De 24 a 27 de setembro, Garibaldi recebe a primeira edição do Festival de Cinema Independente – Curtas Fantásticos Gaúchos, realizado no Espaço Coletivo das Artes (ECOA). O evento, gratuito e aberto ao público, traz 12 curtas-metragens selecionados entre 136 produções inscritas de mais de 30 municípios do Rio Grande do Sul.
A curadoria foi feita por Maurício Sant’Anna dos Reis, proprietário do ECOA, em parceria com os irmãos Rafael e Renan Cipriani. Segundo Maurício, o processo de escolha foi marcado por qualidade técnica e narrativas envolventes. “Assistir aos filmes foi uma delícia, os filmes eram maravilhosos. O problema foi ter que escolher somente 12. Na próxima edição com certeza esse número será maior. Os trabalhos tinham muita qualidade técnica. Cinematografia, som, edição, além de roteiro, atuação e direção excelentes. Nosso critério foi buscar nesses elementos técnicos, histórias que nos marcassem, de alguma forma. Enfim, buscamos algum elemento sensível em meio aos filmes. Todos os 12 são filmes que afloraram alguma sensação, alguma emoção”, afirma.
Democratização do cinema
O festival nasce com a proposta de ampliar o acesso à sétima arte e valorizar a produção independente. “A principal motivação foi o amor dos organizadores pelo cinema. A ideia de poder fazer um festival vem muito dessa vontade de conhecer a produção gaúcha. Mas também fomos motivados pelo estímulo à produção, reconhecendo e valorizando o trabalho dos realizadores gaúchos e também para formação de público, para podermos mostrar à comunidade como existem bons filmes sendo feitos ao nosso lado”, explica Maurício.
A Serra Gaúcha aparece em destaque entre os finalistas, com três produções filmadas em cidades da região: Herança, de Lyncon Mollossi (Carlos Barbosa); O Reserva, de Matheus Flores (Farroupilha); e O Ressentimento, de Maikel Abreu (Caxias do Sul). Para o curador, o recorte regional é natural, mas o alcance foi além. “É meio natural que realizadores locais tenham mais interesse em participar. Mas não é um festival meramente local, é estadual. Temos filmes de Porto Alegre, de Viamão, de Pelotas, de Cruz Alta, de Dois Irmãos, Canoas. A verdade é que ficamos muito felizes com a adesão dos nosso vizinhos, mas também ficamos felizes de termos ido longe no Estado. Faltou um filme de Garibaldi, quem sabe na próxima edição?”, indaga.
Ele relembra de que não se trata do único festival da região. “Recentemente Bento recebeu o Festival Internacional de Cinema Respira. Isso mostra que o maior impacto não é individual, ele é coletivo. Queremos fazer parte desse ecossistema de festivais que revelam novas produções, independentes, no nosso caso, para que a produção, distribuição e exibição de cinema, como um todo, se fortaleça na região”, frisa.

Competição e voto popular
Os 12 curtas disputam oito categorias: melhor diretor, edição, trilha sonora, ator, atriz, cinematografia, melhor filme e voto popular. Para este último, o público terá participação ativa. “É a ideia da formação de um público. Fazer o espectador participar, fazer com que ele também tenha suas expectativas. Mostrar que o cinema está mais próximo do que se imagina. A voz do público é uma forma de valorizar alguns aspectos que os jurados não se atentaram”, destaca Maurício.
Reis acredita que o Festival pode estimular novos públicos a se aproximarem do cinema independente. “É comum em cidades menores a sensação de ‘não se ter o que fazer’, ou a de que são poucos os eventos culturais. Sabemos que Garibaldi tem uma grande quantidade de bons artistas e que sempre estão pensando em algum evento para o público. Infelizmente esses esforços nem sempre atingem a comunidade. Oferecer eventos culturais de qualidade gratuitamente é sim uma forma de mostrar que a arte pulsa na cidade”, pontua.
Mais do que exibições
A programação também contempla oficinas gratuitas voltadas à formação e ao diálogo sobre cinema. Entre elas, estão Escrita de projetos audiovisuais para editais (27/09, 13h30 às 15h30) e Da crítica à câmera (27/09, 16h às 18h). As inscrições podem ser feitas no Instagram @festivaldecinemadegaribaldi ou no próprio ECOA. “Primeiramente, poder dialogar com o nosso público com isso é importante. Trazer alguns conceitos, ver o que estão pensando, abrir os horizontes para o que pode ser melhor, enfim, sempre que a gente ensina algo, também aprendemos com quem ensinamos”, afirma o curador.
Para complementar, a coordenadora do festival, Paula Ortmann, preparou uma mostra não competitiva de longas-metragens, entre eles Histórias Estranhas 2, de Rodrigo Aragão; Até que a Música Pare, de Cristiane Oliveira; e Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-Feira 13 do Verão Passado, de Felipe M. Guerra.
Expectativas para o futuro
O festival é financiado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), via Ministério da Cultura, para o município de Garibaldi e para a Produção. Para os organizadores, esta primeira edição é apenas o começo. “Já estamos planejando a edição de 2026. Esperamos ter mais apoio de patrocinadores e fazer um evento maior, com maior incentivo do Estado. Em 2025 fomos contemplados, graças ao excelente trabalho da Paula Dreyer Ortmann, coordenadora do evento, pela Lei Aldir Blanc de Garibaldi. Esse recurso foi fundamental para entregarmos o evento que estamos entregando. A execução do festival, contudo, mostrou que ele pode ser maior. Se ele pode ser maior, nós vamos fazer ele maior. Essa primeira edição foi uma grande experiência e nos ajudou a entregar um evento excelente e com grande potencial de ser maior no futuro”, projeta Reis.
Serviço:
O quê: 1º Festival de Cinema Independente de Garibaldi – Curtas Fantásticos Gaúchos
Quando: 24 a 27 de setembro, sempre a partir das 19h
Onde: Espaço Coletivo das Artes (ECOA) – Rua Buarque de Macedo, 3384, Centro de Garibaldi
Quanto: Entrada gratuita, por ordem de chegada.