Sim, já escrevi muitas colunas com essa pergunta: quo vadis? Essa expressão latina e é atribuída, dentre tantas versões, ao apóstolo Pedro, assim: “Pedro encontra Jesus na Via Ápia carregando uma cruz e lhe pergunta, “Para onde vais, Senhor?” (Quo vadis Domine?). O Senhor lhe responde: “Já que você está fugindo e abandonando o meu povo, eu volto para Roma para ser crucificado”. E eu a tenho usado para perguntar “onde nós, brasileiros, iremos? ” Os fatos que têm acontecido nos últimos anos deixaram todos os brasileiros – os de bom senso, os que têm noção das coisas – sem rumo, sem um norte. De um lado estão os que “querem acabar com a corrupção do PT” (interessante que é “só” a do PT, não dos demais partidos) e de outro os que afirmam que “não vai ter golpe” (mas nada dizem sobre a corrupção dos partidos que estão no poder, principalmente o PT).

Quando cairá a ficha?
Há muito tempo estou escrevendo, falando, insistindo que “não há virgens na zona partidária brasileira” e que “são todos farinha do mesmo saco”. Pois bem, isso já está sendo admitido por muita, muita gente, mesmo contra a vontade. O que se tem visto de gente ligadíssima ao PTB, PDT, PSB e outros, além, claro dos indefectíveis PMDB e PP falando sobre a corrupção “dos outros” já ultrapassou todos os limites do ridículo. Todos, mas todos, mesmo, sem exceção, participam e/ou participaram de todos os governos. E, inacreditavelmente, essa gente “finge que não tem nada com isso” e, tal como ratos de esgoto, transmissores das piores e mais mortais epidemias políticas, saltam do navio para tentar salvar-se. Quando, afinal, cairá a ficha de toda a população para constatar isso? Quanto demorará, ainda, para os políticos honestos largarem esses partidos recheados de corruptos?

O erro “dos outros”
Uma das coisas mais esdrúxulas que tenho lido e ouvido é que “um erro alheio não justifica outro” ou “erros dos outros não justificam os próprios”. Teoricamente, é lido, maravilhoso! Mas, e se observarmos a prática, como seria? Entendo que se um erro alheio for punido, o “próprio” ocorreria com bem menos frequência. Se os “erros dos outros” fossem devidamente punidos, dificilmente “os próprios” se veriam com justificativa. Simples: há vinte carros estacionados em local proibido e surge um agente de trânsito e multa o seu e de dois amigos, ignorando os outros dezessete só porque esses estão estacionados há mais tempo. Que espécie cidadão você se sentiria? E há, também, quem use o artifício de dizer que o crime atual é o que importa, não os anteriores. Interessante: os que serviram de exemplo “não vem ao caso”.

Crimes com data marcada?
O que estou dizendo é simples. Os petralhas, que estavam na oposição, viram a roubalheira da demotucanalhada seguir próspera, leve, livre e solta por décadas. Se essa roubalheira tivesse sido devidamente punida e os responsáveis presos, ela teria a sequência de décadas que teve? A resposta é óbvia, não? Também escrevi dezenas de vezes, por décadas, que “os donos do Brasil” (banqueiros, empreiteiros, usineiros, ruralistas, grandes empresários, corruptos e corruptores, além dos barões da mídia que ficaram ricos defendendo essa corja) deveriam ser barrados, porque elegiam políticos para colocá-los a seu serviço espúrio. Portanto, a “justificativa” dos crimes de “uns” é, sim, a impunidade histórica dos crimes “dos outros”. E creio piamente que depois de tudo o que vimos, muita gente repensará sua posição antes de entrar em manifestações “contra a corrupção do PT”. Temos que combater é a corrupção epidêmica em todos os partidos e setores da sociedade. Unamo-nos contra eles ou, então, locupletemo-nos todos!