Quase seis meses depois do início do ano letivo, mais de cem escolas estaduais do Rio Grande do Sul enfrentam problemas para cumprir o calendário de aulas devido as más condições estruturais. A solução, para mais de 10 mil alunos dos cerca de 2 milhões matriculados na rede pública, é improvisar salas de aula em igrejas e CTGs (Centros de Tradição Gaúcha). Em Bento e em toda a área de abrangência da 16ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), a realidade não aponta para casos extremos, mas há problemas estruturais em diversas escolas.

Um levantamento feito pelo CPERS (Centro de Professores do Rio Grande do Sul) mostrou que metade das escolas estaduais públicas não têm ou não sabem se têm plano de prevenção contra incêndio, por exemplo. De acordo com o estudo, realizado por sistema de amostragem em 355 unidades de ensino de todas as regiões do Rio Grande do Sul, 61% dos estabelecimentos de ensino que responderam ao questionário afirmaram não ter condições mínimas de funcionamento. Nos casos mais graves, a única alternativa é os alunos saírem da escola para terem aulas em outro lugar.

Por isso, o projeto do governo do Estado para investir de forma significativa na reforma de escolas públicas de todo o Rio Grande do Sul vem em boa hora. De acordo com a Subsecretaria da Administração Central de Licitações (Celic), órgão vinculado à Secretaria da Administração e dos Recursos Humanos e responsável pela coordenação dos processos licitatórios da Administração Direta, mais de 70 estabelecimentos de ensino serão reestruturados e reformados. Em Bento Gonçalves, seis escolas estaduais estão na lista da secretaria. Em toda a coordenadoria, o número pula para 20 escolas.

Ao final das licitações destas escolas, a Celic conseguiu uma redução de 17,33% sobre o valor estimado. Tal porcentagem significa uma economia de aproximadamente R$ 6 milhões aos cofres públicos. Com a nova liberação de recursos, os investimentos do Executivo na educação, de janeiro até a metade de maio de 2013, superam os R$ 26 milhões. Até o final do semestre, deverão ocorrer novas licitações, tendo em vista que 53 processos administrativos, referentes às obras escolares, encontram-se no Departamento de Licitações Centralizadas da Celic.

Para a subsecretária da Celic, Nizani Torres, as reformas contribuem para a qualificação do ensino público estadual. “Esta iniciativa do Executivo estadual compõe a política de melhorias na rede de ensino público e visa contribuir nas condições de educação e aprendizado. A ideia é proporcionar um ambiente inserido em um novo conceito de ambiente escolar, com estrutura necessária para que seja um espaço qualificado”.

Mesmo assim, os estudantes só poderão usufruir das melhorias para o ano que vem, por conta da burocracia que estima que as obras deverão começar perto do final do ano. Enquanto isso, será preciso, muitas vezes, uma boa dose de criatividade e equilíbrio.