Sexta-feira, 14 de Agosto de 2026

ÚLTIMA HORA

As mulheres preferem os homens com barba

Ouço burburinhos há pelo menos 10 anos de que o jornal impresso vai simplesmente desaparecer. A internet veio para ficar e levar a informação com muito mais agilidade. Esse é só um esboço de todos os tópicos que existem, investimento e vendas em redes sociais, repasse de corrente e fake News nos grupos de WhatsApp e correr apagar antes de dar os sete minutos. E realmente a internet entrega “a informação” em segundos, para qualquer lugar do mundo. Mas devo dizer, algumas “informações” nunca deveriam ser disseminadas.

“As mulheres preferem os homens com barba”. Esse é o título de uma “crônica” que encontrei em um site que, outrora, tinha textos muito interessantes. O texto é afirmativo e generaliza as personagens. Mulheres (todas), homens (todos), tentando explicar por um viés científico-cristão-genético porque as mulheres (todas) preferem os homens com barba, como
se fôssemos animais.

Como se não bastasse, para cumprir com o número de caracteres, um intertítulo nomeia a obsessão por homens com barba (pogonofilia) como modismo, enquanto outro intertítulo explica os significados e o que a barba “diz sobre você”. São 12 mini parágrafos cheios de pré-conceitos, estereótipos, machismo e achismo.

Tá, mas e daí? E daí que esse texto foi o exemplo mais tragável que eu pude trazer aqui. Os outros, que estão aí, na nossa maravilhosa, esplêndida e revolucionária internet, são do tipo “seria cômico, se não fosse trágico”. Não é ironia, a internet é sim maravilhosa, esplêndida e revolucionária, mas as pessoas não sabem usar! Corrida maluca para informar primeiro, não importa se é verdadeiro ou falso. Corrida maluca para gerar conteúdo, não importa se é verdadeiro ou falso. Impactar e lavar o cérebro de pobres pessoas que não têm acesso à verdadeira informação, esse é o objetivo.

O profissionalismo se perdeu via wi-fi, qualquer coisa depois é só apagar. Se não está lá, ninguém colocou. Referências são cada vez mais difíceis de encontrar, a solução é comprar livros, buscar sites de meios de comunicação tradicionais e perfis de profissionais que já passaram por eles. Hoje em dia qualquer abacaxi sem coroa é vendido através de uma “fórmula mágica”, afinal, é preciso tirar dinheiro do povo leigo e iludido.

É decepcionante ver uma ferramenta tão revolucionária sendo tão mal utilizada. Se neste ano avançamos aproximadamente 20 anos da era digital…me pergunto se haverá cérebro para acompanhar com ética (já vejo dificuldades).

O jornal impresso não irá acabar, porque ainda é o meio de comunicação mais confiável. Por tabela, seu portal digital, também. Pode vir “informação” em primeira mão, segundo depois, mas se ela estiver errada, abusiva, anti-ética, ela só será um desserviço à comunidade e um trauma para os envolvidos.

E assim, as mulheres preferem que não publiquem textos sem fundamento. Sobre homens, algumas nem preferem homens. Falem sobre o que vocês sabem, garanto que a probabilidade de dar errado diminui drasticamente.

Uma resposta

  1. Perdi as contas de quantas vezes eu já ouvi pessoas falando ou matérias sendo escritas (online claro!) de que jornais não exisitiriam mais. O futuro é somente a internet, as redes sociais e o mundo digital. Realmente, a internet veio para ficar e seria hipocrisia de minha parte dizer que ela não é útil. Mas devemos nos atentar para algumas “informações” que nunca mesmo deveriam ser disseminadas.

    Permeiam pela internet, mais de dúzias de textos, crônicas e outras tantas coisas, com afirmações e generalizações um tanto quanto ridículas. Inclusive porque generalizar algo já é uma falsa informação.

    É uma corrida maluca realmente tentando ver quem ganha. Quem posta primeiro, quem tá mais feliz, quem informa antes do que o outro, quem se sobressai nas notícias. Não se importam se o que estão publicando e divulgando é verdadeiro ou falso. O importante é impactar o leitor, o cérebro das pobres pessoas que muitas destas se quer tem acesso à veracidade dos fatos. Pobres da gente que precisa acompanhar.

    Perdeu-se o profissionalismo, a referências estão cada vez mais difíceis de serem encontradas e a comunicação está ficando uma verdadeira poluição. Hoje em dia o importante é vender. Sejam produtos, que por sua grande maioria nem se quer funcionam… sejam cursos prometendo aprendizado rápido sobre qualquer assunto ou qualquer coisa. Vamos gerar qualquer tipo de conteúdo e ganhar dinheiro com isso, tirando obviamente esse dinheiro de pessoas leigas e completamente iludidas.

    Vocês já pararam para analisar quantas cosias inúteis tem por ai? Dias atrás eu li sobre “batom que emagrece”. Pode isso produção? Por sorte essa “invenção” foi banida, mas com toda certeza milhares de pessoas gastaram seu dinheiro com isso.

    É extremamente decepcionante ver uma ferramenta tão boa, sendo utilizada de tal forma. Neste ano, estudiosos estão confirmando que avançamos aproximadamente 20 anos na era digital, e temo que eu tenha que concordar, mas ao mesmo tempo fico me questionando como é que vamos conseguir, com sanidade mental é claro, acompanhar toda essa revolução. Já temos dificuldades sem esse avanço todo imaginem daqui pra frente.

    De absolutamente nada adianta ter a informação antes do que outra, se a mesma não estiver correta. É uma perda de tempo, sem falar na ética! Isso que nem estou citando ou mencionando aqui, os “avanços” da vida perfeita e das fotos em redes sociais, porque talvez esse seja um outro assunto absurdo para outro texto e outros comentários.

    Falem somente sobre o que vocês sabem, e se não sabem e querem falar, agradecida se forem aprender antes! O povo e a mídia agradecem também!

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