O prefeito de Caxias (480 mil habitantes) ganha hoje R$ 21.529,00 mensais. Seu vice R$ 15.871,00, seus secretários R$ 14.175,00 e os vereadores R$ 9.046,00. O prefeito de Bento (110 mil habitantes) ganha R$ 18.577,00 mensais. O vice-prefeito ganha R$ 13.004,00. Os secretários R$ 9.288,00. E os vereadores R$ 9.288,00 mensais. Os vereadores de Bento fazem uma Sessão Plenária por semana, às segundas feiras, às 18h. Os vereadores de Caxias, que ganham R$ 242,00 mensais menos que os de Bento, fazem três sessões plenárias semanais, às terças, quartas e quintas feiras, às 15h45min. Alguma coisa muito errada nisso, ou o pessoal de Caxias ganha pouco ou há exagero aqui em Bento. Por outro lado os vereadores caxienses trabalham durante a tarde em plenário, três vezes por semana, os de Bento, uma vez por semana, às 18h.

Toco neste assunto porque esta semana o Prefeito anunciou decreto baixando em 20% seu salário, e do vice, 10% o salário dos secretários e 5% dos cargos em comissão. Não foi para corrigir distorções, mas sim porque a Prefeitura está mal de finanças. Ela atrasou pagamentos e rescindiu alguns contratos firmados. O secretário da Fazenda, Marcos Fracalossi, para não ficar com a pecha de mau gestor das finanças públicas, disse que alertou o Prefeito ainda em março, mas que o prefeito sentenciou: “vamos atrasar pagamentos, cortar contratos, mas as obras não podem parar”. E assim se fez, parece estar claro. Porém, o que salta aos olhos, é o fato do desequilíbrio que se estabeleceu nas finanças públicas da gestão Pasin.

Ainda está repercutindo, aos nossos olhos e, aos nossos ouvidos, a tempestade de críticas que se abateu sobre o desequilíbrio das contas do ex-prefeito Lunelli. E agora temos que nos acostumar e aceitar o desequilíbrio, as proporções não se discute, das contas da Prefeitura. O confronto dos vencimentos entre Caxias e Bento, dá uma exata idéia de onde partem esses desequilíbrios. Não me compete dizer, isso não vem ao caso, ou apurar a responsabilidade de quem quer que seja, mas é notório que tanto a Câmara, quanto o prefeito, estão gastando onde querem, o quanto querem e com quem querem (é da natureza do cargo), o que nos leva a concluir que não devemos levar muito a sério o fato da Prefeitura estar “mal de pernas”. É uma pena que a não reavaliação do plano de prioridades do prefeito tenha que penalizar fornecedores. E é uma pena também que o prefeito venha a reduzir salário (não tenho a mínima ideia como ele possa vir a fazer isso, porque ele terá que receber, salvo melhor juízo, os vencimentos determinados em lei) porque a Prefeitura anda mal, e não porque há exageros nesses vencimentos, se é que há.

Registra-se que o prefeito recusou aumento de vencimentos para o próximo ano. Estas ações, estes procedimentos, esta situação, não fará que se julgue Pasin um bom ou mau Prefeito. Elas apenas evidenciam que a postura do Prefeito tem que mudar, as prioridades tem que ser repensadas, levando-se em conta que o povo de Bento é muito politizado, acima da média estadual, eu diria.

Parto sempre da filosofia apartidária de que Prefeito eleito tem que dar certo, Bento precisa disso, estamos reflorescendo, é bem verdade, mas nossa estrutura política, social e econômica ainda é arcaica e pesada. Sartori está transpirando sangue para quebrar paradigmas e modernizar o estado, quem sabe tenhamos por aqui transpiração igual ou superior? Reduzir salário para equilibrar finanças e não para corrigir distorções, me parece mais uma bravata do que ato de louvor. Pasin merece nosso apoio porém, eventualmente, dá mostras de estar mal assessorado ou de não ouvir quem deve ouvir. Que tudo venha a se resolver, em Bento, por Bento e com Bento.

Circuladas e Constatações
Sempre tive vontade de conhecer Vitória. A troca das passagens por pontos e a promoção de 40% de desconto no valor da diária do Hotel, me levou até lá, recentemente. A Capital do Espírito Santo é a terceira melhor cidade do Brasil em qualidade de vida, levem em conta que é capital de estado. A cidade é encantadora, uma mini Rio de Janeiro, o povo é feliz, a moqueca capixaba (chamada assim porque não é feita com azeite de dendê e sim com óleo de coco, assim se torna leve e deliciosa), é uma atração na culinária, são praias lindas com vida social intensa.

Nas circuladas fui até Guarapari, onde estão, ou estavam, as areias pretas, que dizem ser medicinais. Vi pouca areia preta, eu a queria para me lambuzar e afastar a nhaca, mas encontrei pouca, questionei moradores, me disseram “os turistas levaram em baldes” para talvez, que outra razão haveria, continuar o tratamento em casa. As reservas ecológicas são imensas e respeitadas.

Em Vitória, na denominada Praça do Papa, preservada e utilizada para exposições em interessantes pavilhões móveis, junto ao mar está o Projeto Tamar e suas tartarugas. Eles recolheram do mar uma tartaruga ferida, trataram dela durante dois anos e num domingo marcaram a volta dela ao mar. Cerca de mil pessoas acompanharam o retorno da bichinha à vida marinha e, quando ela chegou até a água foi saudada e aplaudida pela massa humana. O Projeto Tamar é de visitação constante, assídua e numerosa. Mas, um belo dia, eu queria saber dos roteiros turísticos, como temos aqui a Estrada do Sabor, o roteiro do Vale dos Vinhedos, Caminhos de Pedra, etc…, eles tem lá o roteiro das Montanhas, de um lado a zona alemã, do outro a zona italiana. Lá fui eu, de carro, rumo a Venda Nova do Imigrante, cidade italiana do tamanho de Monte Belo, distante 140 km da capital. Não levei em conta que a rodovia é ligação direta com Belo Horizonte, o movimento era intenso de vai e vem, além de ser fim-de-semana, o pessoal de lá adora a serra.

Atraía-me também a ida a Venda Nova (isso lá é nome?) a realização do festival da polenta. Na viagem, a constatação do sofrimento da natureza, há quatro meses não caia uma gota de chuva, e, chegando lá, outra constatação, eu estava em Monte Belo, a cidade não era tão bonita como Monte Belo. Na entrada havia um outdoor grandioso com a inscrição “Você está chegando na Capital Nacional do Agroturismo”. Ao entrar no pavilhão recebi a Folha da Polenta (publicação tão rica quanto a revista CARAS), e um prospecto com a programação do evento, que se estendia por três ou quatro semanas, aos sábados e domingos. Ao olhar a programação constatei que, pasmem, se apresentaria, às 14:00 horas, o conjunto Ragazzi Dei Monti. Eu falei, será que são eles, o nosso Ragazzi, “porco radicho”, como diria meu nono? Cheguei próximo ao palco, olhei, lá estava, as duas ragazzas do conjunto e acompanhantes, no rock pauleira, no let’s twist again, coisas desse gênero, é cover pensei. Circulei e fui provar as polentas, tinha barracas de tudo que é tipo de polenta: Prato Típico – Chopp de Polenta (é isso mesmo) – Linguiça de Porco com Polenta – Polenta com Frango – Polenta do Nono – Polenta a Bolonhesa – entre outras.

Provei a polenta com queijo, um sanduíche duplo com 5 cm de altura e comprimento de 12 cm, um torpedo. Com um chopp, que quando fui solicitar o de polenta me disseram que o meu ticket era de chopp normal, o de polenta era outro ticket, não ia entrar de novo numa fila – detesto filas – para poder provar o chopp de polenta. Só quero dizer que com aqueles dois tijolos de polenta que comi fiquei mal três dias. No palco, no lado direito, estava o tachão da maior polenta do mundo, misturada por uma pá de madeira acionada mecanicamente. No momento de entornar a polenta para degustação dos presentes, olho para o palco e lá estava o Ragazzi Dei Monti, time titular, liderado pelo Álvaro de sua mana Mara. Cheguei perto do palco olhei para o Álvaro que estava cantando Lá Bela Polenta, tirei meus disfarces, óculos, boné, bigode postiço (mentirinha), incrédulo ele disse “não é possível, eu não acredito, mana olha quem está aqui”. E eu “sou eu mesmo, vim exercer um controle de qualidade da atuação do Ragazzi”, ia dizer o que? Na hora de servir a polenta, empreendi minha maratona da volta. Fim de linha, acabou o espaço, mas ainda dá para dizer que o Ragazzi arrasou.