Quarta-feira, 01 de Julho de 2026

ÚLTIMA HORA

Gasolina bem mais cara

Quando parece não haver mais lugar para surpresas após um período eleitoral no Brasil, as pessoas acabam descobrindo que sim, há sempre espaço para mais uma maldade. Aliás, pode-se chamar de surpresa uma notícia tão negativa quanto aquela apresentada pelos postos de gasolina no amanhecer do domingo, 1º de fevereiro?
A surrada frase de que não se deve matar o mensageiro seria cabível numa situação como esta. Sobretudo, porque é nos postos de gasolina que se está descontando a ira por um aumento tão significativo como o que está acontecendo. Será mesmo que os donos de postos de gasolina foram gananciosos ao reajustarem, na média, em 0,50 centavos o litro da gasolina? Podem muito bem ter apenas feito o que deveriam para manter as margens do seu negócio.

No caso de se constatar que tenham sido abusivos, não resta dúvida de que o Procon e outros órgãos deverão responsabilizar quem praticou a ganância. Mas há um sinal perturbador. A inércia e a falta de uma manifestação de um governo que criou uma expectativa aos cidadãos em geral e motoristas em particular. O reajuste seria de 0,22 centavos – já consideravelmente alto- quando na verdade foi mais do que o dobro. Caberia, portanto, uma retratação do Governo.

Quando se fala em aumento de combustíveis, o pensamento imediato é de que o cidadão deverá reduzir suas idas à praia, as voltas de final de tarde em domingos ou então que ele pode ir trabalhar de ônibus. Mas este é apenas um pequeno pedaço do problema. O aumento dos combustíveis conjugado ao da energia elétrica, que ficará bem mais cara este ano, repercute no preço do leite e da alface, que precisam ser transportados da zona rural para o mercado consumidor. O mesmo se dá com os produtos industrializados, com o preço da passagem e em tantos outros insumos.

O que resta aos brasileiros é protestar, como um grupo que já se organiza para fazer em Bento Gonçalves e se autoproteger, realmente gastando menos. No mais, o melhor é rezar para que tenhamos governos mais responsáveis.

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