Segunda-feira, 17 de Agosto de 2026

ÚLTIMA HORA

Documentos de trabalhadores dispensados, da M.Dias Branco, ainda não foram liberados

Operários relatam dificuldade em pagar as contas ou arranjar emprego, enquanto empresa ainda retém carteiras de trabalho

Trabalhadores dispensados da S&M Engenharia, que prestava serviço para a M.Dias Branco, continuam com suas carteiras de trabalho retidas na empresa, o que dificulta a busca por outros empregos. Além disso, eles relatam que passam por dificuldades financeiras, como problemas para pagar o aluguel ou as despesas básicas.
Mesmo com o protesto que impediu a circulação de caminhões, no dia 22 de janeiro, as negociações entre trabalhadores e empresas não prosperaram. Desde então, muitos começaram a ingressar com processos na Justiça do Trabalho.
O advogado Willian Nunes Alves, de Canoas, entrou com dez ações sobre o caso nesta semana. De acordo com ele, a prioridade é um pedido de tutela de urgência, visto que não foi dado baixa nas carteiras de trabalho. “Assim podemos solicitar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e o seguro desemprego”, aponta.
Ele explica que a empresa comunicou a dispensa, mas as demissões não foram formalizadas. “Eu já atuei contra eles, no mesmo período, em 2017. Na ocasião eram cerca de 15 reclamantes e nós obtivemos êxito em todos”, comenta. O advogado também relata que, à época, também foi solicitada as verbas de insalubridade.
Segundo o advogado, muitos dos seus clientes dependem do dinheiro para o aluguel e pagamento de luz, água e comida. “Por isso, esses processos são prioridade aqui no escritório. As pessoas dependem do valor para o sustento da família, a grande maioria tem filhos”, enfatiza.
A expectativa de Alves é de que o Judiciário responda sobre o pedido de tutela de urgência até o final desta semana. Ele também observa que há outras questões a serem colocadas. “Muitos pertences pessoais ficaram no alojamento e foram descartados como lixo. “A empresa colocou em um saco e deu um prazo de 48 horas para buscar, mas muitos não são de Bento Gonçalves”, ressalta.
Na opinião do advogado, a reforma trabalhista, aprovada em 2017, não deve impactar nos direitos materiais dos trabalhadores, como horas-extras. “A nova lei excluiu o sindicato. Com essa dispensa, não há necessidade de comunicação entre o órgão e os trabalhadores. As demissões não precisam ser homologadas na entidade”, comenta. O Semanário tentou contato com a M.Dias Branco, mas até o fechamento desta edição os questionamentos não foram respondidos.

 

Quase um mês de espera

Desde dificuldades para pagar aluguel e até para comprar comida. Trabalhadores que enfrentam o atraso do salário e das verbas rescisórias também encontram dificuldades em arranjar emprego, uma vez que a carteira de trabalho continua retida com a S&N Engenharia e M.Dias Branco.
Segundo o trabalhador Elonir Schutch da Silva, as empresas não querem contratar quem está sem o documento. “O advogado disse para gente ir para a Justiça, que não tem outro jeito”, enfatiza. Ele aguarda o pagamento das verbas para acertar suas dívidas. “Isso tem causado problemas financeiros. É complicado para comprar comida, pagar água e luz”, lamenta.
Um trabalhador que não quis se identificar relata que a S&N Engenharia solicitou que fosse até Porto Alegre para dar baixa na carteira, no entanto, logo após, a empresa se negou a dar prosseguimento no processo. Ele conta ainda que já passou por duas entrevistas, mas no momento da contratação acaba não sendo contratado. “Eles falam que não querem me aceitar porque a carteira está em aberto. O que as empresas estão fazendo conosco é uma humilhação total, vai chegar um ponto que irá faltar dinheiro para o pagamento do aluguel, para por comida na mesa”, argumenta.

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