Sexta-feira, 14 de Agosto de 2026

ÚLTIMA HORA

Alimentação dos primeiros imigrantes

Na Itália, os primeiros imigrantes comiam bem melhor que hoje. Eles cuidavam de cinco ou seis vacas de leite. Faziam queijo, manteiga, requeijão e viviam numa fartura extraordinária.

Quando aqui chegaram recebiam alimentação do Governo, mas esta havia acabado, quando começou a chover continuamente.

A SALVAÇÃO deles foi que coincidiu com a safra de pinhão.

Alimentavam-se de pinhão durante quinze a vinte dias após o passar das chuvas.

Uma boa alimentação foi sempre característica dos italianos. Nos primórdios, a alimentação italiana nas colônias a responsabilidade do vigor físico e do crescimento da fertilidade humana, expressa no número de filhos.

Em entrevistas, em 1975, ouviu-se esse depoimento: “si, si a caza co se gá polenta e salame, a polenta e formáio e um pochi de radíci, no côr altro.” Veja-se o contraste do pensar da época com o pensar de hoje. O agricultor achava-se pobre porque na sua mesa não havia qualquer produto comprado. Eram apenas polenta recém feita, bem cozida em fogão a lenha, batida com uma “mescola” de madeira durante mais de uma hora, com salame colonial de carne de porco, ou queijo colonail purinho e gorduroso, mais um “ radíci” preparado com vinagre de vinho e “lardo” (toucinho), mais pão e vinho (feitos em casa), seria hoje, uma refeição das mais ricas e apetitosas. Se a polenta forgrelhada sobre brasas ou sapecada sobre a chapa do fogão, a refeição torna ainda melhor o gosto. O agricultor acha que estes pratos são uma refeição pobre, mas hoje é uma excelente refeição considerando-se a fartura de um “panaro” de polenta nova, cortada com fio de linha nº 16, uma grande bacia de “radici” temperados…

O pinhão, a batata, a mandioca, a fava, cozidos em paneladas, a pêra na água, eram servidas antes das refeições ou nos filós, por isso não são considerados parte integrante da refeição. A batata e o pinhão são assim preparados, aquela água sobre a cinza, ao calor das brasas, e este sobre a chapa, colocada sobre o fogo do “fogolaro” hoje sobre a chapa quente do fogão, adquirem outro gosto. Pratos diferentes, podem ser feitos a partir da batata e do pinhão. Por isto, quando tantos agricultores diziam: “ se à passa tanta fame” ( passou-se muita fome), “sorte che se gá bio na abondante safra de pinhão”. – Tivemos sorte que se teve uma abundante safra de pinhão – esta afirmação não significa foma da falta de alimento, mas a falta, no início, dos alimentos distribuídos em ranchos ou a falta dos alimentos tradicionais nas temporadas críticas das secas, geadas… quando faltaram alguns produtos, ou por ocasião da guerra quando escasseou o açúcar, o sal, o café e o querosene. O colono improvisava seu café com milho e fava torrados, o açúcar era substituído pelo mel, o querosene era substituído pelas “lumin” de banha, lampeões a banha.

Bom seria se ocorressem ainda tais crises para desatar a criatividade e fazer com que alimentação não seja dependente de preconceitos culturais. Imagina-se, por exemplo, o valor de uma crise de falta de açúcar, se viesse desencadear o cultivo da apicultura, para produzir o mel em sua substituição.

Em muitos momentos o italiano se baseava muito no seguinte provérbio: “Impara l’arte e mêtela de na parte”. = Aprenda a arte (o fazer) e guarde-a, que ela não incomoda.

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