Sexta-feira, 07 de Agosto de 2026

ÚLTIMA HORA

Dia dos Pais sem o pai

O segundo domingo de agosto se aproxima e, para mim, ele nunca chega sozinho. Há três anos, o Dia dos Pais também se tornou o aniversário da partida do meu pai.

Ainda me surpreendo escrevendo isso. Três anos. Parece que o tempo passou rápido demais para o calendário e devagar demais para o coração.

Descobri que o luto muda de roupa. No começo, ele grita. Depois, aprende a falar baixinho. O tempo cicatriza a ferida, mas aumenta a saudade.

Com o passar dos anos, a memória começa a falhar. A gente faz força para lembrar exatamente do cheiro do perfume, do timbre da voz, das expressões que só ele usava. O corpo aprende que não vai mais encontrá-lo por acaso na rua. O telefone nunca mais toca com aquele nome na tela convidando para um churrasco e dizendo: “É sim ou não? Me responde até amanhã cedo.”

Ninguém mais falou comigo em italiano. Ninguém mais me chamou de teimosa daquele jeito que só um pai consegue chamar. Nunca mais tomei uma caipirinha com o mesmo gosto. Nunca mais aprendi alguma coisa vendo primeiro as mãos dele fazerem.

A parte mais difícil não é apenas aceitar a ausência. É aceitar tudo o que ela levou junto: as conversas que não tivemos, os almoços adiados, os conselhos que eu ainda pediria e os abraços que meu filho poderia ter recebido.

Mas existe uma presença que a morte não consegue levar. Ela mora nas escolhas, nos gestos e naquilo que nos tornamos. Em muitos momentos da vida, ainda me pego pensando: “O que o pai faria agora?” E, de alguma forma, a resposta sempre chega.

A gente cria os filhos do jeito que foi amado. Repete frases, valores e gestos sem perceber. O legado de um pai continua vivo na forma como seguimos caminhando.

Meu pai tinha presença de verdade. Dessas que preenchiam a casa e o coração de quem estava por perto. Seu exemplo sempre me deu orgulho de ser sua filha.

Pai, já são três anos sem poder te abraçar. Mas ainda te encontro em mim. Nas decisões difíceis, na coragem que você me ensinou e no amor que deixou. Ouvi uma frase que nunca mais esqueci: A saudade é o azar de quem já teve muita sorte. E talvez seja isso. Só sente tanta falta quem um dia foi profundamente amado. Se você ainda pode abraçar seu pai neste domingo, faça isso sem pressa. Escute mais uma história, aceite aquele convite para um almoço, tenha paciência. Um dia, o que parece comum será exatamente aquilo de que você mais sentirá falta.

Ao meu marido, Feliz Dia dos Pais. Ver você sendo um pai presente torna este dia mais leve e me faz acreditar que o maior legado que um pai pode deixar nunca é material: é a forma como um filho aprende a amar.

A todos os pais, que sejam eternos no coração de seus filhos. Porque alguns partem da nossa vista, mas jamais da nossa vida.

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