Bem, há controvérsias! Para alguns, foi Revolução; para a maioria, Golpe Militar. Mas, independente de qualquer coisa, foi um período em que a “imprensa amiga” (deles) deitou e rolou. Só publicavam as “coisas boas” dos governos militares. As torturas, os desmandos, as liberdade individuais tolhidas, tudo isso, enfim, era “passado a limpo” pela censura. Centenas de músicas, filmes, peças teatrais, etc, jamais chegaram ao público porque tinham sido censuradas. Porém, o que de mais grave aconteceu foi na área da educação e, notadamente, da saúde. Quem viveu aquela época sabe – e, se quiser, pode desmentir-me – que não existia saúde pública. Quando a população em geral precisava de médico, dentista, hospital, só tinha uma opção: PAGAR A CONTA. Uma geração inteira de desdentados foi criada naquela época. Raros podiam pagar um dentista. Se tivesse dor de dente, o mais barato era extraí-lo, pura e simplesmente. O medo era a tônica. Quantas vezes ouvi dizer “o fulano de tal é do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social)”! Greves? Nem pensar! Quem ousaria? Lembro que numa empresas local houve um boato de que os funcionários entrariam em greve. Um monte de agentes federais esteve por aqui e a tal de greve não saiu. As “denúncias” eram coisa comum. Se alguém tivesse um desafeto e fosse amigo “deles”, bastava “denunciar o subversivo” e já era chamado às falas. Que época, meu Deus! O pior de tudo eram as informações filtradas que chegavam ao povo. Os grandes meios de comunicação estavam “alinhados” e, portanto, era “só alegria”. O Sistema Globo de Comunicações, que aderiu ao Golpe Militar, veio a público no final de 2013 para se penitenciar e mantém, até agora, na sua página da internet, o Editorial nesse sentido. Muitos ficaram ricos. Muitas “famíglias” se entupiram de dinheiro. A corrupção existe desde 1.500, não foi inventada agora. O que está acontecendo é que agora ela é denunciada. Não sempre punida, mas, pelo menos, denunciada. Claro que da forma que os “donos do Brasil” (os mesmos daquele tempo, alguns substituídos por familiares) entendem que deva ser levada ao público. Basta se ver que a coisa funciona assim: “aos amigos, tudo; aos inimigos, os rigores da lei”. O que, particularmente, gostei da época da ditadura foi que as pessoas, as entidades, os professores, os pais, os idosos, as autoridades, todos era respeitados. Atualmente respeito é palavra em total extinção. Lamentavelmente. E Bento Gonçalves, sem dúvidas, perdeu muito com a ditadura militar. É só consultar a história para ver. Temo, porém, que a continuarem com a velha história de que “os comunistas comiam criancinhas”, algumas ideias obtusas (que já estão rolando pela internet) tomem vulto. Será que existe tal chance? Sinceramente, duvido.