Principalmente em épocas de baixas temperaturas, o serviço de delivery é muito requisitado na Capital do Vinho. Conheça o dia a dia de Rafael, Rubens e Maicol, que trabalham em prol do conforto dos cidadãos bento-gonçalvenses

Uma atividade considerada por muitos perigosa, por enfrentar o trânsito e as condições climáticas, tem crescido no Brasil, especialmente após a pandemia da covid-19. Segundo dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no último dia 10, cerca de 1,5 milhão de pessoas trabalham com transporte de passageiros e entrega de mercadorias. Destes, 20,9% fazem entregas em motocicletas.

O crescimento da quantidade de profissionais é expressivo entre 2016 e 2021. Ainda conforme o Ipea, o aumento foi de 1.188%, passando de 25 mil para 322 mil motoboys no país. A pesquisa afirma também que a maior parte desses trabalhadores é homem e tem menos de 50 anos. Com relação à escolaridade, apenas 5,6% dos entregadores têm ensino superior.

Sobre os ganhos financeiros, a média salarial brasileira desde 2020 ficou em R$ 1,5 mil por mês, ou seja, apenas R$288 a mais do que o salário mínimo atual. Em Bento Gonçalves, a situação é semelhante.

Realidade de quem transita pelas ruas bento-gonçalvenses diariamente

Rafael Pimentel, 33 anos, é casado, e tem duas filhas. Ele conta que escolheu a profissão de motoboy, na qual atua há três anos, pois vinha enfrentando algumas dificuldades financeiras. “Comecei fazendo extras à noite. Essa profissão surgiu, quando pedi para amigos se tinha oportunidade em algum lugar para eu começar”, relata.

Segundo ele, hoje as entregas que realiza, em lojas e empresas, são sua principal fonte de renda. “Não trabalho com carteira assinada. Sou autônomo e não ganho nenhum outro benefício”, aponta.

Conforme Pimentel, os desafios enfrentados são a chuva, o frio, o trânsito e a imprudência. “O maior perrengue que passei foi quando tive que terminar meu dia, devido ao temporal. Sinto medo, pois não sabemos o que o dia nos espera, pelo fato de não poder voltar pra casa no fim do expediente”, declara.

No entanto, ele afirma que a profissão lhe traz felicidade. “O que eu mais gosto são os amigos que faço, ser bem recebido pelos clientes”, salienta. De acordo com Pimentel, os ganhos são suficientes para sustentar a família e pagar as contas. “A demanda aumentou, tanto na pandemia quanto depois dela”, ressalta. Questionado sobre se pretende continuar na profissão, ele afirma que sim.

Desafios no trânsito

O jovem Rubens Henrique de Araújo da Costa, de 25 anos, trabalha como motoboy desde 2019. Ele lembra que a profissão surgiu a partir da oportunidade para fazer renda extra, em horários distintos ao seu trabalho fixo, unindo o gosto por andar de moto a uma chance de ter melhores condições financeiras.

De acordo com Costa, a maioria das entregas que realiza são do ramo alimentício, como restaurantes e lancherias. “Mas faço entregas e coletas de documentos, remédios, entre outros produtos”, salienta.

O que o entregador mais gosta na profissão que exerce é a oportunidade de conhecer pessoas e lugares novos todos os dias, mas que na Capital do Vinho não é fácil pilotar uma motocicleta. Segundo ele, o maior desafio é o trânsito. “Aqui em Bento é bem complicado, tem que estar sempre atento”, ressalta.

Como motoboy ele é autônomo, mas também tem carteira assinada trabalhando no hospital do município. Costa garante que apenas mantendo os dois empregos consegue pagar as contas e sustentar a família. “O custo de vida em Bento não é barato”, opina.

Na época que iniciou a pandemia, o profissional menciona que fazia entrega de farmácias, e que a demanda mais que dobrou. “Com o passar dos meses, as pessoas aderiam cada vez mais serviço para poder receber seus pedidos na comodidade do seu lar. A procura por motoboys também aumentou, foi onde comecei também fazer entrega de comidas”, conta.

Pai de primeira viagem, Costa tem um menino a caminho, que nasce em julho. Pela profissão ser perigosa, ele pretende seguir como motoboy momentaneamente. No futuro, entretanto, deve mudar de ofício. “Os maiores perrengues são o trânsito e clima. Mas a falta de empatia de alguns motoristas com certeza é a pior. Não tenho medo, mas preciso ter uma atenção redobrada no trânsito”, conclui.

Uma década de serviços prestados

O motociclista Maicol Deivid Soares, de 41 anos, conta que a oportunidade de trabalhar com entregas surgiu através de um amigo em uma época de dificuldade, há cerca de 10 anos. “Gosto de todos os trabalhos que aparecem e auxilio alguns colegas de profissão também”, evidencia.

Casado e com três filhos, a contribuição com o sustento da família vem totalmente por meio da função de motoboy, pela qual tem carteira assinada. “Com os ganhos consigo pagar as contas, porém com o aumento excessivo da gasolina não está fácil”, destaca.

Ele afirma que de uns tempos para cá ocorreu um aumento significativo nas entregas, e também cresceu a quantidade de motoboys. A respeito dos perrengues no trabalho, Soares garante que já passou por alguns. “Por trabalhos mal feitos por nossa administração pública em relação às vias sem sinalizações”, explica.

Apesar das dificuldades já enfrentadas, o motoboy continua com coragem, dia após dia, exercendo sua profissão. “Não tenho medo nenhum, com o passar do tempo vem a experiência, então sou mais cauteloso”, confessa.

Foto em destaque: Thamires Bispo