“Você não é o que você tem. És a marca que deixas. As lembranças que ficam.”

Jane Krüger

Ser mãe, criar os filhos, ensinar o certo e o errado, transformá-los em boas pessoas e adultos felizes. Uma tarefa nada fácil, não é?  Só quem viveu/vive a maternidade é capaz de entender todo o esforço feito para isso. Psicanalista, psicopedagoga, professora, escritora e mãe, Jane Krüger entende e trabalha diariamente para isso, não só com os seus, mas ajudando famílias a compreender seus filhos.

A mãe Jane

Apaixonada pela vida e pela humanidade, Jane tem três filhos, Esther, Samuel e Estevan e por inúmeros momentos teve que ser mãe e pai. Educou, mostrou a vida, ensinou-os a cuidar das coisas e os deixou livres para seguirem os seus caminhos. “Penso que a verdadeira maternidade está, não em acocar nossos filhos ou lhes dar sempre o melhor (o que definitivamente, não é o melhor mesmo), mas em ajudá-los a desenvolverem o quanto antes a autonomia em todas as áreas da vida. Uma excelente mãe é aquela que cria seus filhos de tal maneira, que seus filhos não precisem dela. Parece muito duro, mas é verdade”, coloca Jane.

 O saber fazer, a independência desde cedo também fez parte do que Jane acha importante na criação dos filhos. “Como criei meus filhos praticamente sozinha, pensei que se algo me acontecesse, seria excelente se eles soubessem se virar, sem depender tanto dos outros. E sabe o que atestei? Definitivamente não somos mães más quando ensinamos aos nossos filhos as tarefas do dia-a-dia e lhes damos responsabilidades. Bem pelo contrário, permitimos assim que amadureçam, desenvolvendo uma autoestima e autoconfiança forte e necessária para todas as etapas da vida”, afirma a psicanalista.

Jane dormiu pouco e com muito sacrifício era mãe e profissional. Quase sempre chegava bem tarde, mas ainda assim, fazia o jantar e reunia os filhos à mesa. Em nenhum momento foi fácil, mas com certeza, valeu a pena, ela afirma. Hoje, a mãe se prepara para ser avó. A filha Esther está grávida e Jane espera ansiosamente pelo primeiro neto.

Ajudando mães e filhos

Tudo está no amor. Jane busca nos seus atendimentos mostrar às mães, que elas têm o privilégio de embalar o destino do mundo. É imprescindível compreender também, que em algum momento da vida, os filhos poderão decepcionar os pais, contudo, se foram lançadas as sementes dos princípios e valores nas mentes e corações dos filhos, os pais podem  ficar tranquilos e confiantes, um dia tudo florescerá.

“Dentre nossa tarefa parental, está também a incumbência de não nos vitimizar,  desculpando os nossos erros pelo simples fato de  nossos pais terem falhado em algum momento também. Uma de nossas maiores missões está justamente em fazer o contrário: Honrarmos. Nossos filhos precisam ver que nós honramos nossos pais, perdoamos suas debilidades e lhes oferecemos hoje, nosso melhor”,  fala  Jane.

Na sua tese “A Teoria da Balança”, a psicanalista defende que para uma criança se desenvolver plenamente, ela precisa de quatro elementos básicos em sua criação, usando o símbolo da balança egípcia, a mesma que representa a justiça.  Cada prato, deve conter o mesmo volume de quantidade dos elementos, caso contrário, haverá um desequilíbrio. Em um dos pratos, amor e afeto; no outro, regras e limites. Para um desenvolvimento pleno a criança precisa se sentir pertencente, amada, entretanto também precisa ter regras e limites, saber claramente o que é esperado dela. “Um dos problemas hoje é que os pais não ensinam aos seus filhos que merecem ser honrados e respeitados; que não estão aqui para proporcionar todos os desejos deles (como muitos pensam e exigem), e que certos comportamentos são simplesmente inadmissíveis”, afirma a profissional.

Uma mãe, que suas próprias experiências, auxilia famílias a se entenderem, mães compreenderem, de uma melhor forma, os filhos, e eles, entenderem os seus limites. “Nossos filhos clamam, na verdade, não pelos brinquedos mais caros, mas por amor verdadeiro, que vai se manifestar com muito afeto, mas também com regras e limites, que lhes proporcionarão acerca de segurança que precisam para crescer emocionalmente e psiquicamente saudáveis”, completa Jane.