Como tenho por hábito a leitura, até compulsiva, como um vício, chego a ler de 6 a 7 horas por dia, notadamente meios de comunicação. Assino e recebo mais de duas dezenas de publicações impressas e na internet, inclusive do exterior. Sim, do exterior, já que há muito tempo a grande imprensa brasileira é altamente comprometida. E não precisa ser muito inteligente para perceber isso. Ontem, um site chamado Sul21 publicou um artigo do economista Paulo Muzell que entendi muito interessante. Vou destacar alguns trechos do artigo já que traduzem exatamente o que penso e já escrevi e fecha com o que leio na imprensa não comprometida. Muzell mostra pesquisa divulgada no Fórum de Davos que revela uma realidade estarrecedora: os 85 maiores bilionários do mundo detém um patrimônio equivalente à metade mais pobre da população mundial. Ou seja: cada multibilionário tem o equivalente ao que 41 milhões, 176 mil pobres dispõem para viver. Segundo a revista Forbes, os 1.400 bilionários do mundo têm um patrimônio de 5,4 trilhões de dólares: destes, 65 são brasileiros. O Brasil está dentre os dez países de maior concentração de renda do mundo. Enquanto que no Japão os 10% mais ricos recebem apenas 4,2 vezes mais do que os 10% mais pobres, nos Estados Unidos – que tem a pior distribuição dentre os países do primeiro mundo – a relação sobe para 16 vezes. No Brasil ela é de estratosféricas 68 vezes! Para cada 100 que auferem os 10% mais pobres, os 10% mais ricos percebem 6.800. Dentre os 65 brasileiros com patrimônio superior a um bilhão de dólares, cinco são empresários da grande mídia: três da família Marinho (patrimônio de mais de 27 bilhões de dólares) e dois do clã Civita. Muzell afirma, também, que: Para manter e até ampliar esta enorme desigualdade, a elite econômica tem que deter o poder político. Controlar – com rédea curta – o Estado, definindo ao seu favor as regras do jogo. O legislativo e judiciário são poderes, por natureza e história, absolutamente confiáveis, dóceis, aliados naturais, conhecem e executam com perfeição o papel que lhes cabe. Já o Executivo é um poder menos previsível, eventualmente teima em descumprir o roteiro traçado, foge do controle, do padrão desejado, dá uma indesejável guinada à esquerda. Mudança que tem seus riscos, pode trazer perdas futuras para os “donos do poder”. Aí entra em ação o poder de pressão e de controle da mídia. Pois é! E quando se vê poderosos empresários criando o “impostômetro” que recebe largos espaços na “mídia amiga”, o “sonegômetro” (criado e instalado pelo SINPROFAZ em Brasília), pouco é citado. Em 2013 a sonegação foi VINTE VEZES superior ao que foi investido no Bolsa Família. Em 2014, em 100 dias, superou cem bilhões de reais sonegados. Será que vivemos, mesmo, a “ditadura da mídia”? A refletir.