Afinal, quem é o corrupto?

Corrupção virou a palavra da moda no nosso cotidiano. Basta abrir as redes sociais e vamos ver centenas de pessoas pregando a moralidade neste país. Porém, muitos de nós também cometemos atos corruptivos, sem nem mesmo notar. Afinal, furar a fila é corrupção, receber o troco a mais e não devolver também o é. Além disso, podemos citar aqui, passar no sinal vermelho e levar material da empresa, que não lhe pertence, para casa, da mesma forma. Para nós, isso não é um problema, tornou-se comum acontecer no nosso cotidiano. Muitos, ao ler esta coluna, já pensam em me perguntar: Mas isso é corrupção? Isso, caro amigo, é sim um tipo de corrupção. É a chamada corrupção existencial, um desrespeito com o próximo. Resumindo: pregamos moral de cueca. Pois queremos sempre colocar em ordem a desordem do comportamento alheio, nunca o nosso. O antigo ditado “pregar moral de cueca” nunca se fez tão presente em nossa sociedade.

E o professor virou pai

Assisti na televisão, semana passada, dois casos de violência de pais e alunos contra professores em escolas públicas. Está cada vez mais difícil ser professor nos dias de hoje. Os alunos não querem nada com nada, os salários há muito não são condizentes e, em alguns casos, docentes fingem que ensinam e os estudantes fingem que aprendem. Sem falar na falta de respeito constante. E ai do professor que invente de repreendê-los. Não é de hoje que os pais pensam que é obrigação da escola educar seus filhos. Largam a criança lá e acham que o professor vai formar o seu caráter. Uma inversão total de valores, mas acredito que não é assim que a banda deve tocar. É preciso que cada um saiba e entenda o seu papel nesta formação. O professor é pago para transmitir conhecimento ao aluno, desenvolver sua inteligência. Mas se ele não recebe a educação devida dentro de casa, não é na escola que seu caráter será modificado. Senhores pais, definitivamente, assumam suas responsabilidades. Ou, então, pelo amor de Deus, não ponham filhos no mundo.

Faça por merecer

É muito comum, hoje em dia, empregados, com pouco mais de seis meses de trabalho, subirem até a direção da empresa para pedir aumento de salário. É uma atitude válida e, em alguns casos, até louvável. Porém, na atualidade, existe uma inversão nesta escala de valores. O profissional pede reajuste salarial, justificando que irá trabalhar mais. Acredito e sigo a filosofia de que é preciso fazer por merecer para que realmente este reajuste seja reivindicado. Vista a camisa da empresa, torne-se um profissional interessante, quase indispensável (porque indispensável não existe) e alcançarás o retorno e a valorização pretendida, pois aí terás argumentos indiscutíveis à sua reivindicação, porque você está dando retorno. Além disso, em caso de demissões, dificilmente seu nome será lembrado. O empresário não quer alguém que vista a camisa da empresa sendo um bajulador, mas sim um profissional que faça o seu trabalho bem feito. O precavido, não paga para ver, se garante antes.

À espera do feriadão de Páscoa

A maioria dos brasileiros está ansiosa esperando pelo feriadão de Páscoa. Os mais abastados, preparam viagens. Outros, limpam os espetos, já compraram a carne e a cerveja para preparar o saboroso churrasco de final de semana. Tudo muito normal, principalmente após passar um dia (a tradicional sexta-feira santa) sem comer carne.
Não vejo ninguém, ou quase ninguém, para não generalizar, falando que vai aproveitar o feriadão para ler um bom livro, jornais ou revistas. Infelizmente esta é a nossa síndrome como povo brasileiro. Nos preocupamos em nutrir o estômago, mas nunca os neurônios.
É difícil para muitos chegar na segunda-feira energizado no trabalho, tendo o que dizer na rodinha de amigos, tendo o que pensar, sabendo o que está acontecendo a sua volta. Estamos vivendo um dia após o outro, como se o amanhã não importasse. Podemos perder tudo na vida, dinheiro, bens materiais e até o emprego. Porém, ninguém jamais vai nos tirar o conhecimento.