Quarta-feira, 01 de Julho de 2026

ÚLTIMA HORA

Mosaico preocupante

Não são poucos os desafios para que se alcance uma sociedade justa. Eles aparecem na falta de distribuição de renda, nos impostos cobrados de forma desigual e injusta -onde os menos afortunados acabam contribuindo com parcela maior do que os muitos ricos; na falta de moradia digna; na insegurança e no descaso com a saúde pública.
A edição deste sábado gostaria de mostrar só aspectos positivos de uma cidade da qual nos orgulhamos de viver e trabalhar. A verdade encontrada nas esquinas é outra. O mosaico apresentado traz o relato sofrido de Idiole Zanotelli, que sofre e busca reparação em sua saúde há anos. Ela é vítima de uma articulada e inescrupulosa quadrilha que não se importa com a vida alheia, apenas com dinheiro ganho de forma desonesta. Seu calvário, porém, vai adiante, além de sofrer dor e invalidez, ainda lhe recai a humilhação de ver negado o benefício da previdência social, mesmo que os exames e laudos médicos atestem a situação de incapacidade e sofrimento da segurada. Ou seja, além de vítima da ganância, sofre com a insensibilidade de burocratas.

Outros dois vértices da realidade que encontramos nestes primeiros dias de 2015, em Bento Gonçalves, são a situação difícil de ambientação dos imigrantes haitianos ao país que os recebe. E a dificuldade que empresas têm para contratar trabalhadores.

Os haitianos têm um acolhimento pela metade, sem preparação prévia. Será necessário correr atrás do tempo perdido e providenciar meios para que eles se adaptem, com moradia digna, com aprendizado da língua e trabalho regular.

Emprego, aliás, parece não ser o que falta. Mas, é preciso encontrar formas de colocar em sintonia quem precisa do labor e quem oferece a vaga. Aqui há uma equação que não fecha: há gente desempregada e vagas que não são preenchidas. Mais uma vez empresas estão buscando operários em zonas distantes do estado. É gente que vem e precisa alugar residência, matricular filhos nas escolas ou creches. Urge que o poder público faça a mediação destes interesses, minimizando os efeitos sociais de um inchaço populacional que a cidade já experimentou em outras épocas.

Organizar, coordenar, planejar, prevenir, mais do que tarefas, são exigências inescapáveis a governantes, tanto quanto é dever do Estado prevenir e reparar vítimas como dona Idiole, além, é claro, de punir profissionais que brincam com a vida alheia.

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