A força central que compõe os relacionamentos amorosos está no compromisso, que faz a conexão entre o vínculo psicológico e a motivação para dar continuidade à relação. É possível dizer que determinados elementos atuam de forma importante na dinâmica conjugal tendo, como finalidade, manter cada indivíduo dedicado ao seu relacionamento, sendo eles: satisfação conjugal, investimento e alternativas disponíveis. Estudos na área do apego, relacionados à formação e rompimento de vínculos, observam que estilos de personalidade também estão associados à infidelidade. Pode-se afirmar que enquanto alguns indivíduos tendem a apresentarcondutas mais permissivas em relação à sexualidade, de forma geral, estando mais propensos a envolvimentos afetivospara além da relação matrimonial, talvez pela reduzida capacidade de empatia ou culpa, outras pessoas sentem-se motivadas a buscar novas alternativas de cuidado e atenção diante de sentimentos de solidão ou negligência do(a) companheiro(a). Assim, os elementos fundamentais para o mantimento dos vínculos amorosos como comprometimento, satisfação e investimento, além do modo como cada pessoa funciona em conjunto com o outro (considerando sua história de vida e o contexto no qual está inserido), atuam de forma a ampliar ou bloquear os estímulos externos relacionados à infidelidade.
A infidelidade constitui uma espécie de luto, pois requer que o indivíduo se defronte com a possibilidade de perda do reconhecimento, valorização e amor do outro. Diante desta ameaça, três grandes suposições acabam sendo, da mesma forma, desconstruídas como, por exemplo, a suposição da invulnerabilidade, a suposição do mundo como dotado de sentidos e significados (englobando a crença de que as pessoas merecem o que recebem e vice-verso), bem como as próprias suposições positivas acerca de si mesmo. O risco de perda em virtude da infidelidade mobiliza ambos numa relação, afinal, sua suspeita ou mesmo notificação acaba desequilibrando um funcionamento, até então, estável e seguro, dando lugar a descrenças e questionamentos. Por esta razão, justificam-se os muitos segredos que a infidelidade carrega, o que acaba reduzindo a possibilidade de reconhecimento da perda e de apoio social, tornando o contexto vulnerável e repleto de desconfianças para o(a) companheiro(a) que sofre ou, em algum momento, sofreu esta experiência, sendo esta estendida mesmo em relações posteriores. Nestes casos, em que não há espaço para a fala e expressão das emoções diante da perda, o auxílio profissional psicológico é de grande valia para a promoção da coesão e recuperação da segurança e confiança.
Na medida em que cada indivíduo que compõe a relação toma consciência sobre quais as fontes do desamparo vivenciado por cada um, ambos têm liberdade para iniciar um processo de enfrentamento e resolução do problema, podendo refletir, expor cada questão sem ambiguidades e mesmo tomar decisões conjuntas que proponham novos significados para a relação, sem trair a si mesmo ou ao outro, sem mentiras ou omissões, entendendo as fronteiras que impõem limites e solicitam por respeito.