Eu não consigo entender esta dificuldade, esta falta de consciência que nossas lideranças políticas têm, de um modo geral, em torno da preservação do meio ambiente. Não nos é suficiente termos belos jardins, ruas limpas e praças bem cuidadas. Precisamos mais. Precisamos de uma consciência ecológica plena, superior. Onde quer que se vá, até mesmo para Santa Tereza – com seu rio, sua ponte, suas matas, seus esportes radicais – ficamos maravilhados com praças, rios, jardins e com os pressupostos estabelecidos em torno da qualidade de vida.

Quem foi a Roma e não visitou o Vaticano e suas belas praças, não foi a Roma, aliás, ninguém deixa de visitá-los. Quem foi a Nova York e não visitou o Central Park, não esteve lá. Quem foi ao Rio de Janeiro e não visitou a Floresta da Tijuca, as Praças, não andou de bicicleta pelas praias bem cuidadas e limpas, quem não andou pelo Parque Ecológico da Lagoa, quem não foi ao Jardim Botânico de Dom Pedro II, quem não foi ao Zoológico, não esteve no Rio. Vi fotos históricas do Rio de Janeiro de antigamente, terra arrasada, suas imensas florestas deu lugar a plantação de café e cana de açúcar. Dom Pedro mandou reflorestar tudo, trouxe espécies nativas da Europa, ele tinha consciência ecológica.

Quem foi a Paris, deve ter passado dias e dias circulando por belas praças e parques e, deve até ter curtido, a praia artificial que o governo implantou às margens do Senna. E deve ter, ao passear de barco, vislumbrado, os piqueniques que os franceses, jovens e adultos, fazem ao final de tarde e finais de semana, às margens do rio, com comes e bebes. Quem foi a Buenos Aires deve ter visto o encanto que os portenhos têm por suas praças e jardins, pelos seus teatros. A cidade, como o resto do mundo, respira qualidade de vida.

Quem acompanhou a evolução da região nordeste do estado, deve ter observado, que enquanto Caxias só tinha o Parque dos Macaquinhos, na entrada da cidade, cercado por problemas de frequência de drogas e prostituição, nós tínhamos o Parque da Fenavinho bombando, com muito mais de 20 ônibus semanais de turistas, um parque frequentado pela população de forma plena, inclusive curtindo o restaurante do Toninho Coser, sucedido depois pela culinária internacional de Anapio Jacques, estilo Rodrigo Belora. Hoje não temos Parque, Caxias vai para a construção de seu quinto, temático, numa área de 34 hectares.

Tomemos também como referência Porto Alegre. Observem o Parque Farroupilha, o da Encol, o do Moinhos, o do Marinha do Brasil, fantástico, assim como a área imensa do Jardim Botânico, em pleno centro. E Porto Alegre está a discutir a derrubada do muro do Porto, para construir, no lugar, um complexo que traga maior qualidade de vida.

Bem, como se todos esses exemplos e referências não bastassem vem agora, do Japão – totalmente arrasado pela guerra a apenas 70 anos atrás – a notícia de que, naquele país, as visitas curativas a parques se tornaram uma prática popular chamada “shinrin-Yoku” (banho de floresta). Feita uma pesquisa com 280 voluntários, descobriram os japoneses que, quando as pessoas andavam por uma floresta, tinham níveis mais baixos de cortisol (hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais, que estão localizadas acima dos rins), frequência cardíaca menor e pressão arterial mais baixa, do que aquelas pessoas que passavam o tempo na área urbana. E os Britânicos estão recomendado (onze estudos foram realizados) trocar a academia por exercícios em áreas verdes, que trazem maior revitalização, mais energia, menos raiva, tensão e depressão.

Bem voltemos a Bento, onde, não é possível que um vereador, que ganha R$ 10 mil mensais, para participar de uma só reunião semanal, no final de tarde, não tenha viajado, não tenha lido, não tenha frequentado as margens do rio Barracão – com seu cocô vindo do alto e sendo despejado ali, os dejetos poluentes boiando e contaminando – não tenha aprendido em casa, ou nos bancos escolares, a grande importância de preservarmos um rio que agoniza e pede socorro. Discute-se o que? A ocupação das margens do rio Barracão, não sua importância ecológica, seu aproveitamento como lazer, muito menos a poluição que o assola.

Os vereadores, de modo geral, não têm defendido e debatido as nossas questões comunitárias. Estão limitados a ouvir as denúncias (não se discute se fundadas ou infundadas) de Camerini e a defesa voraz de Scussel. E a contemplar a comprometida posição do vereador Pessuto em torno da ocupação das margens do Barracão. Não é à toa que, a cada eleição, os vereadores lutem para conseguir os minguados votos para sua reeleição, muitos perdendo sua reeleição por inoperância na defesa dos anseios comunitários.

O natural é que a cada eleição pelo menos dois ou três vereadores obtivessem, no pleito, fruto do trabalho legislativo, cerca de 4 a 5 mil votos (tiveram quatro anos para conquistá-los), habilitando-se a conquista da Prefeitura ou Deputação. Nem pensar. No momento os vereadores estão preocupados na migração política do tipo: “diga espelho meu, haverá, em outro partido, um lugar melhor do que o meu?”.
Há também a circunstância de que o surgimento de candidatos a prefeito não é vista, nos meios políticos, como uma oxigenação, mas sim um mal a ser combatido. Tchê, e Bento? Por favor, voltem os olhos para as carências de Bento, tornem a tribuna da Câmara uma representação popular na defesa do bem estar, da saúde, da segurança, da qualidade de vida. Defendam o Barracão, não deixem morrer o rio, defendam o retorno de um parque público, defendam um banheiro na Praça São Bento…

E o prefeito Pasin, com serenidade deve conduzir sua gestão, se é religioso pensando “Deus é meu pastor, nada me afetará, me suprirá, me confortará”. Se ele finalizar sua gestão satisfazendo os anseios populares, nada impedirá que se reeleja. Mas, deve trabalhar muito, ouvir muito, colocar talvez “conexões tigre” nos vazamentos que estão ocorrendo. Porque, senão, acontecerá o “cessa tudo quanto a musa canta porque um valor mais alto se levanta”. Acabou o espaço. Voltarei na edição do dia 17 de outubro.