Terça-feira, 11 de Agosto de 2026

ÚLTIMA HORA

No mato sem cachorro

Depois de vários anos de inglês no currículo escolar, saí falando fluentemente “The book is on the table”, além do popularíssimo “Meu Deus”, em carioquês – “Mai Gódji”.

Mas, de repente, me dou conta de que meu vocabulário é extenso e cotidiano. Domino a Língua – especialmente com ervilhas – e quase não consigo expressar uma ideia sem apelar a este monstro chamado “English”, que me atormentou a vida através do Mister Müller, que Deus o tenha.

Ok, ok! Talvez nem saiba o significado original da maioria das palavras que uso, mas isso não é pecado que necessite de redenção. Por exemplo, mesmo sem desconfiar de que “to vanish” significa “desaparecer”, muitas vezes pedi o tira manchas do mesmo nome. “Dove” também nunca faltou aqui, em casa, embora ninguém de nós soubesse que estava tomando banho com uma pomba. Já

“Axe” é um desodorante que me deixa em dúvida… Será que machado corta cheiro de asa?

De todos, o que me surpreendeu nesta pesquisa de hoje foi “Sundown”. É bem verdade que sempre tive uma queda pelo nome – tão poético! – mas, na minha cabeça, nunca se tratou de por do sol, afinal quem é que usa protetor solar quando o astro recolhe seus raios?

Pois é! Vive-se perfeitamente bem sem entender o básico do Inglês… Ou não?! Vou relatar um fato ocorrido recentemente, e você decide!

Então a família estava em Dubai, no complexo de entretenimento Global Village, que expõe a cultura de diversos países e que oferece também um grande parque de diversões. Enquanto o pai, na bilheteria, arranhava seu parco inglês, esposa e filha aguardavam sentadas em frente a um brinquedo.

Eis então que se aproxima um indiano de turbante amarelo conduzindo uma indianazinha de uns cinco anos pela mão, disposto a manter uma boa conversa.
-Blá-blá-blá- blá-blá-blá- blá-blá-blá…
A nossa menina sorri. Animado, ele pergunta:
-Blá-blá-blá? Blá-blá-blá? Blá-blá-blá…?
-Yes… Yes… Yes… – responde ela.

Satisfeito, ele acomoda a sua pequena ao lado das duas e some na multidão.
-Gabi, você entendeu alguma coisa? – pergunta a mulher.
-Não, né! Eu só quis ser simpática.

Daí em diante, foi um caos total, sem que houvesse a mínima chance de comunicação entre as três criaturas que se olhavam apatetadas. Depois de um tempo que pareceu infinito, a indianazinha percebeu a fria em que se metera e saiu voando ao encontro do (ir)responsável que a deixara aí. Felizmente, ele não se encontrava muito longe.
-Ela nem disse “Good bye” – reclamaram as duas, rindo aliviadas.

Nesse dia, a brasileirinha aprendeu nova frase em inglês para usar nas futuras viagens: “Sorry, I don’t speak English”. Assim não vai correr o risco de adotar uma indiana. Ou francesa, italiana, japonesa…

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