Quarta-feira, 01 de Julho de 2026

ÚLTIMA HORA

Vecchi, porco can (II)

“El vin zê bon, lé un bel bicher, le méio la serva che un cavalet..” Foi aí que paramos da última vez… “Última”, não, que a vida continua, e tudo vale a pena, se a adega não for pequena. Bom, chega de paródias! Vamos às vias de fato…

Em nova reunião do G6 (Grupo dos Seis ponto… alguns), repetem-se os brindes no calor da amizade. Já no estágio três… (Peço licença para abrir um parêntese a fim de lembrar quais são os estágios vivenciados pelas criaturas diante da perspectiva de chamamento do Criador, obviamente adaptadas ao quadro. O primeiro é a negação: “Esta é a última taça!”. O segundo é a raiva: “Dane-se, enche o copo!”. O terceiro, a barganha: “Daqui em diante, prometo que só vou tomar vinho com guaraná!”. O quarto, a depressão: “Gente, acabou-se!”, e o quinto, a aceitação: “Pessoal, já vou indo…”). Retomando: Falei acima que a turma se encontra no terceiro estágio. Pois é! Nesta fase, a pluralidade de temas, opiniões, conselhos, receitas, desabafos… é fatal. Ninguém mais segura a língua, parcialmente grogue:

-Por que tu não te aposenta? Aproveita, vai viajar enquanto o asiático te permite. Vai conhecer as piranhas do Egídio!

A última frase, dita com ênfase, chega até o outro lado do aposento. Alguém da ala X, sempre com a antena em forma de Y, não se aguenta:

– Hein, o cara é casado?

– Quem?

– O galinha, o tal de Egídio… o das piranhas…

Gargalhada geral. Os temas pululam… e pulam das pirâmides do Egito ao Rock in Rio:

– Hoje é dia do Heavy Metal – anuncia um fulano metido a roqueiro.

– É mesmo? O Djigui Djegue vai se apresentar?

Diante da interrogação da turma, o cara reclama:

– Qual é, gente! Vocês não se lembram do Djigue Djegue, o magrão da banda inglesa que teve um filho com a… a… a comprida da TV…

– Aquele do “Tatá-ratatá, tatá-ratatá, tatá-ratatá, tatá-ratatá”…? – pergunta o filósofo.

– De que “Tatá-ratatá, tatá-ratatá, tatá-ratatá, tatá-ratatá” tu tá falando?

– Da metralhadora, cacete!

Uma voz feminina salva a Pátria, cantando “Era um garoto/ que como eu/ amava os Beatles e os Rolling Stones…”. Depois, desfaz a confusão do marido, que misturou “Engenheiros do Havaí” com “Mick Jagger”.

– Ok, ok! Mas qual é mesmo o nome da moça do Programa de Televisão?

– Luciane Hoepers! – responde prontamente um fulano do grupo, que entendeu a “moça de programa de corrupção”.

Uma voz feminina se inflama:

– Pra isso vocês têm memória!

– Principalmente visual! – desafia o “adversário” – a loiraça tem uma tatuagem de aranha, bem pequenininha, logo acima da virilha…

– E de um dragão enorme no bumbum… – complementa outro “jogador” da mesma equipe.

– Vocês, homens, são que nem fósforos! É só ver um par de peitos siliconados, uma bunda arrebitada e uma carinha de anjo, que logo se acendem e perdem a cabeça. Babacas! – ajuíza o comentário a dona da festa, com uma pontinha de ressentimento, o que indica mudança de estágio.

Todos se levantam. Daqui a pouco, eles estarão sonhando que são prefeitos, e elas, que são musas do crime…

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