Editorial

Vende-se comprometimento

Cristiano Migon
Escrito por Cristiano Migon

A corrupção e o modo de ocultar de muitos políticos mal intencionados é um mal crônico que afeta a nação. Também alguns empresários, na sua esperteza, mostram ser indivíduos perspicazes, buscando maneiras de melhor usar a política para enganar qualquer pessoa. Aliás, essa maneira de agir mostra-nos políticos astutos, sabidos, manhosos, sagazes, espertos, visto que eles olham mais para seus próprios interesses. E Bento une o pior dos dois mundos. Ao fazer politicagem, se utilizam de meios e planos para atingir seus objetivos de conseguir bens e recursos para viver folgadamente numa sociedade onde a corrupção impera na sociedade de consumo.

Bento Gonçalves vem entranhada há anos em um cerne de escândalos públicos, como os concursos fraudados na Câmara e Prefeitura Municipal, a apropriação indevida de valores de parlamentares da gestão passada e, agora, a divulgação de um áudio onde um vereador afirma categoricamente que seis de seus companheiros receberam uma quantia em dinheiro para apresentar emendas ao Plano Diretor. Francamente esta última até demorou para se tornar de conhecimento público, pois, ainda em dezembro do ano passado, quando o Executivo solicitou a retirada de votação do documento, muitos eram os rumores acerca da compra de votos para o corredor gastronômico. E convenhamos, onde há fumaça, há fogo.

A Promotoria acatou, nesta semana, a denúncia (promovida não pelo vereador, que tinha o dever moral de fazê-la, mas pelos presentes que o gravaram durante a declaração), e o Ministério Público deu início aos trâmites legais para apurar a veracidade das informações. Enquanto isso, do outro lado da cidade, o Legislativo virou palco de guerra entre os parlamentares, que sem novidade, utilizaram de toda sua eloquência para atacar o colega que “deu bandeira” e foi pego em um momento pra lá de constrangedor.

O homem que se vende recebe sempre mais do que vale

É frustrante, mas percebemos no cenário municipal uma naturalização indesejada da corrupção. Discursos demagógicos em períodos eleitorais, acomodação de cargos políticos sem relevância e retorno comunitários, regados por altos salários, além de um denso lençol de camuflagem, mantido por todos participantes dos esquemas caluniosos, blindam de forma quase intransponível quaisquer investidas em extirpar este câncer do núcleo municipal.

Quando Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, também conhecido pelo falso título de nobreza de Barão de Itararé, lançou, ainda no século passado, a seguinte frase: “o homem que se vende recebe sempre mais do que vale”, poucos vislumbravam os desdobramentos morais e sociais que se apresentariam na posteridade. Mas os valores permanecem inalterados. Dizem que em um estado democrático existem três classes de políticos: os alienados, os suspeitos de corrupção e os corruptos. Qual será a terminologia ideal para os políticos da sempre polêmica Capital do Vinho?

Infelizmente, a gestão de cargos públicos continua em um posto lamentável. Atitudes como estas apenas reforçam o pensamento de que a política tem a sua fonte na perversidade e não na grandeza do espírito humano. Lamentavelmente, por aqui parece que tudo é uma questão de preços, e não de ideais. Bento pode e precisa de muito mais.

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