Terça-feira, 30 de Junho de 2026

ÚLTIMA HORA

Fila para cirurgias eletivas está parada

Pelo menos 500 pacientes de Bento Gonçalves aguardam pela realização de cirurgias de alta complexidade encaminhadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), porém, o Hospital Pompéia, único credenciado da região para realizar os procedimentos, dispensou a habilitação do Governo Estadual. Somente neste ano, 40 novos casos foram abertos no município e a fila permanece parada.

Nas situações de urgência e emergência, os pacientes ainda estão sendo atendidos pelo Pompéia. Segundo o coordenador médico da Secretaria de Saúde, Marco Antônio Ebert, recentemente um dos casos teve de ser encaminhado ao Tacchini, uma vez que o hospital caxiense alegou que não tinha condições de prestar o serviço. “Foi uma situação pontual e grave”, frisa.
Ebert contabiliza que, na região, a demanda é de aproximadamente 2 mil pessoas, sem contar Caxias do Sul e Farroupilha. “Como a fila está parada, não temos como contar o tempo médio de espera”, afirma.

Ainda segundo Ebert, para os procedimentos voltarem a ocorrer, é necessário que os 22 municípios envolvidos construam um novo modelo, com outro prestador de serviços. “Existem tratativas, mas ainda estamos em fase de negociação”, salienta. Para o coordenador médico, é essencial que os municípios negociem o reajuste da tabela SUS, que define o valor dos repasses para alta complexidade para os municípios. “Ninguém quer assumir porque os repasses não cobrem as despesas”, pontua.

Possibilidade

O Hospital Tacchini sinalizou interesse em atender a demanda regional ainda em 2016, porém, a condição é que haja mais aportes de recursos para os procedimentos. Segundo o superintendente executivo da instituição, Hilton Mansio, os valores repassados pelo Estado e União, baseados na tabela SUS, não são suficientes. “Antes o serviço precisa ser organizado”, afirma. Ele aponta ainda que, em 2016, o Tacchini fechou o ano com um déficit de R$ 17 milhões em relação ao SUS.

O presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers), Fernando Weber Matos, discutiu a questão com o município e o Hospital Tacchini na quinta-feira, dia 27. Ele afirma que está à disposição para mediar negociações com a Secretaria Estadual de Saúde e com Bento Gonçalves. “Também é necessário estabelecer qual é a posição de Caxias do Sul, precisamos de uma solução”, ressalta.

Leia mais na edição impressa do Jornal Semanário deste sábado, dia 29.

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