Ouvi, li e vi pronunciamentos de pessoas ligadas aos mais variados setores sobre o impeachment de Dilma Rousseff. Concordei com muitos e discordei de outros tantos, mas um, o que tentou comparar este com o impeachment de Fernando Collor é de cabo de esquadra. Obviamente, as diferenças entre um e outro são abissais. Fernando Collor foi acusado de corrupção ativa e passiva, além de outros crimes tendo, posteriormente, todos os processos arquivados pelo Supremo Tribunal Federal, não sendo, portanto condenado. Collor renunciou ANTES de ser cassado pelo Congresso. Dilma Rousseff foi cassada por “incompetência”, como ficou muito claro, escancaradamente claro por tudo o que vi e ouvi. Sim, assisti, pela TV, a todo seu julgamento. As diferenças com Collor ficaram flagrantes àqueles que assistiram sem paixões político-partidárias.

Mais diferenças
Outra e gigantesca diferença é a dos governos de Collor e Dilma. Collor teve – e continua tendo – o grande mérito de nos brindar com o Código do Consumidor, bem como com a “abertura dos portos, versão moderna”, acabando com a “reserva de mercado” de muitos setores da economia, notadamente da informática, além de terminar com a “reserva de área de comercialização de veículos”. Sim, uma concessionária de Caxias do Sul não podia vender veículos para consumidores de Bento Gonçalves. Em 1987 tive que comprar um carro em Porto Alegre em nome de meu sobrinho para, depois, transferí-lo para meu nome. Porém, Dilma Rousseff sequer indiciada foi por qualquer crime, de qualquer espécie, a não ser de “responsabilidade”, que, certamente, não ficou claramente demonstrado no, digamos, “julgamento” a que foi submetida.

Mais diferenças de um…
Quanto ao governo de Dilma Rousseff, todos os que distinguem uma abóbora de um grão de feijão sabem do que ela fez de bom e de ruim, com exceção daqueles que só veem siglas partidárias. Por outro lado, Dilma Rousseff perdeu a maioria absoluta de apoiadores de dezenas de partidos, que tinha no Congresso Nacional, certamente por inabilidade política e por não ter “aparelhado” ainda mais seu governo, o que lhe custou o mandato.

E de outro…
Fernando Collor, eleito pela “mídia amiga” (leia-se Rede Globo) e pelo capitalismo selvagem, jamais teve maioria no Congresso. Ambos foram derrubados por esse “parlamentarismo de fato” (presidencialismo de direito, constitucional) que impera no Congresso, nas assembleias legislativas e nas câmaras de vereadores. Ah, sim, e Collor não tinha nenhum apoio nas ruas. Dilma, comprovadamente, tem e muito forte. Quem imaginava que a tirariam do poder assim, sem mais nem menos, foi porque queriam tapar o sol com peneira. Milhões a apoiam e apoiarão. E se não agilizarem “as coisas” que estão preparando desde 2005, em 2018 teremos surpresas? Quem viver, verá!

Agora vai?
Bem, há que se considerar alguns pontos. Para que o déficit público seja estancado e recuperado, TODAS as desonerações, reduções e isenções de impostos que a inconsequente Dilma Rousseff concedeu – talvez objetivando “ficar bem” com os “donos do Brasil”, os únicos beneficiados com as “gentilezas” – deverão ser revertidos, SEM ÔNUS para a população. Sim, porque os empresários beneficiados pelas “gentilezas tributárias” não as repassaram à população. Alie-se a isso a extrema necessidade de estancar a brutal sangria nos cofres públicos provocada pelas “benesses” sem nexo, sem justificativa plausível, concedidas a setores do funcionalismo público na ativa, aposentados ou pensionistas. E como os partidos que governaram o Brasil de 1995 a 2002 retomaram o poder, inclusive com muitos políticos que lá estavam, agora podemos respirar tranquilos. Eles sabem tudo sobre “crises” e podem, portanto, resolvê-las. Ou não?