O que está acontecendo no Brasil é o que poderia ter sido previsto há décadas. Desde 1988, quando um bando de inconsequentes elaborou a Constituição Federal, estamos em contagem regressiva. Qualquer pessoa, mesmo de mediana inteligência (o que é o meu caso), poderia prever o que iria acontecer. E quem lê meus escritos neste hebdomadário sabe que tenho sido um crítico contumaz dessa Constituição fajuta que temos. Os “ilustres” constituintes, convocados por José Sarney, elaboraram essa “coisa”, inserindo um artigo dizendo: “Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. Repetirei isso até que resolvam esse absurdo. Já há algum tempo, todos os brasileiros entendem ser direito seu usufruir de tudo o que é possível no que se refere à saúde. Da mesma forma que os inconsequentes constituintes de 1988 (que, depois, continuaram no “ramo” de deputados federais e senadores tendo, talvez por isso, autoatribuindo-se benesses, direitos, mordomias inimagináveis até então), ninguém está “nem aí” para “quem vai pagar a conta”. Afinal, “dereitos são dereitos”, né? Só que o furo é bem mais embaixo. A saúde e os produtos necessários à sua manutenção estão cada vez mais caros. Quanto maior a tecnologia, os estudos, as pesquisas e os investimentos feitos na busca pelo seu aperfeiçoamento, na sua maior resolutividade, maiores são os custos disso tudo. O SUS – Serviço Único de Saúde – (que é, sim, o maior programa de saúde do mundo, mas que carece de melhor e maior estrutura) está, há doze longos e infindáveis anos sem que um reajuste sequer nos seus valores, quer seja no tocante à hospitalização, honorários médicos, aquisição de produtos, etc. Imaginem agora, senhores empresários (e não importa o tamanho e o ramo de seus negócios) terem seus preços represados há doze anos e não acontecendo o mesmo com seus custos e despesas. Pois é exatamente isso o que está acontecendo com a saúde no Brasil. A deputaiada e a senaida de 1988 consideraram a saúde “um direito de todos e um dever do estado (municípios, estados e União)”, mas omitiram, criminosamente, explicitar quem e como a conta seria paga. Agora chegou o momento de tudo isso explodir. Não há mais como municípios, estados e União custearem tudo isso sem uma nova fonte de renda ou com uma redução considerável na sua estrutura básica. E, para isso, uma nova Constituição deverá ser feita. Quem tem coragem para propor isso? Dilma propôs e foi fulminada. Fazer o quê, então? Alguma outra solução sem ser a de parar o Brasil, reestudá-lo e começar tudo de novo? Utopia? Creio que não. E o futuro próximo dirá isso. Quem viver, verá!