O debate entre motoristas de taxi e do aplicativo Uber em Bento Gonçalves começou ainda em fevereiro quando a nova modalidade de transporte privado começou a operar no município. De um lado, há os que dizem que o sistema é ilegal e não pode operar na cidade, de outro, está os que afirmam que falta apenas a regulamentação. O problema é que a situação piorou depois que o número de condutores dos veículos liderados pela empresa Uber cresceu mais de 1000% em cinco meses na Capital do Vinho.

Na edição de quarta-feira, 19, o Semanário divulgou as decisões tomadas em audiência entre o prefeito Guilherme Pasin e os taxistas. Os motoristas pediam, inicialmente, o cancelamento do aplicativo Uber em Bento Gonçalves, além de rigorosa fiscalização por parte do Poder Público. No encontro, os representantes da categoria exigiram a criação de uma legislação que acabe com o transporte clandestino e que regularize o translado feito pelo Uber e similares. Segundo o presidente da Associação dos Taxistas de Bento Gonçalves, Daniel Redante, a categoria não é contra o serviço, porém, sem a regulamentação, o trabalho acaba sendo desigual.

Já os motoristas do aplicativo Uber, Fagner Guterres e Lucimar da Silva afirmam que o trabalho feito por eles na cidade é legalizado e que, quando ocorreram as situações de entrega de cartões por parte dos motoristas do Uber, eles foram retirados do serviço. “Eles não podem mais fazer parte do aplicativo, pois cometeram uma infração. Com isso, queremos mostrar que essa situação já está normalizada na cidade e apenas motoristas cadastrados no aplicativo estão fazendo o serviço”, garante Gueterres.
Eles salietam também que pediram ao prefeito uma regulamentação do aplicativo em Bento para que não haja mais dúvidas sobre os serviços prestados. “Se estivermos regulamentados não terá mais motivo para protesto contra nossas atividades, pois estaremos atuando conforme regras e normas para, assim como eles (taxistas) tirar o sustento da família”, observa da Silva.

Audiência com prefeito

Os motoristas do aplicativo Uber que hoje chegam a 57 cadastrados organizaram para o dia 26, às 14h, uma audiência com Pasin para tratar da regulamentação. Em nome do grupo, Guterres afirma que o trajeto para quem quer trabalhar com o Uber não é tão simples quanto alguns taxistas comentaram em protesto. “Passamos por uma rigorosa avaliação, incluindo o pedido de antecedentes crimais. Além do mais, precisamos estar de acordo com muitas solicitações da empresa que inclui seguros que cobrem, inclusive, qualquer dado que o passeiro venha a ter enquanto estiver no trajeto solicitado”, comenta.

Além disso, ele salienta que entende a concorrência, mas que é preciso adaptar-se às tecnologias e novidades de mercado. “Acreditamos que há espaço para todo mundo em Bento Gonçalves, não queremos roubar o lugar de ninguém, mas é preciso salientar que estamos tendo boa aceitação na cidade”, finaliza Gueterres.

Relembre

Desde que o aplicativo Uber comecou a operar em Bento Gonçalves, o Semanário relatou a falta de motoristas e passageiros, ainda nos primeiros dias de fevereiro, quando o sistema iniciou no município e também, das exigências por parte dos taxistitas quanto à regulamentação e posicionamento do Poder Público.

Na edição do dia 11 de fevereiro, Daniel Redante, presidente do Sindicato dos Taxistas de Bento Gonçalves, afirmou que os taxistas iriam “à fundo com nossos advogados, mas se estiver previsto na legislação, teremos que nos adaptar”.

Já na edição do dia 19 de julho, após protesto no centro da cidade, taxistas se reuniram com Pasin e o prefeito afirmou que já estão sendo estudados projetos de lei de outras cidades que legalizaram o serviço do Uber, a fim de criar uma legislação própria para Bento Gonçalves.