Esta segunda-feira foi marcada pela primeira votação, na Câmara dos Deputados, da PEC (Proposta de Emenda Constitucional) nº 241, amplamente comentada. No domingo à noite, o vice-presidente que assumiu a presidência, Michel Temer, recepcionou grande número de deputados, assessores, aspones, gepones, familiares e amigos para um lauto jantar, visando “convencer” a chamada “base aliada” (que, casualmente, era também a “base aliada” do governo destituído, com algumas exceções) a votarem pela aprovação da PEC. Obviamente, as opiniões são divergentes. A tal de “base aliada” fala maravilhas da PEC, assim como os “analistas e comentaristas econômicos da imprensa amiga”. Já aqueles que são opositores do governo ou militam na imprensa “não aliada” juram que essa PEC tem tudo o que de pior poderia existir no que se refere aos interesses maiores da população.

O cerne de tudo, porém, que é o déficit público, ou seja, o rombo causado por termos, em todos os níveis da administração pública (federal, estadual e municipal) as despesas maiores do que as receitas, não está sendo discutido e avaliado com a amplitude e a importância crucial que deveria ter. Ninguém que tenha um mínimo de cultura e interesse em obter informações reais, concretas, sem partidarismos desconhece que o rombo que o Brasil está empurrando com a barriga tem algumas causas fundamentais.

Comecemos com as nababescas remunerações e benesses pagas a setores bem identificados do funcionalismo público que é incessante, seguindo nas aposentadorias e pensões; continuemos com as inacreditáveis e inexplicáveis isenções, reduções e desonerações tributárias concedidas, pelo inconsequente governo Dilma Rousseff, a mais de cento e cinquenta setores da economia, os quais, ao contrário do que muitos – inclusive o governo – imaginavam, não beneficiou em absolutamente nada ao povo, ao consumidor, servindo apenas para engordar os lucros desses setores beneficiados; seguimos com a crescente sonegação de impostos que impera no Brasil – a sonegação atingiu apreciáveis 420 bilhões de reais de janeiro até ontem – e que continua impune; damos sequência com a roubalheira, o desvio, a corrupção que campeia solta no Brasil, do Oiapoque ao Chuí, que são investigadas seletivamente; e não podemos esquecer da Operação Zelotes (sonegadores flagrados, autuados e que, graças a corruptos do mesmo nível seguem sem pagar o que roubaram dos cofres do povo) e de outras mais.

Se nossos governantes e políticos se preocupassem em acabar com isso tudo, obviamente sequer seria cogitada a PEC 241 e a saúde, educação, segurança pública, infraestrutura e todos os demais serviços públicos seriam, no Brasil, os melhores do mundo. Mas, não, continuarão a tomar o dinheiro do povo assim. Até quando? Certamente até que o povo tome consciência disso e coloque um paradeiro nas ações dessa cambada que assola o país há décadas. Enquanto isso, aqueles que sabem disso tudo continuarão a se revoltar. E outros milhões gostariam de entender. Mas nada fazem.