Sexta-feira, 14 de Agosto de 2026

ÚLTIMA HORA

Santa Inocência

Foi na Igreja Santo Antônio que em 1957, com apenas oito anos, fiz minha primeira comunhão. De minha confissão ao Padre Mascarelo, vigário da paróquia, e da sabatina de perguntas sobre religião, ainda sinto os sintomas da dor de barriga. Foi tudo divino, maravilhoso, mesmo eu tendo quebrado a vela, toda enfeitada, e esbugalhado o maço de lírios brancos. Coisas de criança.

Nos últimos dias acompanhei a primeira comunhão de um menino de onze anos, bem mais maduro do que um quando de mesma idade na época de minha infância, e os fatos foram maravilhosos, dignos de registro.

Para a confissão o garoto fez uma listinha. O padre se encantou e guardou a colinha como recordação. Em troca presenteou o menino com um escapulário que o garoto apresentou para os seus pais como sendo um “escandelabro”.

Aproveitou para perguntar aos pais o que era mesmo o pecado da gula. Explicaram sobre o exagero da comida e o menino quis saber se era pecado ir na sorveteria do shopping Bento comer um sorvete todos os dias. Santa inocência!

O garoto ficou muito feliz pois o garoto sentiu uma grande diferença de antes e o depois de sua confissão: a gatinha passou a subir de forma espontânea no seu colo e ronronar de satisfação. Até os animais reconhecem uma alma pura.

No mesmo dia da famosa confissão, já noitinha, o garoto informou aos pais que achava já ter cometido mais uns três pecados e o que deveria fazer. Complementaram as lições das catequistas e tudo ficou resolvido.

Este pequeno acontecimento, verídico é claro, nos faz pensar que muitas pessoas, adultos e donos de si, desconhecem a diferença entre o bem e o mal. Deveriam voltar aos tempos da infância e procurar o momento em que se dissociaram dos deveres, da moral, das suas responsabilidades e, assim, procurar reatar o passado com o presente. Certamente o mundo seria melhor.

A falta de escrúpulos de administradores do bem comum, políticos de carteirinha incluídos nesse grupo de adolescência mal vivida, deveriam recordar do ato da confissão.

Perderam-se nos caminhos do mal e se colocam no pedestal dos santos, louvados como tal por seus currais de eleitores, como se fossem se eternizar para a história. Deveriam ser mais uma vez alertados de que o diabo faz a sopa mas não tampa a panela.

São muitas as religiões e todas ensinam o bem. O mal também existe e até Jesus foi tentado. Fomos criados com o livre arbítrio e cada um escolhe sua forma de praticar a vida.

Acreditemos que a força do bem é maior, como nos filmes de Guerra nas Estrelas.

Aqui em Bento Gonçalves ainda frequento os bancos da igreja onde fiz minha primeira confissão. Moldei minha vida dentro dos princípios e leis que aprendi e tenho pena daqueles meus colegas de infância que passaram batido. Uma pena!

Deus tá vendo!

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