Quarta-feira, 01 de Julho de 2026

ÚLTIMA HORA

Domingo, sangrento Domingo, em Santa Maria

Eram mais de 230 jovens que tinha uma vida inteira pela frente. Acadêmicos que possuiam sonhos, que foram interrompidos por conta de uma tragédia que poderia ser, facilmente, evitada.

O risco de uma tragédia deste âmbito se repetir é alto em um país onde as casas noturnas conseguem funcionar com o alvará vencido e sem uma saída de emergência e um sistema anti-incêndio. O país está em luto e revoltado com a situação de descaso por parte dos proprietários da boate Kiss, em Santa Maria, onde no último domingo, 27, mais de 230 pessoas perderam a vida. Torna-se inadmissível o fato dos proprietários da casa, permitirem a presença de quase 1500 pessoas em seu interior, sendo que a capacidade da mesma era de 691 pessoas. A mesma só possuía uma entrada, a qual era utilizada como a única saída.

Lamenta-se o fato de ocorrer uma tragédia de tamanha proporção para, depois disso, nossos governantes resolverem se preocupar com estes casos depois do ocorrido. As boates sem fiscalização, com o mínimo de segurança, sem sistemas contra incêndio e com profissionais despreparados para tais situações sempre existiu em nosso país. É tempo de haver a consciência da humanidade em se preocupar mais com o mundo em que se vive, e menos com o umbigo, trazendo Deus às suas vidas, e valorizando aquilo que temos de melhor, que é a vida, o amor, o carinho, a amizade e o respeito com as pessoas. Mas isto parece estar esquecido por boa parte da humanidade, que prefere pensar no lucro e na moeda mais do que na natureza humana. São atitudes como esta que resultam em tragédia como a ocorrida na boate Kiss. Afinal, qual seria a justificativa, senão a financeira, para a direção de uma casa noturna não coibir a entrada de mais de 50% do limite permitido? Não podemos dar credibilidade a um estabelecimento sem saídas de emergência, sem sinalizações e treinamentos de seus funcionários e que ainda não se importava que o alvará venceu há cinco meses e que as câmeras de segurança estavam desligadas há quase 100 dias. As janelas emperradas, que poderiam ter salvo mais vidas, também demonstram que o local era um labirinto irregular, colocando as pessoas em risco e com a dificuldade de achar a saída para a salvação.  Lamentamos e oramos pela tragédia destas mais de 230 famílias que perderam filhos, netos, primos, sobrinhos, tios, afilhados, amigos, colegas, vizinhos, namorados, noivos, maridos e esposas. Não temos a consciência da dor de perder um ente querido em uma situação lamentável conforme ocorreu na boate Kiss. Porém temos a consciência do fato de permanecemos indignados com a irresponsabilidade de algumas pessoas, que geram catástrofes como esta ocorrida no “Coração de Rio Grande”. É dada a hora de nos darmos aos mãos e orarmos por aqueles que já não estão aqui conosco. Como diz a música da banda irlandesa U2 (Sunday, Bloody Sunday) “Não posso acreditar nas notícias de hoje. Não posso fechar os olhos e fazê-las desaparecer. Quanto tempo, quanto tempo teremos de cantar esta canção?

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