Quarta-feira, 01 de Julho de 2026

ÚLTIMA HORA

Cresce número de denúncias violência sexual infantil

Quando criança, tememos os monstros que possam estar escondidos debaixo da cama ou sair de armários, frutos de uma imaginação fértil ou do medo do desconhecido. Infelizmente, com o passar do tempo descobrimos que o que para nós não passou de afloração criativa se tornou a realidade para milhares de crianças. Ao invés de uma criatura voraz, a figura paterna. No lugar do medo do obscuro, o horror da violência sexual. Nas duas últimas décadas, o fenômeno do abuso infantil tem se apresentando como um problema social preocupante no cenário mundial e brasileiro em particular. Somente em Bento Gonçalves, cerca de 30 casos foram relatados ao Conselho Tutelar entre 2015 e 2016. O número, considerado alto por profissionais da área, preocupa, entretanto, os casos que ocorrem na obscuridade, dentro de quatro paredes e que por muitas vezes permanecem velados por pretextos diversos, é o que realmente consterna os profissionais da área.

Em virtude do acobertamento feito em muitos dos casos, o número de situações de agressão sexual a crianças e adolescentes na cidade pode ser significativamente maior. É consenso entre os órgãos responsáveis pelo cenário que, embora o processo para denunciar casos tenha evoluído, com a inclusão do Disque 100 ou a suspensão da necessidade de identificação para a realização de denúncias, existem entraves, como a cumplicidade familiar, o medo à exposição ou até mesmo a recusa à separação de companheiro que intrincam a constatação do crime e a punição do ou dos responsáveis.

O medo da formalidade de uma denúncia pessoal também acaba se tornando empecilho no combate à violência sexual infantil. De acordo com o promotor da Infância e Juventude do Ministério Público (MP), Elcio Resmini Meneses, este ainda é uma das principais dificuldades enfrentadas pelos órgãos competentes. “Pelas nossas experiências, os casos que chegam a ser revelados são ocorrências mais concretas e até de mais tempo, porém existem situações de pessoas que não denunciam ou acabam indo procurar ajuda de outras formas, porém, sempre relutando para que o caso não se torne uma denúncia formal, complicando o trabalho do Ministério Público”, explica.

Entretanto, o promotor pondera que mesmo com o crescimento do número de denúncias, para um processo ter continuidade e aceitação é preciso ter provas, o que pode acabar gerando outros contratempos processuais. “Não se pune ninguém sem certezas, então, para desvelar esse ambiente hostil, dependemos muitas vezes da vítima, que possa narrar com credibilidade o ocorrido, visto que a palavra de testemunhas tem relevância em julgamentos”, ressalta.

A constatação de que o medo das possíveis represálias ou futuras ações resultantes de uma denúncia possa voltar-se contra o denunciante, expressas pela Promotoria, são corroboradas pelos conselheiros tutelares do Município. Entretanto, para os titulares, o trabalho realizado pelo órgão atualmente tem instigado a comunidade a desfazer-se das amarras que impediam a realização de apontamento das situações.

Leia mais na edição impressa do Jornal Semanário deste sábado, 14 de maio.

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