Quem conhece a história de Luiz Inácio Lula da Silva sabe o quanto ele lutou para chegar ao cargo máximo do Brasil, saindo de operário metalúrgico, dirigente sindical, militante político, fundador do PT, etc. Se tem coisa que Lula absorveu nesse tempo todo, passando de deputado federal (Lembram da declaração dele dizendo que a Câmara dos Deputados tinha 300 picaretas?) e derrotado por três vezes em eleições presidenciais, foi experiência, seja profissional, política e de vida. Para muitos, as declarações dele em reunião com blogueiros (que o apoiam e ao PT), dentre as quais a de que “não há no Brasil uma viva alma que seja mais honesta que eu, pode haver igual, mas não mais”, foram motivo de virulentos ataques pessoais ao ex-presidente. Lula, do alto de sua vasta bagagem, sabia muito bem das reações que suas palavras causariam nos seus adversários, inimigos e detratores. Ele se ofereceu como alvo para toda a sorte de agressões. Mas, por que ele faria isso? A mim parece claro: ele é, sim, candidato à presidência em 2018. Lula sentiu que o PT e seus aliados não têm nomes com chances reais de serem eleitos. Então, como ele e sua família já eram o “prato favorito” daqueles que querem minar seu nome, tentando impedi-lo de ser candidato, Lula entrou com tudo na velha máxima dos políticos: “falem mal, mas falem de mim”. Pelas repercussões de suas palavras, o resultado que, imagino, era buscado com tais declarações, foi alcançado, com pleno êxito. Lula, agora, deixou de ser apenas um alvo, mas um “adversário a ser abatido”, custe o que custar. Mas, o mais interessante, no meu entender, é o fato de Lula estar sendo alvo de tudo o que é tipo de “operações” da polícia federal e ministério público, desde 2005 e, até agora, não o terem indiciado por qualquer crime. Começou com o “mensalão do PT, PMDB, PTB, PP….” e não parou mais. A imprensa, comandada pelos “donos do Brasil” que têm a seu serviço membros de partidos, aos quais ela dedica ampla e singular simpatia, não tem deixado Lula uma semana sem “acusações”. Membros da polícia federal e do ministério público não lhe dão sossego e, atualmente, nem aos seus amigos. Que estranhos poderes têm Lula que não conseguem formalizar um indiciamento, uma acusação que possa levá-lo, de uma vez por todas às barras dos tribunais? Os “delatores da Operação Lava Jato” já citaram Lula várias vezes. Nada conseguem provar? Por que, então, não aplicam nele o “domínio do fato” do Joaquim Barbosa? Será porque teriam que aplicar, também, em outros políticos de “alto coturno” que já foram delatados – até em livros – em passado recente? Sem dúvidas, há muito para ser explicado sobre Lula e mais de uma centena de políticos, empresários, banqueiros, empreiteiros, ruralistas, usineiros, etc. A esperança de população brasileira, aquela não seletiva, que quer acabar, mesmo, com a corrupção, certamente está querendo ver todos os corruptos na cadeia e devolvendo o que surrupiaram. E independentemente da data da roubalheira, do montante roubado, do partido ao qual são filiados ou profissão que exerçam. Ou será que não é assim que se “muda o Brasil” de verdade?