Editorial

Ventos da retomada

A traumática recessão dos últimos anos vem sendo substituída por entusiasmo no setor produtivo com o ano de 2018. São as expectativas – positivas ou negativas – que determinam a velocidade da retomada ou da paralisação dos investimentos, essenciais para fazer o motor econômico girar. O Brasil parece estar no ritmo de uma retomada econômica, mesmo num ano de eleição que promete ser turbulenta, em que alguns investidores ainda parecem estar em compasso de espera. Exemplo disso é as vendas de Páscoa em todo o país, mas em especial em Bento Gonçalves, que registraram aumento acima de 3%, o mais expressivo dos últimos cinco anos. Entretanto, outros fatores implicam diretamente na recolocação do país nos trilhos rumo à retomada.

Dados divulgados pelo Caged mostram que o índice de desemprego no município recuou no trimestre encerrado em março, representando menos pessoas desocupadas. A recessão dos últimos anos contribuiu para conter os preços em 2017. A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), fechou o ano acumulada em 2,94%, bem abaixo dos 6,29% registrados em 2016. Com os preços mais baixos e expectativas para uma inflação menor, a taxa básica de juros (Selic), também teve seu ciclo de cortes. Nas oito reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) em 2017, a Selic foi reduzida sucessivamente, passando de 13,75% para 7% ao ano. Neste ano, o Copom fez mais um corte para 6,7%, a menor taxa de juros da série histórica, iniciada em 1986.

O setor de construção tem sido um dos mais atingidos pela crise política e financeira. Os escândalos de corrupção minaram a credibilidade de grandes empreiteiras, levando à redução de crédito e demissões em massa nos últimos anos. Mas uma sondagem divulgada nesta quarta pela Confederação Nacional da Industrial (CNI) aponta uma mudança de clima no setor. A confiança dos empresários melhorou de 57,2 pontos em janeiro (maior nível desde o começo de 2014) para 56,3 em fevereiro, mantendo-se acima da média histórica (52,8 pontos). O nível de utilização da capacidade de operação da indústria da construção também subiu para 60% em janeiro e ficou dois pontos percentuais acima dos 58% registrados em dezembro de 2016. Dados da pesquisa Rumos, apresentada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), mostram que há também uma expectativa de recuperação do emprego para parte da indústria paulista em 2018, com 24,4% dos industriais afirmando que pretendem aumentar o número de vagas.

“É hora de aquecer as turbinas das indústrias e engatar marcha para o crescimento”

O setor industrial ficou estável em 2017, segundo dados do IBGE. Uma sondagem feita em janeiro pela Associação Brasileira da Indústria Eletroeletrônica (Abinee), no entanto, indica que a maioria das empresas projeta crescimento de suas atividades em 2018. De acordo com a pesquisa, 83% das consultadas esperam aumento das vendas e encomendas este ano, enquanto 11% projetam estabilidade e 6%, queda, em relação a 2017. Na sondagem, melhorou também o percentual de empresas que têm intenção de contratar, passando de 12% em dezembro de 2017 para 19% no mês passado. Já o percentual de entrevistados que pretende diminuir seu quadro de funcionários caiu de 18% para 10% no período.

Confiança no agronegócio avança mesmo sem nova supersafra, a poupança e a renda do brasileiro voltaram a crescer e o mercado imobiliário prevê a retomada da expansão. Diante de tantos dados positivos, é hora de aquecer as turbinas das companhias e aproveitar o momento do país para engatar uma marcha de crescimento interno. Para tanto, acreditamos que é necessário adotar medidas cruciais, que poderão auxiliar no ritmo financeiramente sustentável de evolução econômica, como a busca por parcerias confiáveis, focar na eficiência financeira e de processos e torcer para que todos os escândalos políticos e sociais que danificam nossa imagem já tenham sido expostos.

Sobre o autor

Cristiano Migon

Cristiano Migon

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