Terça-feira, 30 de Junho de 2026

ÚLTIMA HORA

Eu prefiro morrer do que perder a vida¹

Somos um aglomerado de experiências, dores, saudade, medos, crenças. É tão clichê afirmar que somos únicos, mas não entendemos a profundidade da expressão quando lemos ou ouvimos. Não paramos para pensar nos detalhes. Viajamos por diversos lugares, comuns a tanta gente, mas cada um sente e vivencia algo diferente. Para o outro lado do mundo, ou o outro lado da cidade, a viagem pode ser tão rica de experiências. Há quem viaje só nas férias ou quem faz disso sua vida (queria). Uns para fugir, outros para descansar ou para trabalhar. A vista da minha janela, ora me faz sentir que existe um mundo inteiro para desbravar, ora sinto que vai ser sempre tudo igual.


Erramos o tempo todo a fim de acertar. Cada um tem seus subterfúgios. As pessoas estão muito machucadas e arriscar já não é uma opção. Perdemos a confiança, um pouco do amor próprio, aquela alegria boba de se arrumar num sábado à noite. Já não queremos mais nos apegar, porque aquele “para sempre, sempre acaba” e antes mesmo de começar já estamos lá no fim, para não sofrer.


Realmente, a sensatez nos faz ir para um caminho frio e realista demais. Melhor ficar em casa, melhor não se envolver, melhor não começar, melhor ir dormir porque dormindo não me estresso. Não me incomodo. Não sofro. Não vivo.


E então a gente começa a sobreviver. Requer um emprego estável para atender as necessidades básicas, como comida, água, vestimentas, locomoção e um bom vinho de vez em quando. Relacionar-se para suprir a carência, de preferência com bonecos infláveis, encher a cara quando estiver com problemas, focar em alguma promoção de carreira e um pouco de toxina botulínica.


Viver é um pouco mais arriscado. Exige que você comece tudo como se estivesse fazendo pela primeira vez, mas com a maturidade que você conquistou. É um cálculo difícil, não sabemos por antecipação o que vai somar na sua vida e o que não vai, se estamos errando tentando acertar. E isso, nunca iremos saber. Não precisa se jogar em qualquer piscina, é só colocar o pé para ver se não é rasa demais.


Posso achar que a cada decepção não deva tentar mais, que não existe alguém que mereça uma chance, que as pessoas são todas iguais. É uma reação normal, mas ela não dura muito. Quero viver, quero experimentar, sempre me arrependi daquilo que não fiz, porque nunca vou saber o que deixei de ganhar. Não fazia por medo, por comodidade. Mas espero que, sempre que puder, eu me permita mais. Mesmo que eu erre tentando acertar.


“Será que perdi alguma coisa fazendo isso? Não deveria ter feito?” Ainda penso se é melhor tentar, nem sempre vamos conseguir ficar em cima do cavalo que passou encilhado. Às vezes ele era a carona de outra pessoa. Paciência.


Tentar ainda é a melhor oportunidade. Mesmo que não seja a escolha certa, de alguma forma, ela vai lhe ensinar alguma coisa. Mesmo que seja aprender a chorar sem deixar as lágrimas caírem. No amor e na dor, privar-se de sentir é como morrer lentamente.

¹ Do Oito, Chaves.

Uma resposta

  1. Hoje eu precisei reler inúmeras vezes. Precisei dar mais atenção que o normal, porque hoje, tuas palavras tocaram mais profundamente.

    Eu sempre digo às pessoas que passam pela minha vida ou que nela ainda se encontram, que somos a bagagem que carregamos. Nela contém alegrias, tristezas, experiências, saudades, sonhos e pensamentos infinitos. Por mais que seja clichê, somos de fato únicos porque ninguém além de nós mesmos pensou ou sentiu o que nós passamos e sentimos. Ninguém nunca entenderá nossa dor. Deveríamos sim dar mais importância aos pequenos detalhes, porque mesmo que o caminho seja igual para mim e para você, são eles, os detalhes, que farão a diferença.

    Erros fazem parte do processo, e infelizmente eles sempre nos machucam, mas não podemos esquecer que também aprendemos com eles. Temos medo, muito medo, e quando falo muito, é muito mesmo… medo de trocar o certo pelo duvidoso, medo de arriscar, medo de sofrer novamente, medo de chorar. Nesse processo, perdemos confiança e todos sonhos de felizes para sempre, e nos sabotamos inconscientemente, terminando tudo antes que comece.

    É uma briga entre razão e coração, tão grande, que nem conseguimos medir a proporção da mesma. É mais fácil e cômodo não mudar. Deixar as coisas como estão e somente seguir.
    Afirmando diariamente que tá tudo bem. Que a vida quis assim. Que assim era pra ser. Quando por outro lado nosso coração grita o contrário: “Vá ser feliz! Me deixe viver novamente!”

    Aos poucos, vamos entendendo que é importante termos emprego, dinheiro, e bens materiais, porque aqui, neste mundo isso nos foi imposto. Mas que, em contra partida se não tivermos carinho, amor e emoção, nada adianta termos o resto, sempre faltará algo.

    Sabemos o quanto arriscado é. Exige esforço, dedicação e comprometimento. Mas também existe o frio na barriga, aquele que é indescritível e que buscamos quase que diariamente para…. nos sentirmos vivos!

    Nosso maior erro talvez, é achar que não devemos tentar novamente depois de passarmos noites chorando em claro. É normal que isso aconteça, mas isso não pode durar. Não deve! Queremos viver, experimentar, aprender, errar novamente e levantar. Prefiro sempre seguir minha vida sabendo que tentei e errei, do que ficar o resto dela pensando no que poderia ter sido.

    O ser humano sempre busca certezas, provas e outras tantas comprovações de coisas que nem ele mesmo sabe explicar. Quando deveria mesmo, aproveitar as oportunidades que a vida dá diariamente. A cada amanhecer, aonde ganhamos um novo dia. Um novo dia, para novas oportunidades de tentar sorrir e ser feliz.

    Paciência mesmo, se o cavalo que passou não era nosso. Paciência se chorarmos novamente.

    Paciência se não for nosso final feliz. Tentar é realmente a melhor oportunidade… dentre erros e acertos busco pensar que eles não existem. Existe somente o que nos faz feliz e o que não nos faz mais. Arrependimento é parte do processo muitas vezes. Mas já pensou se lá, naquele medo de tentar, naquela oportunidade, morar tua felicidade?

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