçalves, diferentes comunidades que ajudaram a construir a história do município reafirmam seu vínculo com a cidade e projetam um futuro de desenvolvimento e união.

O Circolo Trentino destaca a importância do momento para relembrar a trajetória de transformação da região. “É um grande momento na nossa história. Lembrando que do mato chegamos a uma cidade pujante. Vivemos em uma cidade/região que é um oásis no Brasil. Estamos muito bem. Lógico que temos muito a melhorar, muitas necessidades a serem supridas, em infraestrutura, saúde e tantas outras frentes. É uma caminhada. Chegamos a 150 anos, estaremos muito melhor daqui a 150 anos”, afirma Giordani, em tom de esperança.

A comunidade polonesa também reforça sua presença e contribuição para o desenvolvimento local. Desde os primeiros imigrantes, que enfrentaram desafios com coragem e fé, foram erguidos alicerces que permanecem vivos nas tradições transmitidas de geração em geração. “A história de Bento Gonçalves foi construída por muitas mãos e corações. Entre elas, está a força da comunidade polonesa, que ajudou a moldar a identidade da cidade que tanto amamos”, ressalta Zelbrasikowoki.

Mauro César Noskowski destaca que o verdadeiro desenvolvimento não se resume ao crescimento urbano. “Uma cidade próspera não se mede pelo número de prédios, mas pela qualidade de vida, pelo respeito às culturas presentes e pela preservação de seu patrimônio. Somos todos imigrantes — e é essa diversidade que faz de Bento Gonçalves um lugar único”, afirma.

Italianos, alemães, poloneses, suíços e outros grupos de imigrantes formaram ao longo dos anos um mosaico cultural singular, que se mantém como base da identidade local. Nesse espírito de união e pertencimento, Angel, integrante da comunidade imigrante, expressou gratidão à cidade que o acolheu. “Obrigado por sua empatia e serviço pra nós. A comunidade tem nos ajudado de muitas formas, muitas vezes sem perceber: ao oferecer emprego, ensinar a língua, acolher nossos filhos e compartilhar suas coisas conosco. Sigam assim, sendo empáticos e um exemplo de constância”, declara.

No aniversário de Bento Gonçalves, a pluralidade cultural, a memória coletiva e o espírito de acolhimento se reafirmam como pilares da cidade, projetando um futuro que honra as raízes e valoriza a diversidade.